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Kizomba no CONUNE: Nossos desafios para o combate ao machismo!

753734Na última quarta-feira (29), começou o 53o Congresso da UNE. Até o próximo domingo (2), milhares estudantes de todo o Brasil se encontrarão em Goiânia para acompanhar e participar de debates, grupos de discussão, passeatas e atividades culturais.

Ampliando cada vez mais sua participação no movimento estudantil brasileiro, o movimento Kizomba se confirmou mais uma vez como a 2a maior força do ME, após o credenciamento para o congresso.

Até o último dia do congresso vamos publicar aqui uma série de textos que fazem parte da tese da Kizomba para este 53o congresso.

Nossos desafios para o combate ao machismo!
Avançamos muito na conquista de direitos para as mulheres nos últimos anos, mas ainda há um longo caminho a trilhar para a efetivação de uma cidadania plena às mulheres. Os ufanistas acham que já chegamos ao limite, que as mulheres já estão na universidade e que há igualdade entre os sexos, seja no mundo do trabalho ou no espaço público; negando ainda toda a herança escravagista e patriarcal que rege as relações de poder na sociedade. Temos a opinião de que para transformar a sociedade, é urgente mudar a vida das mulheres.
Não nos contentamos com mudanças estruturais que não alteram a divisão sexual do trabalho e que reforçam os papeis que homens e mulheres devem desempenhar, destinando a eles as tarefas melhor remuneradas e de caráter público, enquanto nós temos como natural as tarefas ligadas ao cuidado e menos valorizadas na sociedade.
A mercantilização do corpo e da vida das mulheres se expressa nos trotes e calouradas machistas, racistas e homofóbicos, na mídia sexista que usa o corpo da mulher para vender de cerveja a carros, na indústria cosmética que nos impõe fórmulas mágicas para sermos sempre jovens, independente do quão jovem ainda sejamos. Romper com esse conjunto de opressões e imposições é primordial para nossa construção política e desnaturalizar a violência sofrida por nós mulheres é tarefa central.
A divisão sexual do trabalho é base material da opressão e desigualdades, as dimensões de classe, raça e gênero são entrelaçadas neste engenhoso sistema de exploração e acumulação de riqueza. O feminismo nos orienta na construção de novas relações sociais, de um desenvolvimento econômico com valorização do trabalho das mulheres, com uma sociedade que respeite as diferenças e de com um Estado que garanta nossos direitos.
POR UMA EDUCAÇÃO NÃO SEXISTAPor uma educação não sexista
Com as transformações que a educação brasileira atravessa desde a última década, é possível apreender que as políticas educacionais incidem diretamente sobre a vida das mulheres e tem modificado a realidade do ensino superior brasileiro.
As políticas de Ações Afirmativas contribuem de forma significativa para o acesso e permanência das mulheres negras, parcela da população que têm ingressado em maior número no ensino superior, seja público ou privado. Um maior investimento foi realizado nas universidades públicas com a ampliação exponencial de seus orçamentos – e nesse debate, mesmo sendo maioria nas universidades, nós não estamos contempladas. Propomos uma série de ações e políticas que visam rupturas com o modelo educacional opressor e mercantilizado atual que consiga garantir igualdade entre homens e mulheres. Ter a compreensão de que a opressão se sustenta na nossa linguagem, nas nossas relações pessoais, ou seja, na nossa cultura, é fundamental para organizarmos nossos instrumentos de transformação. Um dos aspectos importantes é a educação, um campo de reprodução dessas desigualdades. As políticas generalistas ampliaram a presença das mulheres no ensino, mas há um grande déficit nos mecanismos que produzem igualdade entre homens e mulheres.
O machismo estrutura as nossas relações sociais e na universidade não é diferente. Há aumento significativo do investimento em educação e este deve se refletir nas políticas e ações específicas para as mulheres. A garantia de estruturas que garantam o exercício pleno do ensino às mulheres torna-se tema fundamental ao discutirmos orçamentos e planos diretores das IES. A construção de mais residências universitárias, restaurantes universitários, creches, ações de combate à violência sexista, garantias de maior segurança para as mulheres nos campi e arredores, e a desconstrução do modelo androcêntrico, racista, machista e lesbofóbico de nossos currículos são essenciais para que as transformações que atravessamos no ensino superior sejam de fato efetivas na vida das mulheres.
Mulheres na UNE: Pintar o Brasil com as cores da IgualdadeMULHERES NA UNE: PINTAR O BRASIL COM AS CORES DA IGUALDADE
