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Tarso Genro: Tentaram a destruição do PT como comunidade partidár

319355Publicamos aqui a intervenção do companheiro Tarso Genro, publicado hoje no jornal Estado de São  Paulo, por considerar que ela traz elementos importantes para um posicionamento do PT frente ao ataque generalizado que volta a sofrer por ocasião do julgamento do vulgarmente chamado “mensalão”.

A atitude de um partido socialista deve ser a de denunciar os ataques da direita e, ao mesmo tempo, a de aprender criticamente com a experiência, reafirmando sua opção de transformação radical da sociedade, o que inclui a própria questão da democracia. Radicalizar a democracia, torná-la substantiva e participativa, é o caminho para olhar para frente e para enfrentar o ódio dos que querem aniquiliar nosso partido.

Do site do Estado de S. Paulo

Refiro-me à questão do mensalão com uma questão política do Estado brasileiro, da política brasileira, e não como um processo judicial sob o qual deveremos esperar os resultados. O mensalão, sob essa ótica, foi um divisor de águas na história do PT porque nos defrontamos com um massivo ataque, pode-se dizer, de 90% da mídia do País, com um processo de incriminação “em grupo”. A incriminação não foi direcionada para indivíduos ou grupos definidos, e sim para uma comunidade partidária em abstrato. É tática usada pelas posições extremistas e autoritárias que apareceram na história moderna. Vejam o nazismo: incriminação em abstrato de uma raça. Vejam o stalinismo: incriminação em abstrato de toda pessoa discordante do regime. Vejam a visão que paira em determinadas posições políticas no Oriente Médio: os muçulmanos, “em geral” os fundamentalistas, são culpados de tudo.

 

O que ocorreu no mensalão, mais do que a preparação de um processo judicial, foi uma tentativa de destruição do PT como comunidade partidária, porque todos os indivíduos que integravam o PT e toda a comunidade petista não partidária foram incriminados.

 

Temos de aprender com essa experiência e tomar extremos cuidados com qualquer tipo de comportamento nosso frente às estruturas do Estado brasileiro, para que não proporcionemos novamente uma unidade tão grande contra o PT, que foi atacado como projeto partidário, como comunidade ética e comunidade política – e por isso o mensalão foi um divisor de águas.

 

Mesmo assim, defendo que estava correto em propor o movimento da refundação do partido. A proposta causou um estranhamento nos dirigentes mais antigos do PT, porque se pensou, na oportunidade, que era um movimento contra uma geração. A ideia, porém, era buscar uma renovação e uma reconstrução partidária. E, mais do que isso, de renovação da cultura partidária do PT. Daí nasceu a corrente interna “Mensagem ao Partido”, que tem dado uma contribuição importante aos debates de fundo sobre o PT. Se observarmos os documentos da “Mensagem ao Partido”, estão ali todos os elementos políticos, ideológicos e programáticos de uma visão refundacionista, que quer dizer: reestruturação, renovação, planejamento cultural e manutenção das ideias socialistas democráticas que estão na origem do PT.

 

O que podemos tirar como lição do mensalão é tentar proporcionar uma nova cultura política do PT, que construa uma estratégia de alianças não somente a partir de necessidades imediatas, mas de fundamentos programáticos e ético-políticos mais sólidos. Um partido novo como o PT, que tem uma história política dentro de um País de vida democrática recente, tem de saber assimilar esse conceito. Por exemplo: não sou contra alianças com o “centro”, sou a favor das alianças com o “centro”, mas defendo que devem ser construídas a partir de uma aliança com outros partidos de esquerda. Uma aliança com outros partidos de esquerda dá mais fundamento programático, e o fundamento programático faz o balizamento do comportamento das pessoas na estrutura do Estado. Essa é uma herança clara que nós temos de saber assimilar e processar.

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