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Assembleia gaúcha lembra e comemora os 50 anos do Movimento da Legalidade

Na tarde desta quarta-feira (24/8), a tribuna da Assembleia Legislativa foi ocupada para lembrar os 12 dias que abalaram o Brasil. A sessão solene deu início oficial à programação comemorativa do cinquentenário do Movimento da Legalidade, promovida conjuntamente pela Assembleia Legislativa e pelo governo do Estado. As atividades relembram o período de 25/8 a 7/9/1961, quando após a renúncia do presidente Jânio Quadros, o então governador do RS, Leonel Brizola, liderou uma campanha para que o vice-presidente eleito, João Goulart (Jango) tomasse posse.

O deputado Raul Pont, professor de História e cientista político, foi o escolhido para representar a bancada petista nas homenagens. “Este é o grande símbolo, a maior homenagem que podemos fazer meio século depois àqueles que, por seu protagonismo, por sua ação, alteraram o rumo dos acontecimentos, o rumo da história. Diante da prepotência, do arbítrio, da força, da aparente maioria que se formava para impor ao país um golpe antidemocrático, homens e mulheres erguem-se para dizer não”, disse.

Durante a fala, Pont destacou os fatos que antecederam e desencadearam a campanha. Antes da eleição de Quadros, o Brasil vinha de um período desenvolvimentista, capitaneado por Juscelino Kubitschek e sua campanha para crescer cinquenta anos em cinco. O deputado destacou que antes deste período, o Brasil viveu o início e o fim da Era Vargas, marcado pelo populismo da figura extremamente carismática de Getúlio. “O suicídio de Vargas não era apenas o epílogo de uma tragédia pessoal, mas a demonstração inequívoca de que a classe dominante brasileira temia a ousadia do projeto nacional e soberano que Getúlio Vargas inaugurara nos anos 30 e retornava com a legitimidade do voto em 1950”, destacou.

A eleição de Jânio Quadros trouxe ao poder um projeto marcado pelo personalismo e moralismo, mas que não contava com uma base partidária sólida. A renúncia de Jânio Quadros gerou a tentativa do comando militar de impedir a posse do vice-presidente João Goulart, que estava em viagem à China. “A desorientação e as contradições do curto período janista só aguçam a radicalização da crise de rumos que o país vivia. A figura personalista, autoritária, eleita pelo udenismo e por uma campanha moralista não combinava com um país que se descobria no cinema novo, na bossa nova, no Teatro Opinião e nos Centros Populares de Cultura da UNE”, pontuou Pont.

O deputado destacou que, apesar de outras manifestações terem acontecido na época, foi no Rio Grande do Sul, através de Leonel Brizola, que a luta pela legalidade constitucional foi determinante. “No parlamento, nos movimentos sociais e até entre os militares ouve-se a voz de condena à agressão à Democracia. Brizola sabia que não ficaria isolado e assumiu sua responsabilidade histórica, demonstrando o papel e a importância do protagonismo para mudar o rumo dos acontecimentos. Nossa homenagem e respeito ao governador Brizola e aos companheiros que pelo gesto imantaram milhares de brasileiros e brasileiras que saíram às ruas para a defesa da legalidade”, salienta.

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