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A Juventude do PT e o Conjuve, sonhos e lutas de uma nova geração

210181Por Joanna Paroli*

A juventude brasileira tem muita esperança. Essa afirmação, além de se respaldar em pesquisas recentes, como a intitulada “Sonho Brasileiro”, se relaciona ao fato de vivermos um momento favorável de mudanças no plano econômico e social. Políticas como o aumento do salário mínimo, o PROJOVEM e o PROUNI, conformam uma nova geração de trabalhadoras e trabalhadores dotados de perspectivas, com mais autonomia e maior acesso à educação e aos bens culturais. Este dado, aliado ao que chamamos de bônus demográfico, onde pelo menos ¼ da população brasileira economicamente ativa é composta por jovens, caracteriza importante massa popular, nosso objeto de disputa de valores, que se organiza de diferentes formas e encontra mecanismos democráticos de participação em várias esferas da vida política.

Para a Juventude do PT, esse é um tempo de disputa de rumos. A partir do Governo Lula, foi institucionalizada a Política Nacional de Juventude, com a criação da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), o que impulsionou uma virada no conceito de juventude e nova abordagem e entendimento de suas demandas específicas. Desse momento, até os dias de hoje, fundou-se um sólido processo que culmina no fortalecimento institucional dessa pauta e um reconhecimento crescente por parte de governos e do conjunto da sociedade civil. As experiências de gestões das PPJ`s e dos Conselhos, instrumento especial de democracia participativa, devem ser capilarizadas nos municípios e estados brasileiros, formando rede de atores que deem fôlego a essa discussão.

O II Congresso da JPT, realizado no final de 2011, nos deixou importante legado. O primeiro foi tê-lo concebido também como um espaço de troca, debate e consequente acúmulo na temática de juventude, muito por conta do nosso protagonismo na formulação e execução das PPJ`s. O segundo, se refere a um sentimento consistente e coletivo entre a militância jovem petista, o de aprofundamento das relações com os movimentos sociais. É necessário que dialoguemos com prioridade com o conjunto dos movimentos juvenis, militantes dos movimentos sindical, estudantil, de cultura, juventude negra, mulheres, LGBT, pastorais sociais, entidades religiosas de matriz africana e ambientalistas.

Na 2ª Conferência Nacional de Juventude, mobilização que atingiu mais de 500 mil jovens em todo o país, a Juventude do PT exercitou de maneira vitoriosa essa premissa. Fomos ponto de contato e referência de parcela significativa dos/as delegados/as e organizações participantes. Programaticamente, as diretrizes confirmadas em plenária final tiveram muito do acúmulo das juventudes progressistas, principalmente, da JPT

No âmbito das políticas nacionais de juventude, o Conjuve se consolida como um dos principais espaços de articulação e acúmulo de forças das juventudes brasileiras. Nos seus sete anos de vida, o Conselho conseguiu a musculatura necessária para ampliar sua influência no diálogo com o governo, na disputa em torno dos principais pontos das PPJ`s e na relação com as diversas entidades. Pode-se afirmar que o Conjuve é hoje um retrato em ascensão da diversidade e pluralidade da juventude brasileira. E nele, também reside a marca da militância petista. Não só porque o disputa, mas porque imprime uma cultura política pautada na democracia e na defesa de uma plataforma libertária para a juventude.

A eleição 2012 do Conjuve, realizada no último dia 12 de abril, foi extremamente valorizada. O processo contou com um aumento significativo de entidades inscritas e habilitadas, foi incorporada a cadeira indígena, reivindicação anterior e importante conquista, e ampliou-se a participação da juventude rural e quilombola. Além disso, destaca-se a eleição da CUT, UNE e REJUMA, três entidades de atuação distintas, mas de peso político importante, seja pela base social que representam, seja pelo que se propõem como objetivos de luta. Por fim, há de se comemorar a participação das juventudes partidárias, com muita relevância da JPT, eleita titular por ampla confirmação dos/as presentes e notadamente o elo de diálogo com a maioria dos movimentos, fóruns e redes.

Os próximos dois anos de gestão do Conselho serão de enfrentamento e desafios. Enfrentamento, porque ainda precisamos avançar em vários pontos nas políticas de juventude, como por exemplo: os Marcos Legais (Plano Nacional de Juventude e Estatuto da Juventude), a política de drogas e o combate ao extermínio da juventude negra. No plano geral, estamos comprometidos na luta em defesa da democracia, pelo direito à verdade e memória, pela reforma política e dos meios de comunicação, que ainda legitimam uma opinião dominante liberal, orientada pelo consumismo e rejeição das pautas coletivas, por mais direitos para as mulheres, pelo trabalho decente e por uma educação pública e de qualidade.

Um importante desafio para a juventude é a disputa a ser travada a favor de um novo modelo de desenvolvimento. O uso sustentável e a preservação dos recursos ambientais devem estar em sintonia com as políticas de desenvolvimento econômico e social, reduzindo desigualdades com distribuição de renda. Para isso, torna-se necessário disputar a agenda da Rio+20, rechaçando a ideia de “economia verde”, encontrando saídas ao capitalismo predatório e abrindo caminhos para participação popular. Além disso, algumas de nossas riquezas naturais, como o pré-sal, precisam servir para produzir um novo ciclo econômico, com fortalecimento da esfera e do aparato industrial públicos, redimensionando o financiamento em áreas sociais. Por fim, é preciso acompanhar as discussões sobre o investimento na Copa 2014 e nas Olimpíadas 2016 no Brasil, pensando melhorias duradouras na mobilidade urbana, com uso de energias limpas no transporte público e combatendo a especulação imobiliária nefasta, o estímulo à prostituição e mercantilização das mulheres e o racismo ambiental.

O papel que a Juventude do PT vai jogar está definido. Para além de Conselheira do Conjuve, temos responsabilidade em protagonizar as ações necessárias, tanto pela via institucional como na vida social, para implementar mais conquistas para a juventude brasileira. Nossa defesa é pela unidade do campo democrático e popular e o fortalecimento da aliança com os movimentos sociais. Só assim alcançaremos os pilares que fundamentam os anseios da juventude, uma vida com igualdade, com direitos assegurados e possibilidade de viver plenamente sua condição juvenil.  O que nos move são os sonhos, mas, sobretudo, é com muita luta política que se constrói um outro mundo.

* Joanna Paroli é Secretária Adjunta Nacional da Juventude do PT. 

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