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Em defesa da democracia e de nossos direitos. Liberdade para Lula | Estêvão Finger da Costa

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Vive-se, sem dúvida alguma, mais uma fase do golpe em nosso país, desde o impeachment da presidenta Dilma (legitimamente eleita pelo povo brasileiro), o qual se iniciou quando a direita – representada eleitoralmente por Aécio Neves (PSDB) – foi derrotada nas urnas em 2014. Como consequências imediatas do impedimento da ex-presidenta, teve-se a aprovação da antirreforma trabalhista – duramente combatida pelo movimento sindical e movimentos sociais – a tentativa de aprovação da antirreforma da previdência.

Direitos conquistados arduamente – por meio de muita luta e sangue – estão se esvaindo, pelas mãos do governo ilegítimo e golpista do Michel Temer (MDB). Não somente isso, mas se concretizam, ainda, muitos retrocessos em políticas sociais, tão importantes para o povo brasileiro, como o “novo sistema de saúde” (tendo como expoente a Federação Brasileira de Planos de Saúde – FEBRAPLAN), o qual o governo Temer está querendo propor, com completa descaracterização do sistema público e gratuito, abrindo as fronteiras à iniciativa privada e para planos populares de saúde. Agora, está ocorrendo mais uma etapa do golpe, com a prisão política do ex-presidente Lula.

Por quais motivos se caracteriza uma prisão política? Porque o ex-presidente foi duramente perseguido e acusado sem provas; não teve o direito constitucional de recorrer em liberdade, em uma contundente violação à Constituição Federal, e existe uma notável parcialidade por parte do judiciário e da grande mídia. A intenção, sem nenhum escrúpulo, é exterminar com o maior líder popular da esquerda brasileira e um dos maiores do mundo, que se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, como o próprio ex-presidente discursou não se pode acabar com uma ideia, simplesmente porque Lula é uma ideia concretizada em ações para os mais pobres em nosso país.

Alguns dos muitos avanços nos seus governos foram o aumento do número de universidades, programas como ProUni (que facilita acesso ao ensino universitário), de habitação popular, saneamento, luz para todos/as, melhorias na saúde (como exemplo, diminuição drástica da mortalidade infantil), entre tantos outros. Também, se tirou o Brasil do mapa da fome mundial, e isso é muito significativo. Porém, a mídia tradicional, como a Rede Globo – representante do capital e inimiga da sociedade – dedica espaços homéricos de tempo para difamar o preso político Lula, e os grandes empresários detentores dos meios de comunicação são os grandes responsáveis pelas ondas fascistas e de ódio dos últimos tempos no Brasil. O judiciário, também, sentencia o golpe e suas consequências quando nega o direito de estar em liberdade para recorrer.

Portanto, tudo o que está ocorrendo em nosso país é decorrência de um jogo orquestrado pelo parlamento e seus representantes neoliberais, pela grande mídia, pelo judiciário (tendo como principal ícone o parcial juiz Sergio Moro) e, alimentado, por uma crescente massa fascista induzida por grupos como Movimento Brasil Livre (MBL). Lula, no entanto, é maior do que isso. Sua história comprovou, quando, ao final de seu memorável discurso antes de se entregar a Polícia federal, saiu carregado pelos braços do povo, em uma imagem que percorreu o mundo.

Não podemos perder de vista que um dos focos principais do golpe, indubitavelmente, é a retirada de direitos, o aniquilamento de políticas públicas importantes (como saúde e educação, habitação, cultura, etc.) e o aprisionamento de um projeto político de esquerda, tão essencial para o povo. Projeto, este, que beneficiou milhares de brasileiras e de brasileiros quando os governos populares governaram o nosso país. Logo, nos dias atuais, é mais do que necessário ter coragem para se posicionar de forma contundente e explícita frente a todos retrocessos que vem acontecendo no Brasil. Mais do que isso, somar nos atos, manifestações, caravanas, que estão ocorrendo em todo país, em especial em Curitiba próximo à sede da Polícia Federal, onde se encontra o Lula.

A esquerda brasileira precisa se unificar, com urgência, como demonstrou simbolicamente o Lula em seu derradeiro discurso. Precisa-se ter esse projeto único – imediato – de derrota do golpe e reestabelecer o estado democrático de direito em nosso país. O povo necessita ter o direito de escolher em quem votar, resgatar a soberania popular e nacional, e – não tenho dúvidas que – o Lula Livre será o próximo presidente do Brasil.

Estevão Finger da Costa é enfermeiro e militante do Partidos dos Trabalhadores (PT)
Originalmente publicado no Jornal Sul21

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