Da resistência ao protagonismo: em um ano, Brasil abraçará a Copa do Mundo Feminina

PT

Será a 1ª edição do torneio na América do Sul. Secretária Juliana Agatte aposta na igualdade de gênero como legado duradouro

Foto: Livia Villas Boas/ CBF

Falta exatamente um ano para a abertura da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, a primeira na história realizada em território brasileiro, na América do Sul e na América Latina. Neste 24 de junho de 2026, haverá uma cerimônia no Museu da Fifa, em Miami, registrando o marco regressivo para o evento.

As cidades-sede brasileiras promovem na mesma data uma série de ativações voltadas à mobilização popular e à valorização do futebol feminino. A programação inclui iluminação de monumentos, campanhas de comunicação, intervenções artísticas, ações esportivas, participação de atletas e ex-jogadoras, além de atividades em escolas, espaços públicos e eventos culturais. As iniciativas buscam aproximar a população do torneio, fortalecer o sentimento de pertencimento e destacar o legado social da competição, especialmente para mulheres e meninas.

A Copa vai reunir delegações de diversos países em oito cidades-sede espalhadas pelo Brasil. Três delas estarão no Nordeste: Recife, Salvador e Fortaleza. Também receberão partidas São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília.

Em entrevista à Rede PT de Comunicação, a secretária extraordinária da Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027, Juliana Agatte, falou sobre a missão para além da bola rolando: romper paradigmas e deixar um legado duradouro para mulheres e meninas de todo o país. A proposta do governo federal é transformar a realização da Copa em instrumento de fortalecimento da igualdade de gênero, ampliando a participação das mulheres no esporte e consolidando avanços sociais para as futuras gerações.

Para a secretária, a principal marca da Copa Feminina será o legado social. Juliana Agatte explica que a competição não exigirá grandes obras de infraestrutura, já que o país já dispõe de estádios, aeroportos e sistemas de mobilidade herdados da Copa do Mundo masculina de 2014, permitindo que os investimentos sejam direcionados para outras áreas estratégicas.

Profissionalização equiparada ao futebol masculino

Entre os principais objetivos da organização está a profissionalização do futebol feminino. Juliana Agatte ressalta que ainda existem desafios relacionados à estratégia dos clubes, centros de treinamento, visibilidade, patrocínios, remuneração e espaço na mídia. Ela destaca, ainda, que o futebol feminino possui identidade própria e não deve ser comparado ao masculino, mas precisa contar com condições adequadas para seu desenvolvimento.

“A gente trabalha tendo como foco a profissionalização do futebol feminino, que é uma temática de extrema importância. Nós queremos essa profissionalização equiparada com a do futebol masculino”. 

Outro eixo estratégico é ampliar a participação feminina nos espaços de gestão esportiva e de tomada de decisão. A proposta inclui a formação de lideranças e dirigentes mulheres para atuar em federações, clubes e instituições ligadas ao esporte.

Da proibição histórica ao gol de placa

O futebol feminino foi proibido no país entre 1941 e 1979, sendo regulamentado oficialmente em 1983. Para Juliana Agatte, reconhecer essa trajetória é compreender a importância do momento atual.

“A gente fala do futebol feminino também como movimento de resistência e também a necessidade de um reconhecimento. Essas mulheres que desbravaram, enfrentaram, estiveram ali na linha de frente para a prática dessa modalidade. São essas mulheres que permitiram que hoje a gente realize, inclusive, a primeira Copa do Mundo feminina no Brasil, na América do Sul, na América Latina”, ressalta.

Prata da casa

A estratégia de legado também envolve o fortalecimento do futebol feminino nas escolas, nos bairros e nos projetos sociais espalhados pelo país.  Juliana, explica que, em suas viagens pelo país. identificou uma demanda crescente de meninas interessadas em praticar o esporte, mas nem sempre há oferta adequada de espaços e oportunidades.

A proposta é estimular a prática esportiva desde a infância, garantindo acesso e incentivando que famílias, escolas e comunidades reconheçam o futebol feminino como um espaço natural para meninas e adolescentes.

A expectativa é que a visibilidade proporcionada pela Copa inspire não apenas novas atletas, mas também novas narradoras, jornalistas esportivas, árbitras, dirigentes e lideranças políticas ligadas ao esporte. A secretária defende que a Copa seja uma oportunidade para ampliar a presença feminina em diferentes áreas da sociedade, inspirando novas gerações e contribuindo para o enfrentamento das desigualdades de gênero.

“Daqui a dez anos queremos estar nesses espaços de decisão e de deliberação, mais presentes nos ambientes políticos, nos clubes, nas federações e nos marcos legislativos importantes para o futebol feminino”, projeta.

Estrutura de governança

A organização da Copa do Mundo Feminina de 2027 envolve uma ampla articulação entre diferentes áreas do Governo federal. Ao todo, 30 ministérios participam dos preparativos, além da relação permanente com a Fifa e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

“Existe um comitê gestor da Copa, que é formado por ministros de Estado, com a coordenação do ministro de Estado do Esporte e que olha estrategicamente para esse grande evento com reuniões semestrais. É uma estrutura de governança robusta”, explica Juliana Agatte.

Via pt.org.br

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