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Aliados de quem?

O companheiro Tarso Genro em artigo no portal do PT discute a questão central da política de alianças. Seu estilo elegante e analítico tece argumentos favoráveis à uma aliança prioritária do PT com os partidos de esquerda e a partir daí ampliar para o centro. Argumenta também que a política de alianças de 2008 está intimamente relacionada com a política de alianças de 2010. Com relação a estes temas temos ampla concordância.

                                                                                                            JOAQUIM SORIANO

Temos concordância também sobre a centralidade da disputa presidencial em 2010. Todo o período histórico das lutas pelo fim do regime militar e pelas liberdades democráticas é marcado pela realização das eleições presidenciais de 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006. Na nossa história republicana é o maior período de sucessão presidencial através do voto. Em todos estes momentos, uma constante: O PT e seu candidato Lula disputaram a Presidência da República. Só isto implica um acúmulo muito grande. E o acúmulo é extraordinário por conta da vitória de 2002, consagrada em 2006. Em 2010 o Presidente Lula não será candidato.

A resolução do Diretório Nacional de 9 de fevereiro de 2008 é precisa: “No que se refere à preparação da campanha presidencial deve ser aberto um amplo debate interno, com nossos interlocutores partidários e sociais, sobre o aperfeiçoamento de nosso projeto para o país, sobre o papel internacional do Brasil e, consequentemente, sobre o programa a ser apresentado nas eleições nacionais – sempre considerando as conquistas, os limites e as contradições de nosso governo, com as vitórias sendo devidamente registradas no balanço político, e as limitações sendo objeto de uma discussão franca e democrática.

O debate sobre nossa candidatura ao governo federal, a ser aberto em 2009, estará subordinado a esse aprofundamento programático essencial ao projeto político que estamos construindo.”

A candidatura do PT assim contruída, dialogando com os partidos e os movimentos do campo democrático e popular, sob a coordenação do Presidente Lula, terá grandes possibilidades de vitória. Vencer a eleição será um grande triunfo para o PT e para o bloco político e social que sustenta o nosso projeto. Este desafio é o que organiza as disputas políticas do presente.

A partir destas considerações comento o artigo do companheiro Tarso Genro quando particulariza a aproximação de setores do PT com setores do PSDB em Minas Gerais.

Afirma Tarso: “A abertura para uma eventual aproximação com setores do PSDB deve ser analisada com cautela e somente será compreensível para a base popular de sustentação ao governo Lula, caso fique evidente seu caráter regional e específico.”

Até agora o eloquente é seu caráter nacional e universal. Seus principais protagonistas são o Governador do Estado e o Prefeito da Capital.  Nas declarações públicas com ampla divulgação pela mídia nacional e entrevistas a jornais regionais, tanto um como outro salientam aspectos de identidade programática para governar o Brasil.

Vejamos a declaração do Governador, em matéria da Folha de São Paulo de 26 de fevereiro, terça-feira passada:

“O governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, disse ontem que o PT e o PSDB não devem ser partidos “inimigos”. (…)

“O PSDB e o PT não precisam ser inimigos declarados por toda a vida. Nós, que já temos identidade em tantas questões, em especial nas econômicas, quem sabe não podemos estar juntos na construção de um grande projeto futuro. Em Minas Gerais , estamos conversando”

Além de declarações como a citada, as colunas de comentaristas políticos sempre salientam o aspecto nacional da aliança mineira justamente para um possível arranjo para 2010! Ver, dentre outras, Eliane Catanhede na mesma Folha de São Paulo do dia 26 passado.

A mesma resolução do Diretório Nacional já mencionada é correta quando levanta para a consideração das instâncias locais do partido no que concerne ao PSDB, o seguinte:

“O PSDB, nacionalmente, em aliança com o DEM, cumpre o papel de organizar a oposição política ao Governo Federal. Apesar de suas divergências internas, de uma crise de perspectivas e de eventuais disputas locais com o DEM, o PSDB tem optado por radicalizar a oposição sem quartel ao Governo Federal, colocando-se como alternativa em 2010 – escolha que adquiriu contornos ainda mais nítidos a partir da votação no Senado que resultou na extinção da CPMF. Para além de organizar a oposição política, o PSDB busca reafirmar o projeto neoliberal que marcou sua passagem pelo Governo Federal, colocando-se como alternativa programática ao nosso projeto e organizando as forças sociais que a ele se opõem.”

O debate sobre a aproximação de setores do PSDB com setores do PT em Minas Gerais é um debate nacional e em nada ajuda para a elaboração de uma tática eleitoral a ser aprovada na próxima reunião do Diretório Nacional com base nos pressupostos já definidos em 9 de fevereiro.

A resolução do PT sobre tática eleitoral e política de alianças deverá ser ampla o suficiente para recompor o campo democrático e popular, reconhecer em aliados do centro democrático legitimidade para liderar disputas municipais, mas firme para afastar pragmatismos que matam a política, principalmente quando turvam a nitidez necessária para o combate de 2008 – consolidar no plano municipal conquistas eleitorais, acumulando forças para o desafio de 2010.

Joaquim Soriano é Secretário nacional de Formação Política do PT e dirigente da Democracia Socialista

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