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Sobre a história, a impunidade e a responsabilidade dos torturadores

Aproveitando a discussão sobre a anistia e a responsabilização dos torturadores, o companheiro Flávio Koutzii oferece essa bela contribuição.

Há divergências jurídicas.

Há avaliação sobre as motivações e cálculos políticos.

Há os que apenas julgam da conveniência de tocar no assunto.

Há sempre o jogral dos analistas de oportunidade.

(Nunca é hora para eles)

 

Mas para os que não esqueceram:

Há um grito suspenso no ar.

Há uma dor infinita.

Há um tabu indecente.

Há um seqüestro invisível.

(A honra das Forças Armadas de hoje, reduzida a escudo silencioso, da responsabilidade não assumida das Forças Armadas de ontem no golpe)

 

É claro que os torturadores têm que ser responsabilizados.

É certo que a anistia não é igual à amnésia.

É evidente que a história não aceita ficar sem sentido,

nem com censura, nem com cortes, como um filme proibido.

É certo que não há a mais remota possibilidade de igualar

quem lutou contra a ditadura

com quem prendeu, torturou e matou pela ditadura.

É certo que esta história tem começo, meio e fim:

e o começo é o golpe de estado,

a derrubada de um governo legal,

a censura aos jornais,

o fechamento dos partidos,

a suspensão do estado de direito,

a perseguição implacável.

 

As Forças Armadas é quem deram o golpe (junto com seus aliados civis).

 

Aqui, a ordem dos fatores altera o produto e o significado.

Eles, a ditadura, nós, a resistência.

Então quem fica ofendido somos nós!

Nós – “os elementos” – cidadãos na nossa opinião,

democratas, porque lutamos para restaurá-la.

 

Espantados, com a covardia

dos que não assumem suas responsabilidades

Deram ou não o golpe?

Perseguiram ou não?

Torturaram ou não?

 

Então, por favor!!!

 

É inaceitável que as Forças Armadas de hoje fiquem reféns

de um passado ditatorial indefensável.

 

Na verdade, no Brasil, além dos “desaparecidos”, há uma grande desaparecida:

 

A VERDADE HISTÓRICA

 

História, entendida como reconhecimento dos fatos,

a totalidade das circunstâncias.

A História em tempo real

A História com muita luz

e pouca sombra

A História para e do povo brasileiro

de todos os brasileiros: civis e militares

Tudo, não para o maniqueísmo simplório,

mas para respeitar a dignidade e a tragédia

de um grande período da história recente do Brasil

dos vinte longos anos de chumbo.

 

Lamentavelmente as Forças Armadas propõem

a esquizofrenia como situação permanente.

Não assumem sua responsabilidade.

Desrespeitam o Poder Executivo (legitimado pelo voto).

Atuam como contra-poder.

Logo defendem o que foram.

Logo são hoje o que foram ontem.

Mas isto, não é bem assim.

Isto é uma memória doente.

Verdade amputada.

Simulação inaceitável.

Queremos que os jovens soldados e os jovens oficiais

sejam livrados destes grilhões enferrujados.

E se devolvam para este Brasil.

Impressionante de presente

Futuroso

E haverá que defendê-lo de muitas maneiras:

suas possibilidades,

seu petróleo,

sua Amazônia,

suas fronteiras,

sua economia

e acima de tudo:

sua gente brasileira,

seu futuro,

seu orgulho,

sua história.

 

Flavio Koutzii
Porto Alegre, 14 de agosto de 2008

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