Chegamos neste CONUNE com o debate feminista cada vez mais fortalecido e esse processo é fruto do acúmulo da luta das mulheres no interior do movimento estudantil e da importância política que a Diretoria de Mulheres da UNE alcança a cada gestão.
A Kizomba chega comemora 10 anos à frente da diretoria e é possível perceber que a UNE, cada vez mais, aprofunda sua ação na luta pelo fim do machismo e assume a identidade feminista cada vez mais em suas lutas políticas. Essas vitórias surgem por termos uma diretoria que funciona de forma coletiva, dialogando com outros setores do movimento estudantil na construção da pauta política da pasta e na intervenção cada vez mais próxima do movimento de mulheres. Com uma perspectiva feminista continuada, a UNE é hoje uma das organizações de juventude que mais pauta e ocupa espaços importantes para a garantia da autonomia das mulheres e combate ao sexismo.
O fortalecimento da criação de coletivos feministas nas universidades, mobilização intensa nas redes sociais e nas ruas, garantia de mesas de debates feministas nos eventos da UNE, combate aos trotes e calouradas machistas, assim como uma avaliação mais criteriosa das atrações artísticas nos eventos e encontros da UNE – combatendo a expressão simbólica do machismo e da violência contra as mulheres; – posiciona-nos para a disputa da sociedade ao lado de outras organizações mistas e feministas que pautam um mundo livre de violência e que supere o patriarcado capitalista.
Tendo o perfil cada vez mais militante e de massas, a pauta de mulheres na entidade ganhou mais corpo em todas as lutas e manifestações que realizamos nessa gestão, seja na grande presença de mulheres no “Ocupe Brasília”, na Marcha das e dos Estudantes pela aprovação do PNE, na greve das federais, no CONEB ou na Jornada de Lutas das Juventudes.  Afirmamos que as pautas ditas “gerais” devem englobar a luta das mulheres, senão corremos o risco de perpetuar uma condição secundária imposta ao gênero que possui mais da metade da população.
Construir uma universidade para as mulheres deve ser uma luta do conjunto do movimento estudantil brasileiro. A nossa luta é por uma universidade pública, gratuita e de qualidade que não reproduza o machismo, homofobia e racismo. Vamos tecer novos valores para um novo conhecimento!
Pra acabar com o machismo: # PRA ACABAR COM O MACHISMO: #SOMOSTODASFEMINISTAS
Com a campanha #somostodasFEMINISTAS afirmamos nossa opção por construir um feminismo de massas, militante, anticapitalista, antirracista e antipatriarcal. Com ações que envolveram mobilizações nas redes sociais e intervenções urbanas, conseguimos movimentar mulheres de todas as regiões do país reafirmando que para acabar com o machismo nós somos todas feministas!
Acreditamos na auto-organização das mulheres e com muita mobilização tomamos as ruas e universidades deste país na luta pelo fim do machismo, por mais políticas paras as mulheres, pela autonomia dos nossos corpos e vidas, pelo direito a viver uma vida sem violência!
Legalizar o aborto! Direito ao nosso corpo!
Ser mãe não deve ser um destino obrigatório das mulheres, deve ser uma escolha, uma possibilidade para as mulheres. Ser mãe implica mudanças no aspecto físico, emocional, no projeto de vida da mulher. Uma gravidez não pode ser uma imposição.
A criminalização do aborto não impede que as mulheres interrompam uma gravidez indesejada, apenas coloca essa experiência na clandestinidade e expõe as mulheres mais pobres, em sua maioria negras, a riscos para sua vida e saúde.
Se o aborto clandestino traz risco para a vida e saúde das mulheres, esse risco é maior quando a situação é de pobreza. As mulheres ricas têm acesso a clínicas particulares, mas as pobres submetem-se a procedimentos inseguros, sozinhas ou com pessoas sem as habilidades necessárias, em ambientes que não cumprem com os mínimos requisitos médicos, ocasionando diversas complicações como infecções e inclusive a morte. Reivindicamos o direito a vida! O aborto deve ser legal e garantido pelo Sistema Único de Saúde!
A UNE constrói a Frente Nacional pela Legalização e Descriminalização do Aborto e em seus fóruns e congressos reafirma sua posição pela garantia de autonomia das mulheres sobre seus corpos. Em 2009, junto com as ações da Caravana da Saúde da UNE, foi realizada uma pesquisa onde foi possível perceber a opinião das e dos universitários brasileiros sobre a legalização do aborto. Com uma aprovação expressiva, tornou-se permanente a campanha pela legalização e descriminalização do aborto na UNE.
Enegrecendo a luta feministaENEGRECENDO A LUTA FEMINISTA
