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Evo Morales: “Recuperamos a pátria”

1231433O presidente da Bolívia destacou que a nacionalização dos hidrocarbonetos entre outros setores permitiu ao Estado controlar 34% da economia. Os acertos de seu governo constituem sua melhor vitrine de campanha

Por Sebastián Ochoa Desde La Paz, no Página 12

O presidente Evo Morales apresentou as realizações de sua gestão, que ontem cumpriu oito anos. Falou sobre os bons resultados dos indicadores econômicos e anunciou que o país começará a desenvolver energia atômica com a colaboração de cientista da Argentina e da França. “Agora temos pátria, recuperamos a pátria que antes estava nas mãos dos estrangeiros”, disse o líder aymara em referência à influência política que o governo dos Estados Unidos exerceu durante décadas.

Em outubro desse ano, na Bolívia haverá eleições presidenciais. Se prevê que Morales conseguirá pelo menos 50% dos votos para se assegurar no primeiro turno seu terceiro mandato consecutivo.

“O PIB per capta era 1010 dólares em 2005. O ano passado chegamos a 2794 dólares, é uma mudança profunda”, sublinhou ante a Assembleia Legislativa Plurinacional em seu discurso de quatro horas.

Segundo Morales, o PIB da Bolívia é de 30,7 bilhões de dólares. São 21,2 bilhões a mais que em 2005, quando apenas alcançava os 9,5 bilhões de dólares. O presidente destacou que a nacionalização dos hidrocarbonetos entre outros setores permitiu ao Estado controlar 34% da economia do país, frente ao 20% que manejava em 2005.

Esses resultados se devem a um “novo modelo econômico-social comunitário produtivo, que estabelece uma maior participação do Estado na economia, desempoderando a economia do livre mercado’, disse Morales.

Nesse sentido, indicou que em 2014 o investimento estatal será de 6,3 bilhões de dólares, mais de dez vezes os 629 milhões de dólares utilizados em 2005. Morales ressaltou que os depósitos da população nos bancos são atualmente 15 bilhões de dólares. São um pouco mais que os 14,4 bilhões de dólares que tem em reservas internacionais o Banco Central. Em sua mensagem, o presidente comentou que agora alguns países se aproximam da Bolívia para pedir dinheiro emprestado, o contrário do que ocorria tradicionalmente. No final de dezembro passado, Bolívia lançou seu primeiro satélite, o Tupak Katari, que em pouco tempo permitirá reduzir os preços das chamadas telefônicas e melhorará a conexão de internet. “O governo decidiu que a partir de 1º de abril desse ano a tarifa da Entel nos pré-pagos será diminuída em 20%, de 1,50 a 1,20 boliviano o minuto. Diminuiremos também os custos da internet domiciliar, de 230 bolivianos a 195 bolivianos”, explicou.

O presidente também se referiu à luta contra a produção de drogas, especialmente cocaína, feita a base da folha de coca, uma planta sagrada para os indígenas locais e cujo uso é tão popular quanto o mate na Argentina.

“Até 2008, com participação da DEA (a agência supostamente antidroga dos Estados Unidos), 5400 hectares de coca foram erradicados. No ano passado, 11.407 hectares (foram erradicados) sem a participação da DEA”, exemplificou Morales. O governo calcula que a produção dessas terras era dirigida exclusivamente para a elaboração do narcótico.

“Essa é a valentia, o compromisso, não apenas com a região, mas também com o povo boliviano. Felizmente agora já não somos acusados pela comunidade internacional como zona vermelha, isso terminou”, assegurou o presidente.

E anunciou que o país começará a desenvolver energia nuclear. “Bolívia não pode estar a margem dessa sabedoria que é patrimônio de toda a humanidade. Por isso tomamos a decisão de formar o programa nuclear boliviano com fins pacíficos. Sabemos que será um caminho longo, calculamos 10 anos para ver os primeiros resultados”, advertiu.

* Tradução: Iuri Faria Codas

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