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‘É como se não conseguíssemos acordar de um pesadelo’

A primeira entrevista da professora Margarida Salomão, candidata do PT à Prefeitura de Juiz de Fora/MG, depois das eleições, foi concedida após a abertura da Conferência Estadual da Democracia Socialista. Lá, a mesa foi composta pela professora, pelo deputado federal Gilmar Machado e pelo ministro Patrus Ananias. Para ela, a falta de uma auditagem pública, que permita a sociedade conhecer as dimensões da falência dos cofres municipais e participar das soluções, denuncia déficit de transparência e protagonismo na Gestão Custódio Mattos. Leia aqui a entrevista, concedida ao site do PT de Juiz de Fora.

A senhora disse no final das eleições de 2008: “nós perdemos, porque escolhemos como ganhar”. A frase teve grande repercussão, foi veiculada pela imprensa local e hoje é reproduzida pelos que partilharam o sentimento de mudança naqueles meses de campanha. Como a senhora escolheu continuar?

(Margarida) Eu escolhi continuar fazendo militância dentro do Partido. Eu não sou uma lutadora solitária, entre as minhas escolhas, está a escolha da militância pela via partidária.  Então, eu tenho participado do esforço que o PT vem fazendo de uma forma pública, através de sua bancada de vereadores, de oferecer resistência aos rumos ou à falta de rumos que nós observamos nessa inauguração do governo de Custódio de Mattos.

Como a senhora avalia estes cinco meses da administração Custódio Mattos?

(Margarida) A Gestão Custódio é marcada por sucessivos desapontamentos que retrocedem já à campanha. A profissionalização em larga escala da maledicência, depreciando a cidadania: atores disfarçados de cidadãos, que agora são premiados com recursos públicos, já que ocupam cargos de confiança, cruzem a prestação de contas da campanha com os Atos do Governo. Ataques às populações com maior insegurança social, os mais pobres, os mais ameaçados. Vítimas de campanhas caluniosas ou suprimidos em seu direito à dissidência pela sua contratação como cabos eleitorais. Mobilização obscurantista dos preconceitos da população com a instrumentalização do COMPAS e o desrespeito ao voto evangélico, atitude ratificada naquela patética reportagem da Tribuna sobre a “cidade de Jesus”.

Já no governo, outra decepção. A escalação de um time fraquíssimo, nos quais relevam como exceções no máximo uns três nomes já provados tecnicamente. O resto é um bando de desconhecidos, de cabos eleitorais, de cupinchas, pessoas sem expressão a não ser como credores de serviços eleitorais. Isso espanta numa cidade economicamente empobrecida mas, de todo modo, rica em recursos humanos. Talvez por isso a inauguração do governo Custódio esteja entre as mais inexistentes na história dos últimos governos municipais. Pelo menos na história recente. Quer dizer, desde o primeiro governo Itamar Franco. E não se pode dizer que este período que eu estou considerando tenha sido um período sem crises ou sem dificuldades na história da cidade e na história do Brasil. Portanto atribuir à crise a desculpa para tudo não funciona. Afinal não foi a crise que escalou este Secretariado.

Um outro ponto profundamente desapontador tendo em vista as expectativas construídas é o vínculo de continuidade com o governo Bejani. Pela tempestade de informações preocupantes nos últimos doze meses, o mínimo que se esperaria é uma grande auditoria pública da situação da Prefeitura, com a formação de uma comissão paritária do Executivo com o Legislativo e ampla participação da sociedade civil. Aí sim: nós todos saberíamos o tamanho do rombo e poderíamos construir juntos as rotas de saída. Mas não é o que se vê, inclusive com o Prefeito poupando contratos como o do aterro sanitário, lavrados em condições controvertidas desde a origem. Talvez, isso não seja de todo surpreendente, se consideramos a forte presença de secretários da administração Bejani mantidos em cargos chave da atual administração. Chega a ser engraçado ver os parteiros do caos falando em Juiz de Fora “eficiente”. Seria esta a “experiência”que o candidato Custódio mencionava como seu diferencial na campanha eleitoral?

