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Dilma: “Ouvimos as ruas porque nós viemos das ruas”

892018Carta da presidenta Dilma Roussef ao Diretório Nacional do PT, que se reuniu no último sábado (20).

 

Caro presidente Rui Falcão, Caros Dirigentes, Cara Militância,

Temos vivido um intenso e rico processo político que mudou profundamente o Brasil, nesses últimos 10 anos. Um processo que nos enche de orgulho e de esperança de dias ainda melhores para o povo brasileiro.

Participei, junto com nosso presidente de honra, Lula, de todos os grandes encontros nacionais do partido para avaliação dessa década que transformou o país. Debatemos juntos os temas estratégicos para o futuro do Brasil que estamos construindo. Um Brasil muito mais forte, justo e soberano. Nos empenhamos coletivamente no desenho das iniciativas capazes de consolidar e aprofundar as mudanças que esse novo Brasil exige e merece.

Ao longo de todos esses anos, superamos juntos, sempre unidos, os grandes desafios de governar este país complexo, diverso e maravilhoso.

No entanto, vivemos agora um novo desafio histórico. O desafio de acolher e atender as reivindicações e os anseios que surgiram nas nossas ruas. Ao promover ascensão social e superar a extrema pobreza, como estamos fazendo, criamos um imenso contingente de cidadãos com melhores condições de vida, maior acesso à informação e mais consciência dos seus direitos. Um cidadão com novas vontades, novos desejos e novas demandas.

As manifestações são parte indissociável do nosso processo de ascensão social. Não pediram a volta ao passado. Pediram sim o avanço para um futuro de mais direitos, mais democracia, e mais conquistas sociais.

Exigiram avanços e floresceram justamente em meio a um processo de mudanças que está em andamento, há uma década no país.

Pois foi nessa década que houve a maior redução de desigualdade nos últimos 50 anos. Foi nesta década que criamos um sistema de proteção social que nos permitiu praticamente superar a extrema pobreza.

Que criamos quase 20 milhões de empregos com carteira assinada, o que nos colocou em situação próxima ao pleno emprego.

Que nos tornamos a sexta maior economia do mundo. Que conquistamos a estabilidade macroeconômica.

Nós fizemos o mais urgente e o mais necessário para o nosso momento histórico, mas agora somos cobrados a fazer ainda mais.

Democracia gera desejo de mais democracia. Inclusão provoca cobrança de mais inclusão. Qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida.

Para nós, todos os avanços conquistados são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento exige mais, tal como querem todos os brasileiros e as brasileiras, seja os que foram às ruas, seja os que não foram.

Exigem de nós a aceleração e o aprofundamento das mudanças que iniciamos há 10 anos. Questionam, sobretudo, os limites e os graves problemas da nossa democracia representativa. Eles querem um novo sistema político, mais transparente, mais oxigenado e mais aberto à participação popular, que só a Reforma Política balizada pela opinião pública das ruas, por meio de um plebiscito, poderia criar.

Mais do que tudo, eles querem ser ouvidos e participar.

Desde o início, eu ouvi. Nós ouvimos. Ouvimos as ruas porque nós viemos das ruas. Nos formamos no cotidiano das grandes lutas do Brasil. A rua é o nosso chão, a nossa base.

Mas não basta ouvir, é necessário fazer. Transformar essa extraordinária energia em realização para todos.

Por isso, lancei cinco grandes pactos: o pacto pela Responsabilidade Fiscal, para garantir a exequibilidade dessa nova etapa; o pacto pelo Combate à Corrupção e pela Reforma Política, que constitui o cerne das reivindicações dos movimentos; o pacto pela Mobilidade Urbana, pela melhoria do transporte público e por uma reforma urbana; o pacto pela Educação, nosso grande passaporte para o futuro, com o auxílio dos royalties do petróleo, e o pacto pela Saúde, o qual prevê o envio de médicos para atender e salvar as vidas dos brasileiros que vivem nos rincões mais remotos e pobres do país, entre outras medidas.

Estamos trabalhando duro para atender as justas reivindicações que vêm das ruas. Temos conversado com todos. Recebemos os movimentos do Passe Livre, as centrais sindicais, o LGBT, as igrejas e religiões, os sem terra, os indígenas e a juventude. Conversei longamente com governadores e prefeitos. Recebi representantes de todos os partidos. Recebi nossa aguerrida bancada no Congresso Nacional. Hoje mesmo tive um belo encontro com representantes dos movimentos dos negros brasileiros.

E, em todo esse processo, o PT é fundamental. A experiência na construção de um partido de massas, fincado nas ruas do Brasil, é a grande inspiração para superar esse novo e gigantesco desafio. Sei que podemos contar com o nosso partido para acolher essa energia renovadora que vem das ruas e impulsioná-la para revolucionar o Brasil e sua democracia.

Não haverá, tenho certeza, um Brasil efetivamente novo sem a presença transformadora do PT.

Mas, infelizmente, não poderei estar presente nesse importante encontro. Não poderei estar perto de vocês, como desejo. A vinda do Papa Francisco, que está tão próxima, me impõe deveres aos quais não posso faltar. O Encontro da Juventude Católica, que congregará milhares de jovens de todo o mundo, demanda organização e segurança e compromisso de todo o governo.

Contudo, acompanharei atentamente tudo o que for feito. Tenho certeza que nosso governo colherá os frutos do que vocês aqui plantarem.

Juntos eu, Lula e vocês, ouvindo as ruas, como sempre fizemos, continuaremos a construir um Brasil melhor, muito melhor. Nós apenas começamos. Afinal, o Brasil com que as ruas sonham é o Brasil com que sempre sonhamos. Um Brasil de todos, para todos e construído por todos os brasileiros.

Um grande e fraterno abraço,

Dilma Roussef

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