Assumir a dimensão feminista na luta antirracista é romper com o legado de opressões ao qual o conjunto das mulheres negras está submetido. Nunca fomos o sexo frágil, nossos corpos desde sempre foram brutalizados e coisificados. O machismo se alinha ao racismo e aprofunda ainda mais a opressão sofrida por nós. A erotização dos nossos corpos e a divisão das mulheres entre santas e profanas, sempre nos colocou como as profanas e que não merecem respeito ou têm dignidade. Os valores patriarcais e sexistas que atingem o conjunto das mulheres atingem de forma nefasta a vida das mulheres negras em nossa sociedade. O passado escravagista ainda se faz presente e a superação dessas desigualdades tem que ser pautados nos marcos do feminismo.
A luta por autonomia de nossos corpos e nossas vidas, bandeira central do feminismo, ganha para nós uma urgência ainda maior. Nós, mulheres negras, somos as maiores vítimas da pobreza, exploração sexual, violência e morremos em maior número por conta da prática insegura do aborto.
No que tange o acesso à educação, estamos ainda em menor número nas cadeiras da universidade. Mesmo com as políticas de acesso que fizeram aumentar a população negra no ensino superior, este espaço de construção de saberes não dialoga com nossa realidade.
A falta de políticas de permanência efetivas que tragam o recorte de gênero e raça na sua orientação segregam e excluem uma significativa parcela da população brasileira deste espaço de poder e disputas. A descolonização do conhecimento é central na luta antirracista e tem que dialogar com o fato de que a história e contribuição das mulheres na organização da sociedade não são contadas em nossos materiais didáticos.
Outro fator que percebemos é o quão distante ainda está para nós os postos de direção e representação política. A população negra em seu conjunto está na outra margem dos espaços de poder e nós, mulheres negras, estamos ainda mais na periferia destes espaços privilegiados de poder e decisão.
Apontar as contradições de nossa sociedade e afirmar que o machismo e racismo existem, são elementos que organizam a nossa luta. A falsa cordialidade das opressões que vivemos nos aprisiona, denunciá-las traz à tona o quanto a divisão sexual da sociedade e a hierarquização entre as mulheres negras e não-negras violenta, dizima e destrói milhares de vidas.
A nossa ação política tem em sua gênese a dimensão feminista, superar as desigualdades de gênero e raça se dá através de mecanismos que incluam as mulheres e tratem de nossas especificidades. Vamos enegrecer ainda mais as nossas pautas para transformar a vida de todas as mulheres!
Encontro de Mulheres Estudantes da UNE
O EME surgiu em 2005, por iniciativa da diretoria de mulheres da UNE, com o objetivo de ser um espaço de auto-organização e fortalecimento do debate feminista na entidade, contribuindo no combate ao machismo e todas as formas de opressão sofridas pelas mulheres dentro das universidades e no movimento estudantil. Chegamos a sua quinta edição tendo um vitorioso encontro que consolidou a agenda feminista na entidade e apontou um conjunto de tarefas e desafios colocados às mulheres e a sociedade.
O 5º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE foi realizado entre os dias 29 a 31 e março, na cidade de Camaçari (Bahia), e mais uma vez trouxe à tona a bagagem de muitas lutas e vitórias para as mulheres no movimento estudantil. Essas mulheres abriram muitas portas e apontaram muitos caminhos. É nossa tarefa dar continuidade e nos preparar para novos desafios.
O EME se consolida como o maior encontro de jovens feministas do país. Saímos do encontro afirmando nosso compromisso com campanhas periódicas, pelo fim dos trotes machistas, pela criação de creches e comprometimento das universidades com o Pacto Nacional de Enfrentamento à violência contra as mulheres. Dar continuidade a campanha pela legalização do aborto iniciada na gestão de 2007, pauta central em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e garantia de autonomia sobre seus corpos e vidas.
Entendemos que machismo estrutura e organiza nossa sociedade e apontamos a construção do feminismo para mudar essa realidade. Por isso, queremos protagonizar debates importantes na disputa de valores da juventude brasileira. Colocamos, também, na nossa agenda a luta pela democratização da mídia, contra a mídia sexista e por uma reforma política que inclua verdadeiramente as mulheres.  Outro ponto importante é que aprofundamos a luta das mulheres contra o racismo e contra a mercantilização do corpo e vida das mulheres.
Para nós, Mulheres na UNE, a universidade cumpre um papel central na transformação da sociedade e vamos reforçar com bastante unidade que para mudar a universidade: somos todas feministas!