Lamento também a falta de discussão do “hospital na Zona Norte”. Alertei na campanha que a proposta tucana não contemplava as reivindicações da Zona Norte da cidade. O Custódio respondeu naquela oportunidade que meu argumento era mera “questão de preposições”. Agora, vamos, ao invés discutir posições: a localização do hospital, seu projeto que vai sendo feito a toque de caixa e sem debate nem com os profissionais e nem com os usuários, sua licitação. Temo que estejamos nos encaminhando para mais um investimento equivocado. Como a Mercedes. Uma coisa errada já na gestação e, depois, quase impossível de consertar.

Lamento, cinco meses passados, fazer uma avaliação tão deprimente do governo municipal. Como cidadã de Juiz de Fora, como militante na cena pública, preferia que estivesse hoje falando a partir de um acúmulo mais positivo. Isso não apagaria nossas diferenças, mas permitiria que nós estivéssemos tratando de uma agenda nova. Hoje, cinco meses passados da inauguração do governo Custódio, é como se não tivesse acontecido nada. E, todos sabemos que quando o tempo não passa é como se não conseguíssemos acordar de um pesadelo.

A suspensão de programas sociais é medida cabível para suavizar a crise dos cofres da prefeitura?

(Margarida) Essa é uma das maiores tragédias. É impossível associar a suspensão dos projetos sociais a qualquer tipo de diminuição de despesas, até porque são programas baratos. Parte deles é realizada com discursos de convênio. Lamento o desmonte dos programas sociais da Prefeitura.

Eu penso que ali aconteceu, com a visita daquele meteórico ex-Secretário de Assistência Social, o estabelecimento de uma falsa dicotomia: ou se tem a implantação da LOAS, com o fortalecimento dos CRASS, ou se tem o “Trilhos da paz”, o “Arte nos Bairros”, o “Bom de Bola”, programas em que a sociedade é protagonista. Perguntem a quem trabalha com a população nos bairros se isso é possível. Perguntem ao Negro Bússola lá no Ipiranga sobre o impacto da Casa de Cultura na vida dos jovens, das crianças, das mulheres para saber se a arrogância tecnocrática tem onde se sustentar. Perguntem à nossa brava companheira Ademilde sobre o impacto da rádio comunitária no Santa Cândida. Perguntem aos movimentos sociais, especialmente aqueles que se orgulham de sua raiz afro, se é assim que a banda toca. É isso que nós queremos: políticas de assistência em que a população seja “alvo”, ao invés de ser sujeito? Um profundo equívoco fundado, entretanto, numa ideologia conservadora travestida de tecniquês. Isso numa cidade cujo curso de Serviço Social já foi avaliado pelo MEC, há três anos atrás,  como o melhor do Brasil. Por que precisamos de curiosos se a cidade sobra de competência na área?

Qual a sua opinião sobre a greve dos professores?

(Margarida) De uma forma geral, a maneira como a administração municipal vem lidando com os trabalhadores, é lamentável.

Em primeiro lugar, não creio que, durante a campanha, seja só eu que tenha recebido uma pilha de dossiês com diagnósticos e reivindicações para serem contempladas das várias categorias que formam o funcionalismo municipal. A administração Custódio Mattos tem uma postura negligente com a máquina pública e absolutamente desrespeitosa com o funcionalismo municipal.

Em segundo lugar, não entendo que não se reponha a inflação quando o Orçamento deste ano contempla estes recursos em lei votada. Não entendo que não se dialogue seriamente com as categorias profissionais que compõem o serviço público municipal a respeito de suas demandas tópicas vocalizadas profusamente já no período da campanha.

Por último, a falta de diálogo, ou melhor, o diálogo abriu-se sim, e vai ser zero.

Com relação aos professores, eu não entendo mesmo. Não entendo porque a secretária de educação que, na sua história pessoal já participou de comandos de greve que reclamavam interlocução direta com o Ministro da Educação da época, não recebe o sindicato dos professores e não participa da negociação para o esclarecimento da situação e a superação do impasse.

Em recente reportagem do jornal Valor Econômico, a cidade ganhou a manchete “O lento declínio de Juiz de Fora”.  A matéria aponta, como fator importante da crise do município, a concorrência do estado do Rio: “a cidade perde negócios por carências de infraestrutura e, nos últimos três anos, por incentivos fiscais agressivos do vizinho estado do Rio”. Na sua avaliação, como se deu o “lento declínio de Juiz de Fora”?

