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Democracia Socialista inicia sua XIII Conferência Nacional

A Democracia Socialista realizou na última quarta-feira (28), o debate Neoliberalismo e seus impasses. O encontro abriu o processo de organização da XII Conferência Nacional da DS, convocada para dezembro deste ano.
 
O debate, mediado pela vereadora Moara Saboia (do PT, Contagem/MG), contou com as intervenções dos economistas Francisco Louçã e Arno Augustin e da cientista política Clarisse Paradis. Eles debateram os desafios da política internacional e o ajuste neoliberal, o avanço do conservadorismo e a sustentabilidade da vida.
 
Francisco Louçã, militante do Bloco de Esquerda em Portugal, tratou de 4 temas em sua exposição: contexto global da evolução do capitalismo, o regime de acumulação, o rentismo e o poder das grandes empresas. Ele destaca que a dinâmica do capitalismo contemporâneo tem sido marcada por períodos de expansão, seguidos de grandes crises e crescimento reduzido, como apontado por teóricos marxistas, dentre eles Ernest Mandel.
 
Chamada de ondas longas, essas crises dividem grandes períodos históricos e não se sucedem de forma mecânica. Nossa revista Democracia Socialista, n.º 2 (dezembro de 2014) trouxe uma seção especial sobre a crise do neoliberalismo como uma manifestação dessa natureza de crise (disponível aqui). A dominância do rentismo implica em restrições aos investimentos e em uma tendência à estagnação. De outro lado, restringe duramente a democracia, sobrepõe-se a ela.
 
O ex-secretário do Tesouro Nacional, durante os governos Lula e Dilma, Arno Augustin centrou sua intervenção na política econômica brasileira, em especial no rentismo. De acordo com ele, no Brasil o rentismo se dá fundamentalmente através da transferência de recursos do setor público. Evidencias disso, são dados como, entre 2015 e 2019, o país ter pago R$ 2 trilhões aos bancos. Em 2020, em meio a maior a crise sanitária das últimas décadas, pagamos R$ 312 bilhões de reais. Para termos dimensão, o auxílio emergencial de R$ 600 para mais de 67,9 milhões de brasileiros custou R$ 293,1 bilhões, segundo o governo. Ou seja, gastamos mais pagando juros aos bancos do que com o benefício emergencial na pandemia.
 
Arno afirma que o poder econômico do rentismo é intrínseco ao poder político, que tem como aliados a imprensa e outros setores da sociedade. Embora o país esteja quebrado, ele acredita que a maior dificuldade seja política. O alto desemprego, a fome, são consequências das políticas austericidas, como o teto de gastos e a reforma trabalhista.
 
Situando o conflito entre capital e vida, a professora de Ciência Política da Unilab e militante da Marcha Mundial das Mulheres, Clarisse Paradis tratou da confluência entre neoliberalismo, conservadorismo e autoritarismo, elementos fundamentais da atual fase do capitalismo.
 
Ela destaca que além produzir bens e serviços como mercadorias, as grandes corporações mercantilizam a vida social e organizam valores sociais, morais, sexuais e religiosos. Outro ponto destacado foi o papel da família hétero-patriarcal como espaço de reforço ideológico de valores conservadores, manutenção da dinâmica capitalista e desmantelamento das demandas por igualdade.
 
ASSISTA AO DEBATE: 
 
XIII CONFERÊNCIA NACIONAL DA DS
Convocada para os dias 2, 3 e 4 de dezembro de 2021, via plataforma digital, a XIII Conferência Nacional da DS atualizará o programa e a estratégia política da corrente para o próximo período. O encontro tem como pauta central apresentar um balanço da luta de classes no Brasil, da construção partidária e da DS, apontando para um novo período histórico.Confira a convocatória aqui.

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