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Deputado quer apurar papel dos EUA em ação militar colombiana

A ação da Colômbia, obscura e no escuro, com alta tecnologia, é típica da política equivocada de ataques preventivos dos EUA”, diz vice-presidente do Parlamento do Mercosul

O vice-presidente do Parlamento do Mercosul, deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), afirmou nesta terça-feira (25/3) que a eventual participação do governo dos Estados Unidos na ação militar promovida pelo governo da Colômbia em território equatoriano, no início do mês, precisa ser investigada.

Há uma série de indícios que apontam um possível apoio dos EUA na operação, realizada de madrugada em meio à selva. “Se para justificar a invasão do Iraque o governo Bush divulgou mais de 935 declarações falsas, quem vai acreditar nele agora?”, questiona Dr. Rosinha.

“A ação da Colômbia, obscura e no escuro, com alta tecnologia, violou a soberania, os direitos humanos, e é típica da política equivocada de ataques preventivos dos EUA.”

As bombas “GBU 12 Paveway” utilizadas no ataque são do mesmo tipo das usadas pelos norte-americanos no Iraque. Horas antes do bombardeio, um avião HC-130 saiu da base norte-americana de Manta, no Equador, e retornou na tarde do dia seguinte. O presidente equatoriano Rafael Correa anunciou que não renovará em 2009 o contrato que permite aos Estados Unidos permanecer no local.

Dois dias antes da ação, o contra-almirante Joseph Nimmich, diretor da Força Tarefa Conjunta Interagencial do Sul, militar graduado dos EUA, esteve em Bogotá. Pretexto da visita: “Compartilhar informações sobre a luta contra o terrorismo”.

O presidente norte-americano George W. Bush foi o único chefe de Estado a demonstrar publicamente o apoio irrestrito à invasão. “Nossa mensagem ao presidente [Álvaro Uribe] e ao povo colombiano é que continuaremos ao seu lado”, declarou Bush à imprensa, após ter conversado por telefone com Uribe.

Equatoriano morto

Para Dr. Rosinha, a confirmação de que os militares colombianos mataram um cidadão equatoriano durante a operação é um “agravante”. A família reconheceu o corpo de Franklin Aisalla Molina através de imagens divulgadas pela mídia.

“A aliança militar entre a Colômbia e os Estados Unidos constitui uma ameaça para a integração da América do Sul”, avalia o vice-presidente do Parlamento do Mercosul.

O corpo de Molina foi retirado do território equatoriano pelo Exército colombiano juntamente com o de Raúl Reyes, porta-voz das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O pai, Guillermo Aisalla, viajará à Colômbia para acompanhar a repatriação do corpo do filho.

Inicialmente, o Ministério de Defesa da Colômbia havia declarado que o cadáver seria de um colombiano, “Lucho”, supostamente um “membro ativo” das Farc.

Conforme a versão da guerrilha, além de Reyes, mais 15 rebeldes foram mortos. As outras nove vítimas fatais seriam civis, entre eles quatro mexicanos já identificados. Seus familiares também negam que fossem guerrilheiros.

Após a confirmação da morte de Franklin Aisalla Molina, o Equador voltou a acionar esta semana a Organização dos Estados Americanos, “a fim de se achar uma solução definitiva para o caso”.

Além de ter buscado omitir a identidade do equatoriano morto, a Colômbia ainda tentou envolver o governo do Equador com as Farc, ao mostrar uma fotografia na qual Reyes apareceria ao lado do ministro de Segurança equatoriano, Gustavo Larrea. Na verdade, quem estava na foto era Patricio Echegaray, do Partido Comunista argentino.

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