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No pós-golpe, economia definha e desemprego dispara

É sabido que o saldo de um ano de golpe em Honduras, na esfera política, tem a instabilidade e a repressão velada como principais características. No aspecto econômico, a situação acompanhou a piora e o país amarga as consequências da instabilidade política e da crise financeira internacional.

Do Brasil de Fato
Por Renato Godoy de Toledo

Segundo dados oficiais, o desemprego atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas, em um país com uma população total de menos de 8 milhões de habitantes. Ainda de acordo com estatísticas governamentais, um terço dos hondurenhos vive com menos de 20 lempiras (a moeda local) diárias, o equivalente a um dólar. Para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a renda inferior a um dólar diário configura pobreza extrema.

Com o salário mínimo elevado pelo presidente deposto Manuel Zelaya, em 2008, parte da população aponta que o problema do desemprego é fruto da política “populista” do ex-governante. Hoje, o déficit total de Honduras chega a 20 bilhões de dólares, o que equivale a 142% do PIB registrado em 2009. No ano do golpe, o país apresentou uma retração econômica de 2%. Por decreto, Zelaya colocou o salário mínimo a 290 dólares para os trabalhadores urbanos e 214 para os rurais.

Classes altas

Apesar das críticas do patronato e de setores conservadores, hoje, o salário mínimo considerado alto não supre as reais necessidades dos hondurenhos. Uma cesta básica com 30 itens para uma família de cinco membros vale 338 dólares.

O descontentamento com o momento econômico do país não se limita apenas aos mais pobres. Nas classes mais altas, há uma reclamação contra os pacotes econômicos apresentados pelo governo de Porfirio Lobo, que têm como principal marca o aumento de impostos.

No entanto, setores conservadores se valem das sanções econômicas promovidas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para argumentar que o problema hondurenho não tem relação com o golpe de Estado, mas com o bloqueio da ajuda financeira ao país centro-americano.

Direitos econômicos

Gilberto Ríos, da FoodFirst Information & Action Network (Fian), aponta uma piora significativa da condição de vida em Honduras no último período. “Além dos direitos humanos, o golpe tem repercussões ligadas aos direitos econômicos e sociais. A situação econômica e social do país piorou ainda mais. Há um maior desemprego e diminuição da renda da população e mais fome”, explica.

Para o ex-candidato à presidência de Honduras, Carlos H. Reyes, há um processo de piora econômica que tem sido combatido pelos membros da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP), organização criada após o golpe de 2009.

De acordo com Reyes, que retirou sua candidatura no ano passado por considerar ilegítimo o processo eleitoral, a defesa de direitos econômicos e sociais têm sido tão importantes para a FNRP como as bandeiras da volta de Manuel Zelaya ao país e da instauração de uma Assembleia Nacional Constituinte.

“Esse governo já emitiu um pacote de impostos e tudo indica que vai impor outros. Estão nos levando aqui ao que está acontecendo na Grécia. Além de toda nossa luta pela Assembleia Nacional Constituinte, estamos em vigília em defesa dos nossos direitos sociais e econômicos. A situação no país piora por conta do desemprego e pelo fato de os EUA devolverem uma grande quantidade de imigrantes. E aqui não há trabalho”, relata.

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