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Entrevista: Cledisson Junior fala sobre o Ativo de Negras e Negros da DS

171224Entre os dias 10 e 11 de março será realizado o Ativo Nacional de Negros e Negras da DS, em Salvador (BA). O ativo reunirá cerca de 60 militantes negras e negros de todos os estados onde a DS está organizada e que atuam no combate ao racismo e pela promoção da igualdade racial

A realização desse ativo vem coroar um processo iniciado em nossa IX Conferência e aprofundado na X Conferência Nacional da DS, que foi realizada no ano passado e busca contribuir na atualização do programa histórico do Partido dos Trabalhadores sobre o tema.

Para falar um pouco mais sobre o assunto, o portal da DS entrevistou o companheiro Cledisson Junior, membro da Coordenação Nacional da corrente, militante do coletivo Enegrecer e um dos responsáveis pela organização do Ativo. Leia abaixo a entrevista.

Clique aqui para ler o texto-base do Ativo de Negros e Negras da DS

Portal DSQual a sua expectativa em relação à mobilização para o Ativo? 

Cledisson Junior – Há uma expectativa muito positiva quanto a participação da nossa militância no ativo de negras e negros. Esperamos em torno de 60 participantes entre delegadas, delegados além dos convidados e observadores. Os estados responderam prontamente ao chamado da Coordenação Nacional e não tenho dúvidas de que teremos debates bem qualificados.

 

Portal DS Qual a importância do Ativo para a atualização da política antirracista da DS?

CJ – O ativo de negras e negros cumpre um papel singular no processo de formulação da nossa corrente politica. Historicamente no Brasil as forças (marxistas) de emancipação dos trabalhadores/as sempre se referenciaram em formulações e programas importados de outras realidades, que pouco ou nada dialogavam com as demandas históricas da classe trabalhadora brasileira. A partir de Caio Prado Junior (dirigente e teórico comunista) esta dinâmica foi interrompida e passamos a observar as particularidades dos processos históricos de formação de nossa sociedade. Compreendendo a atual fase da luta de classes e os desafios conjunturais apresentados, a Democracia Socialista visa criar um novo referencial a partir do marxismo critico à luta da classe trabalhadora, reconhecendo e elevando a condição central o papel dos negros e negras no processo de construção deste novo período histórico.

 

Portal DS Como você avalia as políticas dos governos do PT de combate à desigualdade racial, através da SEPPIR? Quais os avanços alcançados no Brasil a respeito desse tema?

CJ – A criação da secretaria de políticas para promoção da igualdade racial (SEPPIR) pelo governo Lula, em 2003, é resultado de uma antiga reivindicação do movimento negro que desde a fundação do PT vem contribuindo na sua construção.

Esta secretaria (com status de ministério) tem como atribuição promover a transversalidade na formulação e aplicação de políticas públicas para a população negra nos mais diversos setores do governo federal, isto é, sua atuação não encerra em si mesma.

As ações do PT no governo federal também resultam desta relação de proximidade e referência nos movimentos populares e os avanços obtidos no último período, ainda que de forma incipiente, são reflexos deste processo.

Podemos citar a aprovação do estatuto da igualdade racial que criou um inédito instrumento de salva-guarda de direitos para a população negra, ainda que pese a legitimidade de duras críticas direcionadas ao estatuto por parcela do movimento negro.

As políticas de valorização do salário mínimo que impactaram diretamente a população negra, base da pirâmide socioeconômica brasileira assim como uma política externa que privilegiou a relação com o bloco sul-sul com grande importância dada aos países africanos.

 

Portal DS Qual a importância do debate antirracista no programa da revolução democrática?

CJ – Denominamos revolução democrática o conjunto das transformações em curso no Estado e na sociedade brasileira, fruto das vitórias estratégicas do PT e de seus aliados no governo federal,estas transformações correspondem a um forte compromisso com a radicalização da democracia e empoderamento popular.

A dimensão antirracista é compreendida como elemento central na construção desse novo período histórico, esta compreensão é resultado da apropriação por parte do PT das bandeiras de luta e reivindicações que o movimento negro vem construindo ao longo da historia brasileira e nós estamos falando de mais de 500 anos de historia.

 

Portal DS Em seu último Congresso, o PT aprovou uma mudança estatutária para inserir critérios de representação etnicoraciais nas instâncias de direção do partido. Como você vê esse avanço?

CJ – O PT é reconhecido hoje como o principal instrumento de luta da classe trabalhadora em nosso continente, o nosso partido é referencia para as principais organizações socialistas de todo o mundo, tamanha responsabilidade só poderia vir acompanhada de maturidade política.

Esta maturidade reflete um momento desafiador para a nossa construção partidária, estamos há nove anos na gestão central do país e este desafio vem acompanhando de intensos desgastes e de perda de referência por parte dos movimentos populares a qual sempre tivemos uma relação muito próxima.

Ao fazer uma reflexão a cerca do nosso projeto histórico e dos desafios apresentados pela conjuntura em que estamos inseridos o PT volta seu olhar para a sua base e se compromete por fazê-la representada em seus espaços de direção.

Estamos falando nitidamente de um processo reparatório no sentido de contemplar demandas de setores tão fundamentais para a construção do partido da classe trabalhadora brasileira como são as mulheres, os jovens e os negros e negras.

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