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Roteiro de Bush na AL revela fracasso dos EUA, avalia Dr. Rosinha

Em discurso nesta quinta-feira (8/3), deputado do PT também criticou as intervenções militares dos EUA no Iraque e no Afeganistão. “Em qualquer guerra, as mulheres e crianças são as vítimas que mais sofrem.”

O roteiro e a temática da visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a uma série de países da América Latina revelam o fracasso das políticas desenvolvidas pela Casa Branca. A avaliação é do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), em pronunciamento feito nesta quinta-feira (8/3) na Câmara dos Deputados.

“Bush evitou cuidadosamente países como Venezuela, Bolívia, Equador e até mesmo a Argentina, que, embora importantes na região, têm hoje regimes que se contrapõem aos interesses hegemônicos da única grande potência do planeta”, observa Dr. Rosinha.

Conforme o deputado federal petista, tais regimes surgiram devido ao fracasso das políticas “neoliberais” no continente, implantadas com o apoio de governos norte-americanos. “Essas políticas resultaram no aumento da concentração da renda e dos níveis de pobreza.”

Em seu pronunciamento, Dr. Rosinha chega a afirmar que Bush “beira o escárnio” ao oferecer a países latino-americanos “o mais despudorado assistencialismo”. “A ênfase na cooperação na área dos biocombustíveis, embora importante do ponto de vista ambiental, revela o maior fracasso do presidente Bush: a sua desastrada política antiterrorista e suas canhestras intervenções no Oriente Médio”, sentencia o parlamentar.

As intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são um alvo duro do discurso. “Feitas sob a desculpa esfarrapada de criar um Oriente Médio ‘estável e democrático’, [as duas invasões] resultaram no acirramento das crises políticas pré-existentes e, no caso específico do Iraque, numa franca guerra-civil”, anota Dr. Rosinha. “E em qualquer guerra, as mulheres e crianças são as vítimas que mais sofrem”, acrescentou, fazendo referência ao Dia Internacional da Mulher.

A atual situação caótica no Iraque explicaria inclusive o “inusitado” interesse de Bush em relação aos biocombustíveis, aliada à imagem de um suposto compromisso internacional com o meio ambiente —apesar de os EUA seguir sem assinar o Protocolo de Kyoto.

Sem prestígio e decadente – “O pior é que a invasão do Iraque foi efetuada ao arrepio do sistema de segurança coletiva das Nações Unidas, bem como das normas mais elementares do direito internacional público, e com base na desinformação intencional da opinião pública”, prossegue Dr. Rosinha.

O mundo foi levado a acreditar que o ex-ditador Sadam Hussein tinha perigosas armas de destruição em massa. “Esse unilateralismo belicoso e cínico vem tornando o mundo mais inseguro e alastrando o terrorismo fundamentalista em todas as regiões do globo.”

Por tais razões, segundo o parlamentar, Bush é hoje um presidente “sem nenhum prestígio”. “Só nos resta manifestar o nosso veemente repúdio à visita inoportuna e inútil desse presidente decadente”, conclui Dr. Rosinha.

“Ao mesmo tempo, manifestamos a nossa esperança de que o Brasil, que vem praticando política externa correta e soberana, não ceda às pressões do governo Bush para isolar politicamente os regimes democráticos e legítimos da América Latina.”


Abaixo, a íntegra do pronunciamento de Dr. Rosinha (PT-PR).

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,

Sobre a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil quero registrar nos Anais da Câmara dos Deputados o pronunciamento que faço, no que sou apoiado por outros parlamentares.

1. O roteiro e a temática da visita do presidente Bush à América Latina revelam claramente os fracassos das políticas desenvolvidas pela Casa Branca.

2. Na sua viagem hemisférica, Bush evitou cuidadosamente países como Venezuela, Bolívia, Equador e até mesmo a Argentina, que embora sejam importantes na região, têm hoje regimes que se contrapõem aos interesses hegemônicos da única grande potência do planeta.

3. No entanto, esses regimes surgiram devido ao fracasso das políticas neoliberais no continente, as quais foram implantadas com forte pressão de governos norte-americanos, inclusive o de Bush. Essas políticas resultaram, em geral, no aumento da concentração da renda e dos níveis de pobreza, em taxas de crescimento medíocres e no desmantelamento dos mecanismos que os Estados dispunham para implementar políticas relativamente autônomas de desenvolvimento.

4. Agora, numa atitude que beira o escárnio, o presidente Bush oferece aos países latino-americanos o mais despudorado assistencialismo, como forma de tentar mitigar os nefastos efeitos sociais das políticas exigidas por seu governo.

5. Em vez de um diálogo franco, o faz-de-conta cerimonial; em vez de uma discussão séria sobre a profunda crise na América Latina, a superficialidade do assistencialismo e da máquina de propaganda do Império.

6. A ênfase na cooperação na área dos biocombustíveis, embora importante do ponto de vista ambiental, revela, por seu turno, o maior fracasso do presidente Bush: a sua desastrada política antiterrorista e suas canhestras intervenções no Oriente Médio.

7. Com efeito, as invasões do Afeganistão e do Iraque, feitas sob a desculpa esfarrapada de criar um Oriente Médio “estável e democrático”, resultaram no acirramento das crises políticas pré-existentes e, no caso específico do Iraque, numa franca guerra-civil que provavelmente resultará em novo ordenamento geopolítico da região. O governo Bush, que esperava ter melhor acesso ao petróleo com tais intervenções, vê –se agora refém da sua própria obtusidade. Daí o seu inusitado interesse nos biocombustíveis, o qual passa à margem de um compromisso internacional coerente com o meio ambiente, pois ele continua a recusar o Protocolo de Quioto.

8. O pior, entretanto, é que a invasão do Iraque foi efetuada ao arrepio do sistema de segurança coletiva das Nações Unidas, bem como das normas mais elementares do direito internacional público, e com base na desinformação intencional da opinião pública norte-americana e mundial, que foi levada a acreditar que Sadam Hussein tinha perigosas armas de destruição em massa. Esse unilateralismo belicoso e cínico vem tornando o mundo mais inseguro e alastrando o terrorismo fundamentalista em todas as regiões do globo.

9. Por tais razões, Bush é hoje um presidente sem nenhum prestígio, que fez o seu partido perder de forma vergonhosa as últimas eleições legislativas e majoritárias.

10. Assim sendo, só nos resta manifestar o nosso veemente repúdio à visita inoportuna e inútil desse presidente decadente, que representa o que há de pior no cenário mundial.

11. Ao mesmo tempo, manifestamos a nossa esperança de que o Brasil, que vem praticando política externa correta e soberana, não ceda às pressões do governo Bush para isolar politicamente os regimes democráticos e legítimos da América Latina que tanto desagradam os interesses hegemônicos do império na região.

Sala das Sessões, 8 de março de 2007.
Deputado DR. ROSINHA

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