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O Partido que queremos

Recuperar a identidade política é o grande desafio.

RAUL PONT

O XIII Encontro Nacional do PT será um marco histórico em sua trajetória de 26 anos. O congresso partidário pode dar um passo importante para “dar a volta por cima” após a profunda crise vivida em 2005. Será o momento apropriado para um balanço desse processo e para apontar o caminho da superação e de uma nova vitória eleitoral do campo democrático, popular e socialista.

Recentes pesquisas eleitorais apresentam uma tendência de fortalecimento da imagem do presidente Lula e do governo. A Revista Época, em sua edição de 06.01.06, reconheceu que, numa análise de vinte compromissos da campanha de 2002, o saldo hoje é positivo e favorável ao governo.

Impedir o projeto Bush da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), barrar novas privatizações, aumento real considerável do salário mínimo, desenvolvimento de uma nova política industrial (BNDES, plataformas e navios da Petrobrás, indústria automobilística, álcool e biodiesel, construção civil, etc); reduzir significativamente a vulnerabilidade externa, assentar em torno de 250 mil famílias sem terra são os dados inquestionáveis que a opositora Época reconhece que sustentam e dão base real a um balanço positivo, que se expressa nas pesquisas de opinião pública.

O Partido que queremos e o Encontro Nacional que necessitamos é aquele que saberá distinguir os avanços alcançados e as insuficiências, debilidades e erros cometidos no primeiro mandato, para que, desde agora, possamos dar início à sua superação.

Avançar nas mudanças
Precisamos desenvolver mecanismos de participação popular. Dar os passos necessários para construir uma democracia participativa que garanta o papel protagonista da maioria na gestão pública de forma permanente e planejada. Sem essa política estratégica, continuaremos reféns do anacrônico e insustentável clientelismo de repartir fatias do orçamento federal para deputados e senadores.

Precisamos de outro ritmo de crescimento econômico e da diminuição acelerada da taxa de juros, sem o que não se geram mais empregos, nem se combate a desigualdade social. Continuaremos à mercê de uma concepção monetarista e obcecada de enfrentamento da inflação via taxa de juros.

Precisamos enfrentar a guerra fiscal que liquida as finanças públicas estaduais e concentra recursos em um pequeno número de grandes empresas, e a brutal regressividade dos tributos que continuou intocada no primeiro mandato. Da mesma forma, urge diminuir a jornada de trabalho e garantir a regulação do trabalho aos domingos e feriados, que hoje favorece os grandes oligopólios e shoppings em detrimento do pequeno negócio individual ou familiar.

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A volta por cima. Partido precisará levantar bandeiras históricas para superar crise.

Para recuperar a identidade política do PT, é necessário um programa e uma prática que tenham lado. É preciso defender, em todos os atos, os interesses da maioria da população, dos trabalhadores, dos desempregados, dos aposentados, dos sem terra, dos sem teto, dos micro e pequenos produtores do campo e da cidade, da juventude angustiada pela ausência de emprego mas, mais ainda, sem perspectiva de futuro de que sociedade se está construindo no país.

Também precisamos aprofundar a luta pela soberania nacional no enfrentamento ao imperialismo e ao subdesenvolvimento, através da integração dos países latino-americanos e do Caribe. São diretrizes históricas da nossa construção partidária que continuam atuais e necessárias.

Por fim, não há como recuperar nossa identidade sem que o PT faça a sua avaliação, o seu julgamento daqueles dirigentes e parlamentares envolvidos nas acusações e suspeitas de irregularidades de tráfico de influência e nos financiamentos de campanha.

Este não é apenas o PT que queremos, mas o Partido e o governo necessários para aprofundarmos e avançarmos nas transformações sociais que o país precisa.

Raul Pont é deputado estadual do PT-RS e secretário-geral do PT.


 

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