Nossos desafios para o combate ao machismo!

Avançamos muito na conquista de direitos para as mulheres nos últimos anos, mas ainda há um longo caminho a trilhar para a efetivação de uma cidadania plena às mulheres. Os ufanistas acham que já chegamos ao limite, que as mulheres já estão na universidade e que há igualdade entre os sexos, seja no mundo do trabalho ou no espaço público; negando ainda toda a herança escravagista e patriarcal que rege as relações de poder na sociedade. Temos a opinião de que para transformar a sociedade, é urgente mudar a vida das mulheres.

Não nos contentamos com mudanças estruturais que não alteram a divisão sexual do trabalho e que reforçam os papeis que homens e mulheres devem desempenhar, destinando a eles as tarefas melhor remuneradas e de caráter público, enquanto nós temos como natural as tarefas ligadas ao cuidado e menos valorizadas na sociedade.

A mercantilização do corpo e da vida das mulheres se expressa nos trotes e calouradas machistas, racistas e homofóbicos, na mídia sexista que usa o corpo da mulher para vender de cerveja a carros, na indústria cosmética que nos impõe fórmulas mágicas para sermos sempre jovens, independente do quão jovem ainda sejamos. Romper com esse conjunto de opressões e imposições é primordial para nossa construção política e desnaturalizar a violência sofrida por nós mulheres é tarefa central.

A divisão sexual do trabalho é base material da opressão e desigualdades, as dimensões de classe, raça e gênero são entrelaçadas neste engenhoso sistema de exploração e acumulação de riqueza. O feminismo nos orienta na construção de novas relações sociais, de um desenvolvimento econômico com valorização do trabalho das mulheres, com uma sociedade que respeite as diferenças e de com um Estado que garanta nossos direitos.

Por uma educação não sexista

Com as transformações que a educação brasileira atravessa desde a última década, é possível apreender que as políticas educacionais incidem diretamente sobre a vida das mulheres e tem modificado a realidade do ensino superior brasileiro.

As políticas de Ações Afirmativas contribuem de forma significativa para o acesso e permanência das mulheres negras, parcela da população que têm ingressado em maior número no ensino superior, seja público ou privado. Um maior investimento foi realizado nas universidades públicas com a ampliação exponencial de seus orçamentos – e nesse debate, mesmo sendo maioria nas universidades, nós não estamos contempladas. Propomos uma série de ações e políticas que visam rupturas com o modelo educacional opressor e mercantilizado atual que consiga garantir igualdade entre homens e mulheres. Ter a compreensão de que a opressão se sustenta na nossa linguagem, nas nossas relações pessoais, ou seja, na nossa cultura, é fundamental para organizarmos nossos instrumentos de transformação. Um dos aspectos importantes é a educação, um campo de reprodução dessas desigualdades. As políticas generalistas ampliaram a presença das mulheres no ensino, mas há um grande déficit nos mecanismos que produzem igualdade entre homens e mulheres.

O machismo estrutura as nossas relações sociais e na universidade não é diferente. Há aumento significativo do investimento em educação e este deve se refletir nas políticas e ações específicas para as mulheres. A garantia de estruturas que garantam o exercício pleno do ensino às mulheres torna-se tema fundamental ao discutirmos orçamentos e planos diretores das IES. A construção de mais residências universitárias, restaurantes universitários, creches, ações de combate à violência sexista, garantias de maior segurança para as mulheres nos campi e arredores, e a desconstrução do modelo androcêntrico, racista, machista e lesbofóbico de nossos currículos são essenciais para que as transformações que atravessamos no ensino superior sejam de fato efetivas na vida das mulheres.

Mulheres na UNE: Pintar o Brasil com as cores da igualdade

Chegamos neste CONUNE com o debate feminista cada vez mais fortalecido e esse processo é fruto do acúmulo da luta das mulheres no interior do movimento estudantil e da importância política que a Diretoria de Mulheres da UNE alcança a cada gestão.

