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O desmonte do Estado e a oposição necessária

Há quase vinte anos que os tucanos estão à frente do governo paulista. Isso significa que São Paulo é um estado onde o neoliberalismo ainda se mantém fortemente, mesmo sob os avanços do governo Lula, e continua sendo administrado conforme o padrão que levou o país a uma profunda crise econômico-social. No entanto, a atuação apática da imprensa paulista faz com que pareça haver um enorme consenso silencioso em torno das teses do PSDB/DEM.

Juliana Terribili *

São peças fundamentais dessa política o arrocho salarial, o corte nos investimentos sociais, a ausência do estado como provedor de direitos e serviços básicos, o sucateamento dos serviços públicos, as privatizações, a criminalização dos movimentos sociais. Tais políticas são implementadas sem grandes dificuldades em São Paulo, isto é, não há questionamento a esse projeto, o oposto do que ocorreu em nível nacional, que levou à eleição de Lula.

Os tucanos governam com maioria arrasadora na Assembleia Legislativa e, como já foi dito, contam com o apoio da grande mídia, que atua no sentido de legitimar essas políticas de desmonte, e de garantir a tranquilidade através do silêncio. As manchetes nada trazem que desafie o governo tucano a se posicionar, as principais contradições não ecoam nos noticiários, denúncias acabam abafadas e nenhuma ação ou não ação do governo implica em cobrança.

A força do PSDB sugere um artificial consenso, o que também se expressa na ausência de uma oposição política e social organizada capaz de promover um enfrentamento sistemático. É preciso buscar as razões dessa dificuldade, sabendo, também, que a repressão dos tempos de FHC perdura em São Paulo, no sentido de criminalizar os movimentos sociais, acuá-los e combatê-los ferozmente, enquanto a relação com a elite é harmônica e de colaboração mútua. É para esse difícil contexto que temos que mirar através de uma lente crítica e pensar os caminhos para os/as socialistas.

Para isso, não basta ao Partido dos Trabalhadores somente consolidar grandes alianças eleitorais. O desafio do PT nestas eleições será de posicionar-se na conjuntura estadual de forma a apresentar uma alternativa de condução política. De que forma, no estado mais rico da federação, podemos radicalizar a democracia, a inclusão social, a distribuição de renda, a participação popular.

Organizar esse pólo passa por coordenar nossa ação política nos processos de mobilização social e na institucionalidade formal. Assim, uma nova relação com os movimentos sociais é fundamental. É preciso enraizar o partido nos movimentos e dialogar com suas direções. Esses são aliados necessários para que um projeto de superação do neoliberalismo possa ser vitorioso também nas urnas de São Paulo.

* Juliana Terribili é psicóloga, integrante do coletivo estadual de mulheres do PT-SP e da direção estadual da Juventude do PT-SP.

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