Democracia Socialista

Ana Júlia é eleita governadora do Pará

O maior colégio eleitoral da região Norte elegeu a petista Ana Júlia Carepa, que deixa seu mandato como senadora do Estado e põe fim à hegemonia do PSDB, que há 12 anos governa o Pará. A petista derrotou o candidato da situação, o tucano Almir Gabriel, apoiado pelo atual governador Simão Jatene (PSDB), com 54,93% dos votos válidos, contra 45,07%.

Com 48 anos, formada em arquitetura e bancária concursada, a senadora Ana Júlia Carepa, do PT, será a primeira mulher a governar o Pará. Em 2000, foi a vereadora mais bem votada da história do Estado e em 2002 tornou-se a primeira senadora eleita pelos paraenses. Em 2004, foi derrotada na disputa pela prefeitura de Belém.

Virada
Gabriel seguiu na liderança na corrida eleitoral no Pará, mas nas últimas semanas as pesquisas já apontavam favoritismo de Ana Júlia. A petista conseguiu absorver os bons resultados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado. Lula teve votação expressiva no Estado no primeiro turno, com mais de 50% das intenções de voto.

A petista considera fundamental sua vitória para o futuro da governabilidade de Lula. Ela destacou a participação do PMDB em sua aliança e importância disso para o mandato de Lula. “Acho que foi um projeto político que venceu, um projeto diferente do que estava administrando o Pará e semelhante ao projeto que venceu no Brasil há quatro anos e agora”, avaliou.

No primeiro turno, Ana Júlia ficou em segundo lugar com 37,45% dos votos válidos, contra 43,97% dos votos de Gabriel.

Campanha dura
Com uma disputa acirrada, o Pará foi um dos Estados que recebeu auxílio de tropas federais para garantir a segurança da votação. Na última semana, surgiram denúncias de apreensão de cerca de 9.000 jornais apócrifos contra Ana Júlia. O material teria sido produzido pelo PSDB.

Ana Júlia teve de fazer parte da campanha sentada em uma cadeira de rodas. A petista quebrou a perna direita ao cair de um palanque improvisado, montado sobre a carroceria de um caminhão, em Canaã dos Carajás (850 km de Belém), no dia 3 de setembro.

O primeiro cargo de Ana Júlia foi o de vereadora, em 1992. Três anos depois, Ana Júlia deu um passo maior e elegeu-se deputada federal. Nas eleições de 2000, Ana Júlia elegeu-se como a primeira senadora pelo Pará, com votação expressiva.
Prioridades anunciadas

Ana Júlia disse que não quer  entrar para a história apenas como a primeira mulher governadora do estado. Prometeu fazer estradas, hospitais, escolas, educação de qualidade. “Mas a minha maior obra será melhorar a qualidade da vida do povo do Pará”, acrescentou.

A nova governadora reafirmou suas principais promessas de campanha: “Colocamos sempre, como compromisso, mais segurança, chegar com a saúde mais próximo do povo e ter educação de qualidade”, disse. Ela garantiu que já no primeiro ano de governo abrirá concurso público para essas três áreas. Também logo no começo do governo, pretende instituir a bolsa-trabalho, um programa que combinará capacitação profissional com ajuda financeira, voltado prioritariamente para jovens, mulheres e trabalhadores rurais que respeitem o meio ambiente.

Mudar o modelo econômico do Estado, que responde por quase 15% do território nacional, é outra prioridade da governadora eleita.  “Mudar para que possamos agregar valor aos nossos produtos minerais, naturais, florestais. Não é possível mais que sejamos apenas exportadores de matéria-prima”, afirmou, lembrando que o Estado é responsável por 10% da balança comercial brasileira, o 11° estado no PIB e o 21° na renda média.

“Essa distorção tem que mudar, o povo tem que ter acesso a essa riqueza” destacou Ana Júlia. “Precisamos agregar valor àquilo que é nossa maior riqueza para distribuir renda e gerar empregos. Isso vai vir com formação profissional e tecnologia. Só assim nós podemos mudar a base produtiva do estado do Pará”.

Para garantir a governabilidade, Ana Júlia se propõe a dialogar até mesmo com partidos de oposição. O  adversário Almir Gabriel, do PSDB, concorreu por uma coligação formada por nada menos do que 14 partidos (coligação União pelo Pará, PP-PTB-PSC-PL-PFL-PAN-PRTB-PHS-PMN-PTC-PV-PSDB-PRONA-PT do B). Também recebeu apoio formal do PPS e do PDT. “O meu objetivo é governar para o Pará, então vou dialogar com todo mundo”, garantiu.

A candidata eleita do PT revelou que ainda nesta semana deve compor uma equipe para iniciar a transição com o atual governo, do peessedebista Simão Jatene. “Espero que seja tranqüilo, pois estamos numa democracia. Espero que agora o adversário que está no governo esqueça o momento eleitoral”, afirmou. Com relação à formação do novo governo, disse que será definida mais para frente, mas antecipou que pretende administar o estado de forma descentralizada e percorrer todas as regiões do Pará. “Não é apenas chegar de manhã e sair de tarde. É realmente conhecer de perto os problemas para dar as soluções e governar de forma equilibrada com o orçamento, em parceria com o presidente Lula”.

Fonte: Portal do PT, com informações da Agência Brasil