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O governo Temer e a desestruturação da UNASUL | Eduardo Morrot

Na última quinta-feira, em uma reunião feita à margem da Cúpula das Américas, espaço marcado pela intervenção e protagonismo norte-americano nos assuntos do continente, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru decidiram suspender sua participação da UNASUL (União de Nações Sul-Americana).

O avanço da contra-ofensiva neoliberal na América Latina têm como suas facetas mais graves a desestruturação de uma política externa “ativa e altiva” de cooperação regional para a volta da velha subserviência às demandas de Washington.

A criação da União das Nações Sul-Americanas foi uma das principais vitórias dos governos progressistas. Pode parecer algo trivial, mas para se ter uma ideia, até muito recentemente, nunca havia se conseguido reunir todos os chefes de governo da América do Sul sem que os EUA estivessem presentes. Se históricamente era o imperialismo que ditava a forma de integração entre os países sul-americanos, agora eles podiam organizar-se entre si e ter voz própria nos assuntos globais.

A existência desse espaço significa dizer que nosso continente tem capacidade própria para solucionar seus conflitos, organizar politicas de integração e agir de forma combinada para resolver demandas que vão desde a defesa nacional até a compra de medicamentos mais baratos para seus sistemas de saúde.

Em 2008, quando as províncias da “meia-lua” boliviana, marcadas pela força do agronegócio, se rebelaram em um movimento separatista contra o governo Evo Morales a UNASUL foi fundamental para garantir o respaldo dos Estados sulamericanos ao Governo Democrático da Bolívia através da Declaração de la Moneda. Em 2010, quando uma rebelião policial tentou derrubar o governo de Rafael Correa no Equador o bloco também interviu para garantir a democracia e a estabilidade. No mesmo ano, o então secretário-geral do bloco, Nestor Kirchner, mediou outra crise e garantiu o reatamento de laços diplomáticos entre a Colombia e a Venezuela de Hugo Chavez.

Com a completa virada da política externa feita pelo governo Temer através dos chanceleres José Serra e Aloysio Nunes, ambos do PSDB, o Brasil deixou de ser um agente de integração e passou a ser um agente de desintegração – suspendendo a Venezuela do MERCOSUL, operando pela exclusão da mesma na UNASUL e tentando construir uma maioria contra os países ditos “bolivarianos”. Invertendo a frase de Chico Buarque, o Brasil voltou a falar manso com Washington e grosso com seus vizinhos.

Não é a tôa que praticamente desde o Golpe que derrubou a legítima presidenta Dilma Roussef a UNASUL encontra-se sob tensão. Sob um pretexto de “despolitizar” a liderança do bloco, os governos conservadores objetivam obstruí-lo e estagnar os mecanismos de integração nesse espaço que foi pilar da política externa brasileira desde a independência.

Perde a América do Sul e perde a integração regional, mas se eles acham que o povo vai aceitar calado ser governado por fantoches dos EUA podem começar a se preocupar pois estão redondamente enganados!

Eduardo Morrot é estudante de Relações Internacionais da UFRJ e Diretor de Movimentos Sociais da UNE.

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