(Margarida) O lento declínio de Juiz de Fora é bem estudado pelos nossos historiadores, pelos nossos economistas, você vai vendo um esvaziamento da região como prioridade de investimento tanto do governo municipal, como do estadual e do federal. É muito difícil você ter numa região, que Juiz de Fora polariza, uma retomada sem investimentos públicos.

Ontem escutei o deputado federal Gilmar Machado mencionar uma lista de investimentos federais no Triângulo, certamente uma das regiões mais ricas de Minas Gerais. A região da Mata, polarizada por Juiz de fora, não tem há décadas, nenhum investimento considerável. O único investimento federal significativo na região é via universidades federais.  De fato, um investimento importante feito agora pelo governo Lula.  As universidades também estavam num regime de penúria, mas no segundo governo Lula, elas vão sendo objetos de uma bonança. Então, você tem investimento vigoroso na Zona da Mata através da Federal de Juiz de Fora, Viçosa, Lavras, da Funrei.

Mas investimento federal que mudasse rumos, que por exemplo, viabilizasse o aeroporto, aquele elefante branco, ou o Conex, não tem. Não há investimentos que mudem o padrão econômico da cidade.

Não tem inclusive por conta da falta de responsabilidade da expressão política. O atual prefeito era deputado federal: é possível vinculá-lo a algum esforço no sentido de vinda de um grande projeto ou investimento federal ou estadual para Juiz de Fora? Digamos ainda, que por alguma razão de arestagem partidária, ele não tivesse facilidade de buscar recursos federais, embora isso não seja desculpa porque o governo Lula tem sido absolutamente republicano na alocação, por exemplo, de programas do PAC. E com relação ao governo estadual? Afinal de contas o governo estadual tinha, até recentemente, dois secretários de estado, ambos parlamentares eleitos, com base em Juiz de Fora, um era o atual prefeito da cidade o outro era secretário de saúde. Não venhamos tapar o sol com a peneira. As duas policlínicas, de São Pedro e de Santa Luzia, que estão supostamente prontas, por falta de empenho do governo do estado, não funcionam. Em muito, as duas policlínicas contribuiriam para o desafogamento do HPS. É fato que o governo Aécio vive de costas para a Zona da Mata e para Juiz de Fora.

Há um déficit de transparência, há um déficit de protagonismo diante de uma situação sabidamente difícil. A cidade está perdendo empregos industriais. Li hoje pela manhã no jornal que a Mercedes está concedendo ociosidade remunerada a 900 trabalhadores. A Prefeitura é absolutamente indiferente, absolutamente inerte. Como se esta gestão, inclusive, não tivesse no seu passado a responsabilidade de ter trazido a Mercedes para a cidade com um grande comprometimento de recursos fiscais. Quando se discute guerra fiscal é preciso fazer isso de uma forma orgânica, transparente, sempre com grande discussão. Uma grande convocação da sociedade é atitude necessária nesse momento. Convocar trabalhadores, que tem reflexão sobre a situação econômica de Juiz de Fora, em muitos casos, superior a de professores da Universidade, até porque eles vivem o problema diretamente, sem nenhum tipo de armadura. Convocar empresários da cidade. Conversei com muitos durante a campanha, e tive a oportunidade de escutar idéias criativas até para questões importantes como a retomada do desenvolvimento agropecuário da cidade.

A indiferença dos governos municipais nas últimas gestões, sua inapetência em travar esta discussão com os trabalhadores e com os empresários e, na seqüência, adotar uma política de reversão desta situação, altamente negativa, é fortemente responsável pelo quadro presente de desalento, de falta de trabalho, de decadência

Os investimentos na Universidade são importantes demais.  Eu considero, e disse isso durante muito tempo, enquanto reitora, a Universidade responsável pelo ingresso de recursos a fundo perdido na cidade. Mas ela sozinha não vai tocar, ela não vai mudar o panorama. E eu sei disso também.

