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Indicar um novo momento

Jornal DS – 18. Governo precisa ousar para vencer em cenário polarizado.

Para evitar que a coalizão de oposição faça farto uso de denúncias de corrupção como modo de compensar a falta de popularidade que lhe falta nas urnas para vencer, é preciso alterar a postura política de defesa que tem prevalecido, e reconstruir o pacto ético com a opinião pública.

O uso instrumental da ética pública implica em três movimentos. O primeiro é acusar sem estar disposto a usar para si os mesmos critérios de transparência, controle e punição. O segundo é utilizar um critério de pura oportunidade e cálculo: acusar se isso trouxer acúmulo de poder; não punir se o acordo for preferível ao próprio objetivo; ser transigente com aliados e artificialmente rigoroso para punir um adversário. O terceiro movimento é o de separar o uso político da bandeira anti-corrupção e o compromisso de impulsionar soluções que ataquem o problema na raiz.

Enquanto o PT e o governo Lula não forem capazes de enfrentar a brecha entre as suas identidades e a consciência democrática da opinião pública, haverá espaço para a manipulação do tema da corrupção pela oposição liberal-conservadora. Certamente, há esta capacidade e ela pode ser decisiva.

A ascensão de Mantega
Para fazer frente ao projeto que se expressa na candidatura de Geraldo Alckmin, o PT precisará adotar um programa e um discurso mais à esquerda do que foram estes três anos e meio de governo Lula. Um fato relevante pode ser a ascensão de Guido Mantega ao Ministério da Fazenda.

Primeiro economista desenvolvimentista a assumir esse posto desde a eleição de Collor, sua nomeação tem a possibilidade de trazer três benefícios. O primeiro é buscar maior coesão das metas de governo. Segundo, restabelecer circuitos de diálogo muito decisivos para a formação da governabilidade, seja com a intelectualidade progressista do país, seja com os movimentos sociais. Por fim, trazer credibilidade a uma construção programática que aponte plenamente para um modelo de desenvolvimento que, através da distribuição de renda, garanta novos patamares de crescimento econômico.

Nessas eleições, que farão um balanço público do governo Lula, espera-se que a ascensão de Guido Mantega traga um discurso coerente com a superação da miséria social no Brasil, que o governo Lula tem legitimidade para projetar em antagonismo com a candidatura Alckmin. É, sobretudo, esse compromisso social renovado com os oprimidos que pode fazer de Lula um candidato forte frente à identidade elitista e reacionária do candidato tucano.


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