A Kizomba chega comemora 10 anos à frente da diretoria e é possível perceber que a UNE, cada vez mais, aprofunda sua ação na luta pelo fim do machismo e assume a identidade feminista cada vez mais em suas lutas políticas. Essas vitórias surgem por termos uma diretoria que funciona de forma coletiva, dialogando com outros setores do movimento estudantil na construção da pauta política da pasta e na intervenção cada vez mais próxima do movimento de mulheres. Com uma perspectiva feminista continuada, a UNE é hoje uma das organizações de juventude que mais pauta e ocupa espaços importantes para a garantia da autonomia das mulheres e combate ao sexismo.

O fortalecimento da criação de coletivos feministas nas universidades, mobilização intensa nas redes sociais e nas ruas, garantia de mesas de debates feministas nos eventos da UNE, combate aos trotes e calouradas machistas, assim como uma avaliação mais criteriosa das atrações artísticas nos eventos e encontros da UNE – combatendo a expressão simbólica do machismo e da violência contra as mulheres; – posiciona-nos para a disputa da sociedade ao lado de outras organizações mistas e feministas que pautam um mundo livre de violência e que supere o patriarcado capitalista.

Tendo o perfil cada vez mais militante e de massas, a pauta de mulheres na entidade ganhou mais corpo em todas as lutas e manifestações que realizamos nessa gestão, seja na grande presença de mulheres no “Ocupe Brasília”, na Marcha das e dos Estudantes pela aprovação do PNE, na greve das federais, no CONEB ou na Jornada de Lutas das Juventudes. Afirmamos que as pautas ditas “gerais” devem englobar a luta das mulheres, senão corremos o risco de perpetuar uma condição secundária imposta ao gênero que possui mais da metade da população.

Construir uma universidade para as mulheres deve ser uma luta do conjunto do movimento estudantil brasileiro. A nossa luta é por uma universidade pública, gratuita e de qualidade que não reproduza o machismo, homofobia e racismo. Vamos tecer novos valores para um novo conhecimento!

Pra acabar com o machismo: #SOMOSTODASFEMINISTAS

Com a campanha #somostodasFEMINISTAS afirmamos nossa opção por construir um feminismo de massas, militante, anticapitalista, antirracista e antipatriarcal. Com ações que envolveram mobilizações nas redes sociais e intervenções urbanas, conseguimos movimentar mulheres de todas as regiões do país reafirmando que para acabar com o machismo nós somos todas feministas!

Acreditamos na auto-organização das mulheres e com muita mobilização tomamos as ruas e universidades deste país na luta pelo fim do machismo, por mais políticas paras as mulheres, pela autonomia dos nossos corpos e vidas, pelo direito a viver uma vida sem violência!

Legalizar o aborto! Direito ao nosso corpo!

Ser mãe não deve ser um destino obrigatório das mulheres, deve ser uma escolha, uma possibilidade para as mulheres. Ser mãe implica mudanças no aspecto físico, emocional, no projeto de vida da mulher. Uma gravidez não pode ser uma imposição.

A criminalização do aborto não impede que as mulheres interrompam uma gravidez indesejada, apenas coloca essa experiência na clandestinidade e expõe as mulheres mais pobres, em sua maioria negras, a riscos para sua vida e saúde.

Se o aborto clandestino traz risco para a vida e saúde das mulheres, esse risco é maior quando a situação é de pobreza. As mulheres ricas têm acesso a clínicas particulares, mas as pobres submetem-se a procedimentos inseguros, sozinhas ou com pessoas sem as habilidades necessárias, em ambientes que não cumprem com os mínimos requisitos médicos, ocasionando diversas complicações como infecções e inclusive a morte. Reivindicamos o direito a vida! O aborto deve ser legal e garantido pelo Sistema Único de Saúde!

A UNE constrói a Frente Nacional pela Legalização e Descriminalização do Aborto e em seus fóruns e congressos reafirma sua posição pela garantia de autonomia das mulheres sobre seus corpos. Em 2009, junto com as ações da Caravana da Saúde da UNE, foi realizada uma pesquisa onde foi possível perceber a opinião das e dos universitários brasileiros sobre a legalização do aborto. Com uma aprovação expressiva, tornou-se permanente a campanha pela legalização e descriminalização do aborto na UNE.

