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Ministro do Trabalho sofre escracho na Assembleia Geral da OIT, na ONU

2692641O governo Michel Temer foi alvo de mais um protesto na Organização Internacional do Trabalho (OIT), durante a conferência anual da organização que acontece nesta semana na sede da ONU, em Genebra. O Ministro do Trabalho brasileiro, Ronaldo Nogueira, chegou à Suíça nesta segunda-feira para uma série de encontros com o objetivo de convencer entidades e autoridades do mundo inteiro sobre a legalidade do atual governo. Desde a sua chegada, o ministro tem se mostrado desconfortável com a situação, afirmando que não é o plano do governo rever direitos trabalhistas.

por Lucas Bulgarelli – especial para a Revista Fórum de Genebra, na Suíça.

O discurso oficial do ministro estava programado para acontecer na Assembleia Geral da OIT às 10h20 (horário local). Quando Nogueira subiu ao plenário, sindicalistas, autoridades e delegados de dezenas de países levantaram placas em protesto e passaram a vestir camisetas denunciando o golpe de estado no país. A fala do ministro precisou ser interrompida duas vezes devido aos gritos que o chamavam de “golpista” e “fascista”.

Desconcertado, Nogueira tentou manter a sua fala, ressaltando a importância da Conferência e dos acordos estabelecidos com o Brasil. E terminou seu discurso convidando os presentes para os Jogos Olímpicos, que ocorrerão no país em agosto. Ao longo do discurso, diversos membros delegados e autoridades saíram do salão em sinal de protesto.

Desde a semana passada, uma série de protestos têm acontecido em Genebra com o objetivo de denunciar o atual governo perante a comunidade internacional. Na sexta-feira (3),um diplomata foi hostilizado por representantes sindicais.

Já na segunda-feira (6), uma série de investidas contra governo tomou lugar nas dependências das Nações Unidas. Pela manhã, a delegação da Venezuela acusou Temer de ter promovido um “golpe de estado”, durante um encontro de autoridades internacionais.

Pela tarde, o sindicalista grego George Mavikros, presidente da Federação Mundial de Sindicatos, referiu-se, em seu discurso, aos membros do governo brasileiro como “fascistas”. A diplomacia brasileira pediu direito de resposta, mas passou a ser novamente vaiada quando começou a falar.

Na noite da segunda-feira, ainda, uma recepção tradicionalmente organizada pela missão diplomática do Brasil na ONU, que contava com a presença de Nogueira, ministros do Superior Tribunal do Trabalho e deputados brasileiros, foi boicotada por parte da bancada dos trabalhadores brasileiros. No mesmo horário, sindicalistas brasileiros organizaram um ato na sede do sindicato suíço UN1A, com representantes de delegações de 15 países, a fim de explicar a situação política brasileira. E apelaram por uma mobilização internacional.

Nas dependências do prédio da ONU, que concentra mais de 3 mil representantes ao longo desta semana, o clima permanece tenso em função da situação brasileira. Nos corredores, a diplomacia brasileira não tem escondido sua preocupação com a repercussão internacional das manifestações.

Por este motivo, a embaixadora brasileira em Genebra, Regina Dunlop, teria ordenado a presença de um diplomata do país em cada sala da conferência para garantir que a imagem do governo não seja manchada. Sempre que o Brasil é mencionado em alguma fala ou discurso, a orientação aos diplomatas é a de ler um texto curto em espanhol afirmando que a Constituição está sendo respeitada e que a democracia tem sido preservada no país.

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