A reportagem menciona indicadores macroeconômicos alarmantes para a Região da Zona da Mata. De 1999 à 2005, o Produto Interno Bruto (PIB) real de Juiz de Fora cresceu apenas 3.9%. A Zona da Mata, no mesmo período quando dela se exclui Juiz de Fora, cresceu 12,9%. Enquanto o de Minas avançou 22% e o brasileiro 30%. Quais são as demandas da Zona da Mata? Quais alternativas a senhora apontaria para a região?

(Margarida) O primeiro problema que deveria ser colocado é o de logística. É impossível ter negócios na região com o estrangulamento que nós temos na área de transporte.  Um, a questão da saída da Zona da Mata. A produção industrial de Ubá, por exemplo,  escoar através do trânsito urbano de Juiz de Fora é incompreensível. Dois, o aeroporto. Como se quer fazer negócio numa cidade onde você não consegue chegar? Inacreditável nessa altura do campeonato.

Isto feito, eu acho que estaríamos criando um ambiente de negócios. Você tem a questão viária como um estrangulamento real. Nós temos, inclusive, força de trabalho qualificada na região, isso não é um estrangulamento. Estrangulamento é condições de negócios. Condições de negócio para atrair capital.

Temos também a chamada economia invisível. Por exemplo, as pequenas empresas têxteis de Juiz de fora e indústrias de confecção de pequenas cidades adjacentes. Esses empreendimentos deveriam ser alvos de programas de qualidade e de imagem que permitissem que nós, inclusive disputássemos mercado internacional. Hoje não temos condições de pensar em termos de mercado sem competição e sem uma abertura para exportação.

Outra coisa a ser feita é a retomada da região do ponto de vista agropecuário. Fomos uma potência no fim do século XIX e princípio do século XX e hoje estamos rigorosamente abandonados. Ou via reflorestamento, que é uma hipótese. Ou via da melhoria da pecuária leiteira, tradicional na região. Ou via exploração de novas culturas, mas é claro que serão necessários recursos para iniciar este processo.  Nós discutimos muito isso durante a campanha. Eu conversei com todos os principais agentes econômicos da região e as idéias eram muito boas. Então, eu acho que está faltando liderança.

No caso da Prefeitura Custódio Mattos, não existe uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico.  É como se esta área estivesse muito bem resolvida. Quando ela na verdade, como está claro na reportagem, é uma área crítica, que deveria ser abordada prioritariamente. E você não aborda nada prioritariamente se não existe estrutura de governo dedicada. O encolhimento da ambição está presente até na cartografia institucional, na projeção política da prefeitura em que não há nenhum tipo de priorização dessa área.

O que o propagado e alardeado “choque de gestão” do tucano Aécio Neves esconde?

(Margarida) Esconde serviços miseráveis na área de saúde e na área de educação. Outro dia vi um panfleto publicitário do Secretário de Saúde do estado dizendo que ele havia transferido durante esses anos todos em que ocupou a pasta, afinal estamos no sétimo ano do seu secretariado, R$ 93 milhões para Juiz de fora, dos quais R$1,2 milhões em medicamentos para o hospital. Medicamentos? Isso é investimento? Primeiro, é obrigação do estado contribuir com medicação, coisa que também não é feita de uma forma regular e essa é uma das razões para haver um déficit crônico de medicamentos. Segundo, com a sub-remuneração dos quadros profissionais, o Aécio fez no estado o que o Fernando Henrique fez na federação. Ele produziu uma erosão da máquina do estado. Você vê hoje o tipo de remuneração que é recebida pelo magistério, é indigno. Você não atrai quadros novos.

O “choque de gestão” foi na verdade um processo de destruição do equipamento de estado de Minas Gerais. Vai ficar muito caro para o próximo governador restabelecer Minas Gerais, que acabou sendo também uma responsabilidade do Lula. O Lula vem fazendo uma reconstrução do estado, uma reconstrução republicana, com concursos públicos abertos, agregando novas competências e priorizando as áreas estratégicas.

A publicidade do governo Aécio esconde a sua inoperância, do ponto de vista dos seus resultados, esconde o seu desrespeito aos movimentos sociais, esconde a sua política definitivamente conservadora e neoliberal frente ao estado de Minas Gerais.  E na verdade, essa inação para nós está latente, não é uma coisa que precisamos investigar. A falta de presença do governo Aécio Neves em Juiz de Fora e na Zona da mata não há propaganda na televisão ou no rádio, ou o silêncio, ou coros contentes remunerados da imprensa que possam esconder. Me diga uma grande obra do Aécio na região? Não tem.