Enegrecendo a luta feminista

Assumir a dimensão feminista na luta antirracista é romper com o legado de opressões ao qual o conjunto das mulheres negras está submetido. Nunca fomos o sexo frágil, nossos corpos desde sempre foram brutalizados e coisificados. O machismo se alinha ao racismo e aprofunda ainda mais a opressão sofrida por nós. A erotização dos nossos corpos e a divisão das mulheres entre santas e profanas, sempre nos colocou como as profanas e que não merecem respeito ou têm dignidade. Os valores patriarcais e sexistas que atingem o conjunto das mulheres atingem de forma nefasta a vida das mulheres negras em nossa sociedade. O passado escravagista ainda se faz presente e a superação dessas desigualdades tem que ser pautados nos marcos do feminismo.

A luta por autonomia de nossos corpos e nossas vidas, bandeira central do feminismo, ganha para nós uma urgência ainda maior. Nós, mulheres negras, somos as maiores vítimas da pobreza, exploração sexual, violência e morremos em maior número por conta da prática insegura do aborto.

No que tange o acesso à educação, estamos ainda em menor número nas cadeiras da universidade. Mesmo com as políticas de acesso que fizeram aumentar a população negra no ensino superior, este espaço de construção de saberes não dialoga com nossa realidade.

A falta de políticas de permanência efetivas que tragam o recorte de gênero e raça na sua orientação segregam e excluem uma significativa parcela da população brasileira deste espaço de poder e disputas. A descolonização do conhecimento é central na luta antirracista e tem que dialogar com o fato de que a história e contribuição das mulheres na organização da sociedade não são contadas em nossos materiais didáticos.

Outro fator que percebemos é o quão distante ainda está para nós os postos de direção e representação política. A população negra em seu conjunto está na outra margem dos espaços de poder e nós, mulheres negras, estamos ainda mais na periferia destes espaços privilegiados de poder e decisão.

Apontar as contradições de nossa sociedade e afirmar que o machismo e racismo existem, são elementos que organizam a nossa luta. A falsa cordialidade das opressões que vivemos nos aprisiona, denunciá-las traz à tona o quanto a divisão sexual da sociedade e a hierarquização entre as mulheres negras e não-negras violenta, dizima e destrói milhares de vidas.

A nossa ação política tem em sua gênese a dimensão feminista, superar as desigualdades de gênero e raça se dá através de mecanismos que incluam as mulheres e tratem de nossas especificidades. Vamos enegrecer ainda mais as nossas pautas para transformar a vida de todas as mulheres!

Encontro de Mulheres Estudantes da UNE

O EME surgiu em 2005, por iniciativa da diretoria de mulheres da UNE, com o objetivo de ser um espaço de auto-organização e fortalecimento do debate feminista na entidade, contribuindo no combate ao machismo e todas as formas de opressão sofridas pelas mulheres dentro das universidades e no movimento estudantil. Chegamos a sua quinta edição tendo um vitorioso encontro que consolidou a agenda feminista na entidade e apontou um conjunto de tarefas e desafios colocados às mulheres e a sociedade.

O 5º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE foi realizado entre os dias 29 a 31 e março, na cidade de Camaçari (Bahia), e mais uma vez trouxe à tona a bagagem de muitas lutas e vitórias para as mulheres no movimento estudantil. Essas mulheres abriram muitas portas e apontaram muitos caminhos. É nossa tarefa dar continuidade e nos preparar para novos desafios.

O EME se consolida como o maior encontro de jovens feministas do país. Saímos do encontro afirmando nosso compromisso com campanhas periódicas, pelo fim dos trotes machistas, pela criação de creches e comprometimento das universidades com o Pacto Nacional de Enfrentamento à violência contra as mulheres. Dar continuidade a campanha pela legalização do aborto iniciada na gestão de 2007, pauta central em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e garantia de autonomia sobre seus corpos e vidas.

Entendemos que machismo estrutura e organiza nossa sociedade e apontamos a construção do feminismo para mudar essa realidade. Por isso, queremos protagonizar debates importantes na disputa de valores da juventude brasileira. Colocamos, também, na nossa agenda a luta pela democratização da mídia, contra a mídia sexista e por uma reforma política que inclua verdadeiramente as mulheres.  Outro ponto importante é que aprofundamos a luta das mulheres contra o racismo e contra a mercantilização do corpo e vida das mulheres.

Para nós, Mulheres na UNE, a universidade cumpre um papel central na transformação da sociedade e vamos reforçar com bastante unidade que para mudar a universidade: somos todas feministas!

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