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Canalhas | Dr.Rosinha

Ricardo Stuckert

Texto escrito e publicado originalmente no dia 30 de janeiro

A primeira coisa que fiz hoje (não faço isto todos os dias) ao sair da cama foi conferir os informativos: queria saber se as autoridades haviam autorizado o Lula a ir ao enterro do seu irmão Vavá.

Não havia.

A primeira palavra que, mesmo sozinho, me veio a boca foi, canalhas. Preocupado com tão pesada palavra, antes mesmo do café da manhã, fui ao Houaiss para conferir. Está lá: Canalha: 1. relativo a ou próprio de pessoa vil, reles; 2. que ou aquele que é infame, vil, abjeto; velhaco; e, 3. conjunto de pessoas infames, desprezíveis.

Após esta breve leitura concluí, “sim, canalhas”. E essa canalhada tomou conta do Brasil. Os canalhas (o conceito me leva a esta conclusão) só podem exercer o poder através do autoritarismo. Através do cala a boca, aqui quem manda sou eu. E, é isto que está acontecendo no Brasil. Vem num crescente desde o golpe.

Poderia fazer aqui uma enorme lista de decisões autoritárias, obscurantistas e canalhas da trupe que ocupa o poder central e o de vários estados. Mas, creio que neste momento seria perda de tempo.

Talvez.

O canalha para esconder sua condição de canalha é autoritário e muitas vezes agem como criminosos que é o que parece ser alguns deles, como o senhor Flávio Bolsonaro.

O canalha geralmente é intelectualmente uma pessoa obscura e assim deseja o obscurantismo para todos, por isso a censura. Hoje foi noticiado que o programa “Sem Censura” da TV Brasil foi censurado. Está suspenso.

O canalha e o ditador (não sei se já existiu algum ditador que não era canalha), tem medo da liberdade. A liberdade dá a todos e a todas condições de pensar e elaborar. Eles têm medo da liberdade, por isso a censura nas escolas, nas mídias e o impedimento da informação. Trabalham com a mentira. A liberdade de informação mata a mentira e mata “suas verdades”.

A decisão impedindo Lula de ir ao velório e enterro do próprio irmão é uma decisão própria dos canalhas, dos obscurantistas (vá que o Lula fale algo? Vá que Lula faça um discurso?) e, principalmente, dos ditadores. Ditadores tem medo de pensamentos e palavras.

Alguém ainda tem dúvida que estamos vivendo numa ditadura?

Há presos políticos, o Lula é o mais importante deles; há exilados, Jean Wyllys é um e há alguns brasileiros e brasileiras que vivem no exterior e não querem voltar; há censura nas escolas e na TV; há a liberação de armas para matar (a vida vale quanto? De acordo com a Vale, R$ 100 mil, mas há quem mate por menos) há assassinatos políticos, como é o caso da Marielle Franco.

Há que se esperar mais para concluir que estamos vivendo numa ditadura?

Sim, vivemos numa ditadura.

Escrevi isto pela manhã. Agora a tarde o senhor Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, decidiu que Lula pode encontrar-se com familiares em local reservado e preestabelecido para prestar a devida solidariedade aos seus, mesmo após o sepultamento. Decide também, não está escrito, mas imagino que também sobre escolta, que o corpo de Vavá pode ser levado a uma unidade militar da região se o Lula quiser vê-lo. Lembrar que esta decisão saiu quando o corpo de Vavá “descia” à sepultura.

Não posso esquecer: o senhor Toffoli também decidiu que o Lula não pode dar declarações públicas.

Tudo isto e esta decisão final não é canalhice?

Dr. Rosinha – presidente do Partido dos Trabalhadores do Paraná, médico e ex-deputado federal, é militante da DS

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