Me diga uma grande obra do Aécio em Juiz de Fora? Não tem. Agora, nós tivemos a inauguração do Palácio da Saúde, que há dois anos vem sendo reformado. Para não oferecer nenhum impacto na conta. Aquilo ali é o Palácio da Burocracia da Saúde. Os usuários continuam com as dificuldades. Tudo do mesmo jeito. Eu tenho conversado com muita gente, e as pessoas estão profundamente mal satisfeitas, muito angustiadas, muito decepcionadas. Imaginava-se que aquele esforço brutal para ganhar as eleições em Juiz de Fora corresponderia a uma ação de muita intensidade e visibilidade. É muito frustrante para todos nós.

Qual discurso deve ser adotado pelo PT mineiro nas eleições de 2010?

(Margarida) Anti-Aécio. Denunciando essa grande mentira midiática de oito anos. Esse antagonismo ao Aécio tem que ser ideologizado. Porque o Aécio representa os dois pólos extremos do erro. De um lado ele é um neoliberal ideológico, o que o vice-governador Anastasia representa é exatamente essa idéia da reforma thatcheriana, da diminuição dos postos de trabalho, da redução dos serviços públicos. De outro lado, o coronelismo e as práticas políticas mais atrasadas. O Aécio representa essa mistura fatal do neoliberalismo com o coronelismo que o torna um neocoronel. É nesse sentido que ele tem que ser denunciado.

Mas não basta simplesmente antagonizá-lo. A imprensa trata disso: “não, ele poderia ser uma alternativa para o PT se a Dilma não recuperar. Quem sabe o Lula poderia buscar uma solução como essa, porque o Lula possuiu uma boa relação de convivência com o Aécio”. Convivência é uma questão de cortesia que todos os atores devem manter entre si, outra coisa é saber quem está em que lugar e desempenhando qual papel.  E eu acho o papel do Aécio em Minas Gerais, nefasto. Até por conta desse emparedamento da liberdade de opinião, por essa mentira reproduzida tantas vezes que parece até verdade.

Eu acho que este é o discurso do PT, um discurso de denúncia combinado com o oferecimento de alternativa. Uma alternativa que a partir de um planejamento participativo nas regiões, como o ministro Patrus falou ontem na abertura da Conferência Estadual da Democracia Socialista, para que também não fiquemos à mercê do centro de Minas, de Belo Horizonte. É necessário ter projetos regionais com base nas bacias hidrográficas, como unidades territoriais. De todo modo, é preciso que a sociedade, hoje silenciosa e silenciada, seja chamada para acordar Minas Gerais. E nós, depois de tantos anos, virmos a ter um governo popular, comprometido com os pobres, que pratique a democracia.

E o nome?

(Margarida) O nome é o Patrus. Sobre isso não resta dúvidas. Estamos construindo essa discussão desde o ano passado. Vai ser muito frustrante fazermos a campanha de 2010 sem ter o Patrus candidato a governador.

Há grande expectativa em relação ao seu futuro político. Quais são seus planos políticos?

(Margarida) Meus planos políticos estão sendo construídos dentro do Partido, como falei. Eu não sou nem zorra, nem tonta. Eu não tenho disposição de ser uma combatente solitária, fora de partido, nada disso. Minha militância dentro do Partido vai, provavelmente, desembocar numa candidatura à Deputada Federal. É uma forma de capitalizarmos essa discussão e o desejo de mudança que foi expresso pela quantidade admirável de votos, tendo em vista o desempenho do Partido em outras eleições.

E isso, eu devo dizer, vem sendo conversado na Zona da Mata, nas cidades vizinhas de Juiz de Fora. Há uma vontade muito grande de mudança. Tornar essa vontade majoritária ou hegemônica é um desafio. Mas que ela existe, ela existe. Ela é poderosa e necessita de expressão na sociedade. Nesse sentido, nós caminhamos para construirmos essa candidatura. E eu espero que ano que vem nós possamos fazer uma campanha bonita como fizemos no ano passado

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