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Milhões de egípcios saem às ruas para exigir renúncia do presidente

844201Da AFP

Milhões de pessoas saíram às ruas do Egito neste domingo, determinadas a derrotar o presidente islamita Mohamed Mursi, que completa um ano no poder, nos maiores protestos no país desde a revolta de 2011. Colunas gigantes de manifestantes ocuparam, ao cair da noite, as principais ruas da capital egípcia, gritando frases como “Fora, fora!”, ou “O povo quer a queda do regime!”.

Apesar da tranquilidade que reinou durante o dia, com o cair da noite, atos isolados de violência deixaram dois mortos. “Trata-se dos maiores protestos na história do Egito”, afirmou à AFP uma fonte militar, que pediu para não ser identificada, acrescentando que milhões de pessoas saíram às ruas, tanto na capital quanto no interior do país.

Uma pessoa morreu e outras 40 ficaram feridas em confrontos entre partidários e opositores de Mursi em Beni Sueif, ao sul do Cairo, segundo uma fonte dos serviços de segurança. Uma outra morreu na província central de Assiut, quando dois desconhecidos em uma motocicleta abriram fogo na direção dos manifestantes que pediam a renúncia de Mursi, informou outra fonte da segurança. Ambos os incidentes ocorreram em frente à sede do Partido da Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana.

No Cairo, os manifestantes começaram a se reunir à tarde em diversos pontos da cidade, e, aos poucos, foram se concentrando no bairro de Heliópolis, onde fica o palácio presidencial. Também foram registradas manifestações importantes em Alexandria, Menuf e Mahalla, bem como em Suez e na cidade natal de Mursi, Zagazig.

Neste cenário, a Frente de Salvação Nacional (FSN), maior coalizão opositora do Egito, divulgou a Declaração Revolucionária Número 1, em que convocou os manifestantes a permanecerem mobilizados nas ruas até a queda de Mursi.

“Todas as forças revolucionárias e todos os cidadãos devem manter suas reuniões pacíficas em seus lugares, nas ruas, nas cidades do país, até a queda de todos os elementos do regime ditatorial”, pede a nota.

No Cairo, a sede central da Irmandade Muçulmana, partido de Mursi, foi atacada com coquetéis molotov.

“É uma segunda revolução, e Tahrir é o símbolo”, declarou Ibrahim Hamuda, carpinteiro que mora na região norte do país e viajou até a capital para participar da manifestação.

A praça Tahrir virou símbolo da mobilização que expulsou do poder o presidente Hosni Mubarak em 2011.

Partidários do presidente islamita prosseguiam com um ato de apoio no bairro de Nasr City, perto de Heliópolis, para defender a “legitimidade” do primeiro presidente civil e islamita, eleito no país há um ano.

O Partido da Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, movimento de Mursi, convocou uma “mobilização geral” para defender o chefe de Estado.

Para evitar distúrbios neste domingo, o Exército e a polícia foram mobilizados em todo o país, reforçando a proteção de instalações vitais, em especial o Canal de Suez.

Desde quarta-feira, atos de violência ocorreram em Alexandria e nas províncias do Delta do Nilo, entre partidários e opositores de Mursi, e deixaram oito mortos, incluindo um americano.

A campanha “Tamarrod”

O domingo é considerado essencial na campanha do movimento Tamarrod (rebelião, em árabe), que convocou protestos para exigir a saída de Mursi no dia em que ele completa um ano como presidente.

O Tamarrod, apoiado por várias personalidades da oposição laica, liberal ou de esquerda, afirma ter conseguido 22 milhões de assinaturas a favor de uma eleição presidencial antecipada, o que representa mais do que o número de votos obtidos por Mursi na eleição de junho de 2012 (13,23 milhões).

As divisões são muito profundas no Egito, país árabe de maior população, com 80 milhões de pessoas, afetado pela crise, com uma economia abalada pela inflação e pelo desemprego, além de uma forte desvalorização da moeda nacional, a libra egípcia.

Os adversários de Mursi o acusam de autoritarismo e de desejar instaurar um regime dominado pelos islamitas. Seus simpatizantes, porém, afirmam que a legitimidade está assegurada na primeira eleição livre da história do Egito, e acusam a oposição de planejar um “golpe de Estado”.

O primeiro ano de Mursi no poder foi marcado por várias crises, especialmente no fim de 2012, durante a redação e aprovação por referendo de uma nova Constituição, apoiada pelos islamitas, mas que dividiu o país.

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