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Sobre comícios domésticos

O site Democracia Socialista passa a publicar as “dicas de campanha” organizadas pelo companheiro Beto Bastos. A ideia é socializar a experiência de campanhas eleitorais, em especial, para candidaturas proporcionais, a fim de conquistarmos o melhor resultado possível com as ferramentas de que dispomos.

Beto Bastos *

O que evitar em Comícios Domésticos

Em campanha todos querem sinceramente ajudar os candidatos por quem se tem simpatia. Porém, em várias situações, a tentativa de ajuda mascara um outro lado, a autovalorização das pessoas. Quem não gostaria, com as melhores intenções, de patrocinar um comício doméstico na sua casa com o Lula e a Dilma? Pois é, não pensem que no caso de candidaturas proporcionais é diferente. Sempre começam a pipocar pedidos de comício doméstico para sábados à tarde, no geral, com um público já ganho pelos donos da casa.

Vou dar um exemplo concreto. Imaginem um amigo seu, apoiador de um candidato X, que comemorará seu aniversário no domingo. Você estará na festa e mais umas 50 pessoas, entre parentes e amigos. Essa festa se transforma num comício doméstico. Algumas indagações:

– Qual o resultado da atividade? Todos votarão no candidato ou candidata proposto.

– Se o(a) candidato(a) não fosse convidado(a), qual seria o resultado? Todos votarão nele(a).

– Com a presença do(a) candidato(a), quem ganha prestígio? O aniversariante.

É isso que temos de evitar. Se formos fazer comícios domésticos com todos que gostam do candidato que apoiamos, só faremos isso e o resultado não será muito diferente. Portanto, atenção na construção dessas atividades:

– Deverão preferencialmente ser realizadas à noite, e quando começar a campanha formal, restringirem-se às segundas e terças. Claro que, a depender das lideranças envolvidas, poderá ser um sábado, sempre à noite, mas como exceção.

– Deverão trazer um público novo, agregar novas áreas, a finalidade é apresentar o candidato.

Estarmos preparados/as para furos

A pior coisa de campanha é termos uma atividade montada por nós, para a qual nos empenhamos, e na última hora o candidato cancela. Dá vontade de matar o candidato, fuzilar a coordenação de campanha e sair dela. Pois é, preparem-se, todos nós passaremos por isso. Darei o exemplo mais incômodo. Certa vez, marcamos um comício doméstico na casa de amigos antigos. Era um público novo, de um bairro onde não tínhamos campanha. Estavam confirmadas 35 pessoas, o casal se envolveu na encomenda de bebidas e salgadinhos. Terça à noite. Eis que, segunda, o candidato ou candidata recebe um convite para jantar com um empresário que está disposto a fazer contribuir financeiramente para a campanha.

O exemplo pode parecer exagerado, mas, em menor ou maior grau, isso acontece. É uma baita saia justa, mas temos que nos preparar para esse tipo de situação com maturidade, sabendo que, em alguns casos, perderemos votos numa ponta, mas a escolha tem de ser feita.

* Beto Bastos é dirigente do PT-RJ.

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