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Somos Argentina: por uma nova unidade de esquerda – Raoni Beltrão do Vale

De 14 a 17 de março, ocorreu o I Congresso do Somos Argentina, nova agremiação política de esquerda, cujas principais referências políticas são a Deputada Nacional por Buenos Aires, Victoria Donda, o Coordenador Nacional do movimento popular “Barrios de Pie”, Daniel Menendez, e Raquel Vivanco, Coordenadora Nacional do movimento “Marea Feminista Popular y Disidente”.

O Congresso contou com cerca de 600 delegadas(os) de 20 províncias. Participaram a ex-candidata presidencial do Frente Amplio chileno, Beatriz Sánchez, o deputado nacional por Montevidéu, Alejandro “Pacha” Sánchez, do Frente Amplio uruguaio, o vereador de Assunção, Rodrigo Buongermini, e Joaquim Soriano, diretor da Fundação Perseu Abramo.

“Somos” reúne várias pessoas que militavam no movimento “Libres del Sur” e decidiram apostar por um projeto político coletivo feminista, participativo e latino-americano. Visando a construção de uma grande unidade de toda a oposição ao governo de Mauricio Macri, para ganhar as eleições este ano, e terminar com as políticas de ajuste, fome e endividamento, que levaram o país a viver uma grave crise socioeconômica.

O ponto alto do Congresso foi a mesa que debateu os caminhos da unidade para governar a Argentina. Que contou com a presença de Pino Solanas, diretor de cinema e senador por Buenos Aires, do movimento “Proyecto Sur”, Alberto Fernández, ex-chefe de gabinete de Néstor Kirchner e Cristina Fernández, e Felipe Solá, um dos pré-candidatos à presidência, do Partido Justicialista, entre várias outras lideranças da esquerda.

 

A mensagem de “unidade doa a quem doer”, para derrotar a Mauricio Macri, demonstrou o avanço da construção de uma frente patriótica que pretende lançar uma candidatura presidencial unificada, em junho deste ano, quando encerram as inscrições para as eleições de outubro, que definirão a presidência, vários governos locais e postos legislativos.

Com duas líderes feministas de destaque nacional, “Somos” é uma das principais expressões oriundas da luta pela legalização do aborto na Argentina, simbolizada pelos lenços verdes. Victoria Donda foi responsável pela aprovação da Lei de Paridade de Gênero na Câmara, que exige intercalar mulheres e homens nas listas aos cargos eletivos em todas as esferas legislativas. No 8 de março deste ano, a deputada propôs a criação de um Ministério das Mulheres, Diversidades e Dissidências, com ampla repercussão e apoio popular.

A nova agremiação aporta juventude, movimento popular e luta feminista à frente opositora unificada, representando uma base de apoio essencial à esperança de retomada progressista de uma Argentina afundada em uma nova crise e endividada como nunca. “Somos” traz militantes que da oposição de esquerda ao governo de Cristina Fernández agora voltam a falar à setores kirchneristas, fortalecidos para a disputa eleitoral. “Somos pretende retomar as experiências de governos progressistas como ponto de partida, frear o avanço conservador e neoliberal, fortalecer a integração dos povos latino-americanos, integrar a democracia radical e o feminismo como eixo transversal da política.

Raoni Beltrão do Vale é defensor de direitos humanos e militante da Democracia Socialista do PT

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