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Quiçá fascistas – não é com ditadura militar que a corrupção será debelada

No momento, recordo que em 2014 essa mesma associação propôs suspender o direito de voto aos beneficiários dos programas de transferência de renda, como, por exemplo, o Bolsa Família. Na ocasião, a ACIPG publicou uma cartilha defendendo isto e chamou um debate com os candidatos a deputado da região. Durante o debate, propôs que os candidatos assinassem um termo de compromisso defendendo o fim do voto para os necessitados que recebiam o Bolsa Família. Quem assinasse teria o apoio dos empresários.

Creio que alguns candidatos, pensando igual a estes empresários, ou por demagogia, assinaram o compromisso.

Naquele momento, em um artigo intitulado “Não são imbecis”, lembrei que o BNDES emprestava dinheiro a juros menores do que os do mercado aos industriais, empreiteiros, etc. E o Banco do Brasil também emprestava, a juros subsidiados, aos agricultores grandes, médios e pequenos. Estes últimos, através do Pronaf. Portanto, os grandes empresários e os grandes fazendeiros são os que levavam e levam o maior bolo de recursos públicos.

Raciocinando pela lógica deles, os beneficiários destes empréstimos também não poderiam votar.  A ACIPG volta, acompanhada de mais de vinte entidades empresarias, a público clamando contra a democracia. Pior: vem a público pedir uma ditadura militar.

Junto com tantas outras entidades empresariais, ela foi construtora do golpe contra a Dilma. Foram, portanto, construtores do caos econômico, social, institucional, politico e moral que hoje reina em nosso país. Construíram o caos e, para debelá-lo, entendem que banindo a democracia tudo se resolve. Parte do caos que ainda hoje vivemos é resultado do último período (1964-1985) ditatorial.

Na “Carta pública de apoio ao General Mourão”, afirma a ACIPG e as demais entidades empresariais que o general Mourão “declarou recentemente que uma intervenção militar pode ser adotada se o judiciário não resolver o problema político referente à corrupção”.

Escrevem eles: “Concordamos com o oficial do Exército Brasileiro que a política nacional chegou ao nível máximo de tolerância e exigimos que o Poder Judiciário cumpra com sua função de afastar da vida pública essas pessoas que estão acabando com as riquezas do país. Não podemos aceitar que negociatas políticas permitam que as mesmas pessoas continuem a levar o Brasil à ruína. Há conforto em saber que existem brasileiros como ele que ainda se preocupam com a nação e se disponibilizam a lutar pelo futuro.”

Nota-se: nada aprenderam nos últimos anos. Ou será que são autoritários mesmo? Quiçá fascistas? Na dúvida se são fascistas, vou incorrer num pleonasmo, e autoritários ou de memória curta, vou cobrá-los e rememorá-los.

As pessoas que estão levando o Brasil à ruína foram colocadas onde estão por eles (ACIPG), os golpistas, e não é com ditadura militar que a corrupção será debelada. É bom lembrar que na ditadura havia corrupção e ela era varrida para debaixo do tapete.

Além de corrupção, toda e qualquer oposição, mesmo a mais branda, não era permitida. Os opositores eram presos, torturados, banidos e assassinados. Os Poderes Legislativo e Judiciário eram manietados. Imperava a fome e a miséria e não se podia reclamar. Os que reclamavam ou denunciavam, como Josué de Castro, tiveram seus direitos cassados e foram obrigados a viver no exílio.

Se estes empresários desejam realmente que o Brasil volte à democracia, só há uma solução: é por para fora Temer et caterva e chamar eleições diretas, já.

Dr. Rosinha foi deputado federal por 4 mandatos consecutivos e atualmente é presidente do PT PR.

 

 

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