Home / Conteúdos / Artigos / PT gaúcho: compromisso com o Rio Grande do Sul e com o Brasil

PT gaúcho: compromisso com o Rio Grande do Sul e com o Brasil

Na semana que passou a imprensa gaúcha reproduziu a opinião crítica de dirigentes partidários, locais e nacionais, sobre o processo de antecipação da escolha da candidatura petista ao governo do estado. Mais do que isso, a partir do posicionamento de dois deputado federais petistas, especulou sobre a hipótese do PT gaúcho apoiar o PMDB no nível estadual. Diantes desses acontecimentos a corrente PT Amplo e Democrático divulgou nota que reproduzimos.

“Cidadão não é aquele que vive em sociedade; é aquele que a transforma.”
Augusto Boal

O PT tem, hoje, uma oportunidade histórica de contribuir com seu patrimônio político, para resgatar o Rio Grande e sintonizá-lo com o Brasil. A correta decisão da direção partidária estadual em antecipar a escolha política do candidato do PT ao governo do RS está possibilitando um amplo debate com a base – nas plenárias regionais – e, ao mesmo tempo, um diálogo com partidos do campo democrático em torno das eleições de 2010. A clareza do significado deste momento conjuntural leva lideranças do porte de Olívio Dutra e Tarso Genro e Raul Pont a defender e a construir as bases de uma real unidade em torno de um programa que se expressará e desdobrará no processo eleitoral para a sociedade gaúcha e a brasileira.

Nesse contexto, duas posições veiculadas, nos últimos dias, pela imprensa, merecem profunda reflexão e exigem posição de lideranças e militantes. A primeira, foi a declaração do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, classificando o Encontro Estadual do PT e os prazos de inscrição de pré-candidaturas de extemporâneos e legalmente questionáveis. Ora, o partido faz, desde a crise do chamado mensalão, um grande esforço de revitalização da militância exatamente pela convicção de que os métodos democráticos são o antídoto para equívocos, erros ou condutas anti-éticas. Se os regramentos devem ser cumpridos – e todos concordamos com a disciplina interna – não é com a finalidade de submeter a política à burocracia.

O calendário aprovado pelo Diretório Estadual resultou de ampla discussão e está dentro das regras partidárias e da política. Colocar obstáculos prévios à sua concretização é deslocar o debate do centro político, além de revelar uma concepção verticalizada, sem espaço para decisão das estruturas regionais e das bases partidárias. O PT do RS é zeloso quanto à disciplina partidária e quanto ao seu papel na sociedade. E o que, hoje, se impõe é a firme determinação de romper a lógica neoliberal que preside a gestão do governo Yeda e criar as bases para a continuidade pós-2010 do projeto nacional representado pelo Governo do Presidente Lula. Para isso, é necessário armar a militância e estabelecer diálogo com partidos políticos e, fundamentalmente,  com a sociedade. Foi essa decisão política que orientou o calendário, não o inverso. A inércia não produzirá os efeitos que precisamos para cumprir com nosso papel.

O outro fato que merece reflexão é a defesa da tese de que podemos entregar a cabeça de chapa ao PMDB, em nome do projeto nacional, feita pelos deputados federais Emília Fernandes e Marco Maia. Não estamos falando de alianças municipais geradas por circunstâncias locais e repercussão limitada. Nem estamos tratando do próprio Governo Lula cujas alianças para o centro desempenham um duplo e paradoxal papel: ajudam na chamada governabilidade, mas, ao mesmo tempo, exigem esforços muito maiores para levar adiante o programa de governo.
Estamos falando do governo neoliberal e antipopular do PSDB de Yeda sustentado, política e estrategicamente, pelo PMDB. Estamos falando do PMDB, que vem governando o estado, sempre em conjunto com as forças neoliberais e que, em vinte anos, jamais apresentou qualquer projeto de desenvolvimento progressista para o RS.

Nós temos outra forma de ser úteis ao projeto nacional: ganhar as eleições e fazer do Rio Grande do Sul mais uma trincheira na defesa da cidadania brasileira; ajudar no  aprimoramento das instituições republicanas; executar um programa de inclusão e desenvolvimento, construindo, no governo, um espaço privilegiado para o exercício democrático do controle social e político do Estado. Abdicar destas possibilidades é concorrer para que o projeto nacional, com Dilma, fique mais dependente de aliados do que das forças sociais e petistas e mais vulnerável, sim, aos ataques da elite representada pelo PSDB-DEM (PFL) e do monopólio da mídia. Defender essa hipótese também significaria estar em um governo no RS, como coadjuvante, para fazer, exatamente, o quê? Sob que programa? Privatizar o que resta do patrimônio público? E quem se beneficiaria com isso? Estas são apenas algumas das interrogações que precisam ser feitas.

Ao mesmo tempo, afirmamos que a presidência nacional do PT não pode estar a serviço de interesses particulares, em defesa de uma falsa questão, como a de apoiar um candidato do PMDB para o governo gaúcho.

O PT do RS tem erros e limites, mas foi este PT que lançou, para o Brasil e para o mundo, o Orçamento Participativo; que organizou e hospedou a primeira edição do Fórum Social Mundial; que é referência para o petismo no Brasil; que enfrentou Collor e FHC, dando quatro vitórias consecutivas ao Presidente Lula antes da primeira vitória à Presidência da República; que projetou e ajudou a construir, nacionalmente, figuras da envergadura de Olivio Dutra, de Tarso Genro e da própria ministra Dilma Rousseff (que foi Secretária de Minas e Energia e Comunicação do  governo de Olívio, no RS).

Lutamos 29 anos, através do PT,  para mudar o  Brasil e temos orgulho desta trajetória e, se uma dose de pragmatismo na política é necessário, assim mesmo não pode ser de tal ordem que nos transforme em nosso contrário e que, a partir de então, a política se torne uma exercício repetitivo de como chegar ao poder e de permanecer nele mesmo que despido de conteúdo, de programa e de sintonia com os anseios e a luta do povo brasileiro, em especial dos gaúchos.

Conclamamos, pois, nossas lideranças e nossos militantes a manifestarem sua indignação com a forma pouco respeitosa de tratar o PT do RS. O PT tem uma história que não pode ser rasgada em nome de supostas razões mais amplas. Estas questões não são apenas circunstanciais. São emblemáticas do modo de conceber e de conduzir o partido. Se estão de acordo com nossas convicções ou na contramão do que queremos para o PT, é o que temos que definir. É fundamental que o façamos, urgentemente.

Por um PT/ RS digno de sua história!
Na defesa da candidatura própria ao Governo do RS! Com Lula e Dilma por um Brasil ainda mais justo e democrático!

Porto Alegre, 03 de maio de 2009.

PT AMPLO E DEMOCRÁTICO

Veja também

Carta ao povo brasileiro

Em texto enviado neste domingo (13) movimento reafirma convicção na inocência de Lula defende seu direito de concorrer às eleições presidenciais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Comente com o Facebook