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O 10º Concut deve posicionar a classe trabalhadora na disputa de hegemonia

O 10º Congresso Nacional da CUT ocorre em um cenário de acirramento das disputas sociais, no Brasil e na América Latina. O contexto internacional está marcado pela crise que assola a globalização neoliberal. Permite que a classe trabalhadora, por meio de pressão social de um amplo movimento, possa questionar os pilares da dominação do capital e organizar um programa de transição pós-neoliberal.

Na América Latina, já havíamos iniciado a deslegitimação da política neoliberal, seja com mobilizações intercontinentais (contra a ALCA) seja com vitórias eleitorais de partidos e de lideranças à esquerda do espectro até então intocado (Brasil, Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia, Paraguai e seguimos). Porém, não avançamos na formulação de um programa que transite para outro modelo.

No Brasil, as respostas dadas pelo Governo Lula podem reduzir os impactos da crise internacional. Isso altera positivamente a capacidade de organização sindical e possibilita maior pressão dos movimentos sociais, principalmente sobre a manutenção de direitos. Porém, são respostas insuficientes para a construção de outro projeto de sociedade. Em outras palavras, não organiza as rupturas com os pilares da dominação capitalista. A inclusão social via elevação do consumo, por si, não altera o padrão de organização social e política mediado pelas relações de exploração e opressão. É nesse sentido que reivindicamos a resolução da Executiva Nacional da CUT, de fevereiro de 2009, que afirma que a superação da crise deve resultar na construção de um modelo alternativo, democrático e popular com horizontes transitórios para a sociedade socialista.

Desafios da CUT
A CUT deve disputar os rumos do Governo Lula, orientada pelo objetivo estratégico da construção do projeto democrático e popular. Para tanto, devemos derrotar a direita não apenas eleitoralmente, mas também na interrupção dos aspectos centrais do seu projeto de país. Para a CSD, a transformação social deve ter participação ativa da classe trabalhadora. Em outras palavras, desejamos construir uma sociedade socialista e profundamente democrática.

O movimento sindical é um instrumento imprescindível para alcançarmos esse objetivo estratégico, sendo a CUT a principal ferramenta desse movimento. O centro da agenda atual requer a construção de uma plataforma pós-neoliberal, que considere as possibilidades abertas pela crise econômica e o projeto com o qual disputaremos um novo governo para o país em 2010.

Devemos inserir no centro da agenda sindical a luta pela democratização do Estado, da sociedade e do local de trabalho. Através da participação popular direta, a maioria da população (a classe trabalhadora) terá maior potencial para pressionar por avanço nas mudanças. A criação das condições para avançar em uma democracia participativa, com protagonismo da classe trabalhadora, é a tarefa política estratégica.

Para lograr sucesso nesse desafio estratégico, a CUT deve priorizar a luta unitária do movimento sindical com os demais movimentos sociais do campo e da cidade. Hoje, essa unidade constrói-se a partir da pressão pelas mudanças. A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) é espaço estratégico dessa unidade. Nela, estão os movimentos sindical, estudantil, feminista, de trabalhadores rurais sem-terra, de combate ao racismo e à homofobia, organizações comunitárias, dentre outros. A agenda prioritária é aquela que impulsiona o projeto democrático e popular. Nesse sentido, as maiores e mais representativas organizações populares do país organizam-se na CMS na luta contra a retomada dos neoliberais ao poder e por avanços na melhoria das condições de vida do povo trabalhador.

Não é suficiente a existência de uma representação da CUT nesse espaço. Nossa Central deve ser impulsionadora da construção dessa unidade e da sua agenda de mobilização. Deve esforçar-se para envolver o conjunto da sua base social em torno dessa agenda. As direções estaduais da CUT e dos sindicatos de base cutista devem ser promotoras da unidade de ação dos movimentos sociais populares.

Juventude trabalhadora
Outro desafio estratégico para o fortalecimento da CUT e para a disputa de hegemonia na sociedade é organizar a juventude trabalhadora.

É preciso estimular a participação da juventude que hoje se encontra no âmbito da central, filiados ou não aos nossos sindicatos e aqueles com os quais temos identificação. O primeiro passo será dado com a criação das secretarias estaduais e nacional da juventude. Entretanto, isso só não basta. A secretaria de juventude deve funcionar de forma horizontal tendo como objetivo se aproximar da linguagem e do mundo jovem e assim fortalecer a juventude CUTista. Devem ser criadas secretarias de juventudes nos sindicatos, estabelecendo diálogo permanente com os coletivos estaduais.

Com o fortalecimento da juventude dentro da CUT, torna-se de extrema importância a unificação das lutas juvenis. Os/as jovens dos diversos movimentos sociais possuem muitas lutas em comum a serem travadas. É preciso unificar a juventude por meio do movimento sindical, estudantil, de mulheres, do movimento negro, os movimentos da luta pela terra, dos trabalhadores desempregados e diversas manifestações juvenis.

Para animar a base sindical e popular a entrar na difícil disputa que enfrentaremos em 2010, com a campanha Dilma presidente, é imprescindível garantir símbolos importantes de vitórias da classe trabalhadora no governo Lula. São símbolos importantes: a redução da jornada de trabalho e a reforma política com participação popular. Precisamos conquistar essas vitórias ainda neste segundo mandato. Elas organizam o sentimento democrático e popular, colocando-o em movimento. Apontam, além de tudo, que a motivação pela eleição da companheira Dilma não se resume a evitar o retorno do projeto neoliberal à direção do governo brasileiro. A CUT deve posicionar-se pela eleição da candidata do PT porque ela deve assumir a plataforma da classe trabalhadora, discutida com a base social do movimento democrático e popular.

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