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Desenvolvimento com sustentabilidade

Temos pela primeira vez a possibilidade histórica de conquistar um Brasil sustentável. Os movimentos sociais apostam nisso.

JOÃO PEDRO STÉDILE, TEMÍSTOCLES MARCELOS NETO e PEDRO IVO BATISTA

O DEBATE de fundo nesses últimos meses que antecederam o segundo mandato do presidente Lula tem se referido ao modelo de desenvolvimento a ser perseguido no próximo período.

Inicialmente, é importante ressaltar que o ambiente que proporcionou a vitória no segundo turno foi o da afirmação de dois campos políticos em disputa. Por um lado, a candidatura Lula, que sustentou o combate ao neoliberalismo e a necessidade da retomada do crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social. Do outro lado, o PSDB-PFL defendendo o neoliberalismo puro.

Assim, a vitória do presidente Lula deixou claro que se abriu uma nova conjuntura política no país e que a sociedade, tendo os movimentos sociais à frente, querem mudanças nos rumos da política econômica e aprofundamento de políticas públicas que possam avançar na inclusão social e em um novo modelo de desenvolvimento. Nesse sentido, nos somamos, como movimentos sociais, como central sindical, como Via Campesina, com aqueles que reivindicam as transformações necessárias.

Mais além de ajustes na política econômica, com a redução do elevado superávit primário e a alocação de recursos nas áreas sociais, precisamos debater um novo projeto para o país, que atenda as necessidades da maioria do povo. Os problemas do povo são claros, precisamos de trabalho para todos, distribuir renda, terra, moradia e educação. Um projeto que seja responsável e sustentável social e ambientalmente.

Propomos então desenvolver com sustentabilidade. Isso significa que não queremos um crescimento econômico falacioso, que beneficie somente as classes dominantes, ou um “desenvolvimentismo” que desconsidere o meio ambiente. A discussão de setores que apenas querem ganhar dinheiro sonha com obras, hidrelétricas, sem medir custos sociais e ambientais -que serão arcados por toda a sociedade, enquanto eles ficam com as margens de lucro.

Precisamos repensar o modelo agrícola baseado em técnicas predatórias irresponsáveis, que produzem alimentos com agrotóxicos e com alto custo ambiental. Precisamos de um novo modelo de energia, que seja sustentável e renovável.

Investimentos irresponsáveis já têm levado o nosso planeta a pagar um preço alto. Basta lembrarmos as mudanças climáticas e seus impactos sem precedentes.

Não! O Brasil pode afirmar que um outro mundo é possível. Nossa diversidade biológica, cultural e étnica pode nos dar as condições objetivas para construirmos um novo modelo de desenvolvimento.
Podemos criar um amplo mercado de massas, alicerçado em uma soberania alimentar, em uma agricultura ecológica e em uma indústria voltada para os interesses nacionais, incluindo as comunidades tradicionais, os sem-terra, os indígenas e as populações locais na construção desse novo modelo produtivo.

Devemos também observar as diferenças regionais, desde o respeito aos ecossistemas locais até as culturas populares, proporcionando o desenvolvimento local sustentável. Podemos dar continuidade e aprofundar a nossa política internacional autônoma, reforçando nossas relações sociais e culturais, e não somente comerciais, com outros países irmãos das Américas e de outros continentes ante o império dos Estados Unidos.

Enfim, temos pela primeira vez a possibilidade histórica de conquistar um Brasil sustentável. Os movimentos sociais apostam nesse processo. Cabe ao presidente fazer sua escolha.

Oxalá o nosso presidente inaugure uma nova etapa de seu governo aprofundando sua relação com o povo e busque uma nação democrática, sustentável e soberana.

JOÃO PEDRO STÉDILE , 51, economista, é membro da direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da Via Campesina.
TEMÍSTOCLES MARCELOS NETO , 39, sindicalista, é membro da executiva nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
PEDRO IVO BATISTA é membro da Coordenação da Rede Brasileira de Ecossocialismo.

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