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A abertura do 5º Congresso do PT

1208761Por Carlos Henrique Árabe

O conjunto de três documentos que forma a base política das resoluções do 5º Congresso, acrescidos de emendas muito importantes, define uma nova agenda de debates estratégicos para o PT nos próximos anos.

A Convocatória, o Texto-base e a Resolução do DN de julho de 2013 apresentam, sob o olhar do socialismo democrático, pelo menos quatro desafios de elaboração e um desafio maior, o de sintetizar uma narrativa histórica e uma perspectiva unificadora para o futuro.

Podemos tentar resumir esses quatro desafios nos seguintes temas:

– A estratégia econômica de desenvolvimento pós-neoliberal que aprofunde os lineamentos do governo Dilma, com forte presença do Estado na definição dos investimentos e, portanto, dos rumos da economia brasileira;
– A política governamental internacional de construção de uma alternativa à ordem neoliberal e uma política internacionalista do PT no sentido de, além da América do Sul, contribuir para uma refundação socialista no âmbito mundial;
– A democratização do Estado brasileiro, hoje com muito mais condições sociais do que em qualquer outro momento histórico em função da enorme incorporação em massa de excluídos do mercado e da cidadania, mas certamente o elemento mais em atraso de nosso projeto;
– A construção de uma cultura republicana de participação cidadã em simultâneo à construção da consciência de classe dos trabalhadores, e podemos acrescentar, de todos os sujeitos sociais interessados na superação do capitalismo.

É uma pauta gigantesca, difícil, mas necessária. E como o texto base aposta, é possível reunir energia militante para ao menos encaminhar progressivamente essas questões.

Permeando toda a elaboração, há a preocupação com o reencontro de uma narrativa conceitual, uma visão de conjunto sobre o processo dirigido pelos nossos governos Lula e Dilma. Essa necessidade vai além de uma reflexão interna e dirigida ao nosso campo de luta. Ela é necessária também para contrapor às interpretações do campo antagonista que atua para nos descaracterizar, aproveitando inclusive os deslizes frequentes do nosso lado. Assim, uma narrativa tem o papel de bússola política, de referência estratégica por todo um período, uma ferramenta essencial para coesionar e crescer a nossa força, conquistar hegemonia.

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É interessante reler o documento que estabeleceu nossos objetivos de governo, aquele que resultou do em 12º Encontro Nacional, realizado em Olinda, e que foi coordenado pelo inesquecível companheiro Celso Daniel. Com o título de “Concepção e Diretrizes do programa de governo do PT para o Brasil – LULA 2002”, nele se desenvolve o conceito de Revolução Democrática abarcando três eixos: o social, o nacional e o democrático: “a alternativa proposta representará uma ruptura com nossa herança de dependência externa, de exclusão social, de autoritarismo e de clientelismo e, simultaneamente com o neoliberalismo mais recente.” (LULA 2002, p. 55)

Essa bússola foi atingida ainda em 2002 pela Carta ao Povo Brasileiro, perdendo-se o norte programático. Atravessamos um período com dois programas, um de ruptura outro de conciliação.

A história andou para frente, movida, sobretudo, pela crise do neoliberalismo, mas também pela crise de 2005 e o combate sem tréguas ao PT.

Hoje podemos retomar o fio da meada. É isso que se abre com o 5º Congresso. A agenda dele derivada, inclui a necessária e crítica revisão do funcionamento partidário. Essa agenda de debates estratégicos deve organizar o nosso horizonte e mesmo os realinhamentos e recomposições internos.

2015, 13 anos depois do assassinato de Celso Daniel, prosseguimento as homenagens a Gushiken e Deda, será um momento fundamental para nos colocarmos à altura da nossa própria história.

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