Home / Conteúdos / Artigos / 7º Congresso do PT: Reconectar o PT com a luta do povo! | Karol Cavalcante

7º Congresso do PT: Reconectar o PT com a luta do povo! | Karol Cavalcante

No momento de uma encruzilhada histórica o PT chega ao seu 7º Congresso Estadual que será realizado neste fim de semana 19 e 20 de Outubro (sábado e domingo) em Belém, com a participação de 300 delegados e delegadas, lideranças do partido e parlamentares que durante os dois dias de encontro deverão debater a conjuntura nacional e o futuro do partido no Pará. 

Como parte da agenda que antecedeu o calendário de realização do congresso estadual, aconteceu a eleição das direções municipais e a eleição dos delegados e delegadas para o congresso. Ambos os processos foram realizados no último dia 08 de setembro em todo o país e no Pará contou com a participação de 19.396 filiados/as que compareceram às urnas, uma evolução de 73% quando comparado ao PED de 2017 em que tivemos praticamente um consenso em torno da presidência e uma redução, mesmo que insignificante, quando comparado ao PED 2013 em que houve intensa disputa. Do total de 19.396 que foram as urnas, 3.445 se inscreveram para participar de chapas municipais e estaduais (filiados poderiam concorrer em mais de uma chapa, desde que em nível diferente). Em 126 municípios aconteceram eleições e em apenas duas cidades Belém e Oeiras do Pará aconteceu segundo turno. Lamentavelmente mais uma vez foi uma eleição interna marcada por interferências externas de filiados de outros partidos e pela reprodução para dentro do nosso partido de práticas e vícios que tanto condenamos nas eleições “tradicionais” como é o caso do poder econômico das forças majoritárias que controlam o PT. Contudo, neste PED, quatro candidaturas a presidência estadual encabeçaram as chapas, sendo que pela primeira vez, em 40 anos, uma mulher disputa a eleição como candidata à presidência. 

A conjuntura política no Brasil mudou radicalmente nos últimos três anos. Assistimos o afastamento da presidenta Dilma Rousseff (PT), em um golpe parlamentar liderado pelo MDB em acordo com a mídia, setores do judiciário e do capital financeiro. A prisão injusta do presidente Lula em uma clara tentativa de interditá-lo politicamente e impedir sua vitória a presidência da república e a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro em uma eleição marcada pelas fake news. Neste período assistimos os desmontes das leis trabalhistas, ataque a previdência pública, o ataque a educação pública, o desmatamento da Amazônia e a desigualdade social crescerem assustadoramente. Hoje, o país se caracteriza como uma nação em que as elites passaram a ficar cada vez mais ricas, enquanto que os pobres estão sendo retirados do orçamento, os programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida estão sendo reduzidos e o desemprego e o trabalho informal precário só crescem. É nesta conjuntura, tão cruel ao povo brasileiro que o maior partido de esquerda do país realiza o seu 7º Congresso. 

Nossas diferenças práticas de visão sobre como o partido deve combater a realidade criada pelo golpe de 2016 estão entre a centralidade da disputa do nosso congresso. Atualmente no PT do Pará enfrentamos um distanciamento do PT das lutas sociais que se expressa na excessiva burocratização partidária, no esvaziamento da direção, nos super poderes delegados aos mandatos parlamentares que agem como se fossem maiores que a direção do partido e na ausência de diálogo com as nossas bases. No atual momento conjuntural do país que tem exigido do PT capacidade e disposição para o enfrentamento nas lutas ao governo de Jair Bolsonaro, parcela significativa do partido segue acreditando na ilusão em pactos com as classes dominantes, antidemocráticas e antinacionais. Por isso temos defendido que é necessário um programa que dialogue com esse novo Brasil e uma nova política de alianças baseada na unidade das forças políticas e sociais da esquerda.

O futuro do PT do Pará depende da retomada do seu papel protagonista, da manutenção da sua pluralidade, da necessária e urgente transição geracional e também da capacidade de nossas principais lideranças em entenderem que não somos um partido vocacionado a ser apêndice eleitoral de velhas oligarquias locais ou apenas uma máquina eleitoral, de disputar eleições a cada dois anos, que temos vida e agendas partidárias que não se limitam aos acordos de gabinetes. Apresentamos como propostas de resolução ao congresso do PT do Pará: Lutar por novas eleições livres, justas e plenamente democráticas que só podem acontecer com Lula livre e participando ativamente do processo político, a defesa de novas eleições presidenciais, protagonizar a luta pelo Fora Bolsonaro, construir uma frente de esquerda com partidos e movimentos sociais capaz de consolidar uma aliança política/eleitoral que apresente um programa alternativo para sociedade e o fim do PED, que o PT crie um novo formato de escolha de suas direções e que também possa constituir um funcionamento transparente das finanças do partido. 

A defesa pela liberdade de Lula é a luta pela defesa da democracia, dos que mais precisam, dos que sofrem com as políticas neoliberais do governo de Bolsonaro precisam estar em nossa centralidade, na luta cotidiana do partido. Precisamos ter posição clara sobre temas da conjuntura, sem titubear entre o que historicamente defendemos e acordos de interesse de alguns de nossos mandatos parlamentares de sobrevivência em base de governo. Neste sentido é inaceitável que a chacina do Guamá e as torturas praticadas por agentes do estado nos presídios paraenses contem com o silêncio do PT. A população carcerária desse estado é formada em sua ampla maioria por jovens, negros e pobres. São essas pessoas que estão sendo torturadas nos presídios paraenses e o mesmo perfil dos que são executados nas periferias de Belém.

Faço um chamado aos delegados e delegadas que irão debater o futuro do partido neste fim de semana, a nova direção do PT, que será eleita, tem que mudar a prática partidária vigente. Nossa direção não pode ser o simples reflexo de um conjunto de interesses de mandatos parlamentares ou grupos encastelados na burocracia do PT, por mais importantes que o sejam. Tem que ter legitimidade suficiente para tomar decisões de caráter estratégico e capacidade de mobilizar forças no sentido da formulação de um programa renovado para a esquerda paraense em conjunto com nossos aliados históricos. É urgente uma mudança radical na direção e nos rumos do partido, sob pena de frustrar os que ainda se dispõem a nos defender. A unidade política do PT do Pará será na luta do povo! 

Karol Cavalcante é socióloga, mestra em Ciência Política pela UFPA, membro do Diretório Nacional do PT e candidata a presidenta estadual do PT do Pará.

Veja também

O continente dos caminhos que bifurcam | Ariel Navarro

O mundo é um ferro quente e disso se trata tudo, amor, dos labirintos só …

Comente com o Facebook