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Avanços e impasses nos países imperialistas

Jornal DS – 18. Juventude e imigrantes se levantam no centro do imperialismo.

A França foi palco de grandes mobilizações contra a lei do contrato de primeiro emprego, pela qual o governo Chirac pretendia flexibilizar a demissão de trabalhadores – medida que, segundo a propaganda neoliberal, facilitaria a contratação! Foram organizações estudantis – cuja decadência havia sido decretada por muitos na esquerda -, junto com o fragmentado movimento sindical – cujo atestado de óbito era ainda mais antigo -, que impulsionaram os protestos que levaram o governo a retirar a lei aprovada.

Essa foi a terceira convulsão francesa em pouco tempo. Houve a revolta de outro setor de jovens, o dos filhos e netos de imigrantes, moradores das periferias, que durante vários dias promoveram quebra-quebras em protesto contra a repressão policial. Antes disso, a maioria do eleitorado votou “não” à constituição européia, em rechaço às ameaças aos direitos sociais contidas nela.

O peculiar é que essa sucessão de mobilizações não encontrou fio condutor em um projeto alternativo. Passado o impacto da mobilização, as esquerdas partidárias se recolhem à sua inércia, e não produzem um projeto político capaz de expressar a rejeição da população às políticas neoliberais.

Itália e EUA
Na Itália, por estreita margem, a ampla aliança que apoiou a candidatura de centro-esquerda de Romano Prodi derrotou o primeiro-ministro direitista Silvio Berlusconi. O governo Prodi certamente trará novidades à cena européia, como o anunciado retiro das tropas italianas do Iraque.

Porém, não há como prever se a maioria de Prodi sobreviverá ao desafio de ser governo, já que ali se contabilizam setores que questionaram a aliança por razões programáticas. Lembre-se que Prodi é um político moderado e defensor do projeto europeísta, que parte importante dos movimentos altermundialistas italianos rejeita.

Finalmente, há que se registrar as mobilizações que reuniram centenas de milhares de manifestantes em diversas partes dos Estados Unidos em defesa dos imigrantes latino-americanos. Foi uma reação às ameaças da direita de fazer a legislação contra a imigração ilegal ainda mais restritiva e punitiva. Ao lado das mobilizações contra a guerra, a destruição de comunidades pela ação das corporações multinacionais e os TLCs, os imigrantes estão passando a ser um dos principais sujeitos políticos anti-sistema no coração do imperialismo. É por isso que intelectuais reacionários lançaram o alerta contra “o perigo” que significariam para os EUA essas populações que não carregam os “valores estadunidenses”.


 

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