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Bancários, petroleiros e metalúrgicos lutam por melhores condições de trabalho

Trabalhadores de luta. Outras categorias, como petroleiros, também ameaçam parar.

Bancários enfrentam greve de longa duração

A campanha salarial dos bancários resultou numa greve em que trabalhadores de todo o Brasil pararam reivindicando 25% de reajuste (composto por reposição da inflação e aumento real de 17,68%) e participação nos lucros. Para os bancos públicos – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BASA e BNB –, foram criadas mesas de negociação para discutir temas específicos, como plano de cargos e salários, isonomia salarial e planos de saúde, debates que vinham congelados desde o período Collor. A paralisação contava com alta adesão, principalmente nos bancos públicos, e já durava 23 dias até o fechamento desta edição.

A Confederação Nacional dos Bancários (CNB) salienta que o lucro dos bancos têm crescido nos últimos anos. Apenas no último semestre, o Banco do Brasil lucrou 1 bilhão e 200 milhões de reais. Em 2003, o Itaú alcançou 1 bilhão e 600 milhões de reais de lucro. Do lado dos banqueiros, a contraproposta apresentada pela Fenaban previa reajuste de 8,5% e adicional de 30 reais para os que recebem até 1500 reais. O Banco do Brasil aceitou estender o adicional de 30 reais para todos os trabalhadores, independentemente de teto.

 

DF - BANCARIOS/GREVE - ECONOMIA - Faixas da greve dos bancários em frente a uma das agências do Banco do Brasil, no Setor de Autarquias Sul, em Brasília, nesta sexta-feira.  08/10/2004 - Foto: DIDA SAMPAIO/AGÊNCIA ESTADO/AE
Braços Cruzados. Bancários fazem piqueteem frente a agência do Banco do Brasil, em Brasília

Descontentamento

No dia 14 de setembro, a proposta foi avaliada pela Executiva Nacional dos Bancários, que reúne 11 federações, e aprovada por sete votos a quatro. As federações que votaram contra a proposta foram as do Rio Grande do Sul, da Bahia e Sergipe, de Santa Catarina e do Rio de Janeiro. 99% das assembléias de base seguiram o mesmo caminho dessas quatro federações e rejeitaram a proposição. Logo no dia seguinte iniciou-se o movimento de greve em quatro capitais, tendo os outros estados aderido a partir do dia 16.

Segundo Milton Rezende, vice-presidente da CNB, por parte de setores do governo e da administração dos bancos públicos pôde-se notar a postura firme em derrotar a greve, seja impondo um reajuste que as assembléias já rejeitaram, seja com o uso de aparato policial. “Há um grande desgaste do governo Lula na base bancária. A equipe econômica vem impedindo qualquer contra-proposta, e isso tem gerado uma radicalização do movimento”, afirma Rezende.

Outras categorias

Os petroleiros, que têm data-base em setembro, tiveram uma rodada de negociações na primeira quinzena de setembro, após a entrega da pauta à direção da empresa. No dia 20 de setembro, a Petrobras apresentou à direção da FUP – Federação Única dos Petroleiros sua contraproposta, atendendo apenas à reposição pelo ICV-Dieese de 7,81% e a manutenção das demais cláusulas.

A empresa não atendeu às reivindicações de aumento real de 5%, anuênio para os novos trabalhadores, resolução das pendências relativas ao fundo de pensão Petros, Segurança e Saúde e sobre a implantação das OLTs, entre outras. A FUP indicou aos Sindicatos de Petroleiros a realização de assembléias para rejeitar a contraproposta apresentada pela empresa e a aprovar o estado de greve e paralisações pipocas caso a Petrobrás não atenda às reivindicações da categoria.

Os metalúrgicos do ABC já fecharam 52 acordos. Lá, a negociação não é unificada, sendo organizada por grupos de empresas. Em média, os trabalhadores têm obtido reajustes entre 9 e 10%, índices portanto acima da perda da inflação. Outra vitória foi a unificação das datas-base dos diversos grupos para setembro, fortalecendo as próximas negociações.


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