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Elas também sentem orgulho! | Silvana Gonçalves e Drika Cordonet

Hoje é um dia de orgulho, de celebração, mas também de reflexão sobre direitos, conquistas, visibilidade e, claro, sobre a vida. Mas hoje, em específico, quero falar sobre o orgulho delas, sobre a presença (ou não) feminina nos espaços de discussão LGBTI+. Outro dia ao receber a programação de uma atividade sobre Diversidade fiquei surpresa pelo fato de não haver mulheres lésbicas no debate. Recebi uma resposta simplista: “foram convidadas e não quiseram. Elas inviabilizam sua própria participação, inclusive ao nível nacional”. Suspirei.

Tá bom, posso tentar, mas não consigo ignorar a ausência das mulheres nestas atividades (pelo menos as que chegam até mim), sejam lives, debates, fóruns. Não estou dizendo que são deixadas de lado, esquecidas, rechaçadas, ou algo do gênero. Apesar de que se olharmos com a lupa da história, identificamos que, no então chamado movimento GLBT, por um bom tempo, as lésbicas foram colocadas em segundo plano, assim como no movimento feminista, mesmo assim, se reconhecendo enquanto feministas conseguiram, através de muito debate, a simbólica alteração na sigla. Porém, não é esse o debate, mas, sim, que a participação das mulheres é incipiente porque esconde algo muito maior do que a explicação recebida: “elas foram convidadas e não quiseram”. Ora, é sabido que o pano de fundo é a opressão vivida pelas mulheres. É algo para além da organização ou vontade de participar. É o reflexo escancarado de uma sociedade afogada no patriarcado, que faz com que constantemente tenhamos que lembrar das invisiveis marcas que nos deixam diariamente.

Mas isso tudo é apenas uma reflexão de quem anda observando o mundo e não se vê em lugar algum. E diante disso me atrevo e escrevo. Ouso ainda em dizer que é preciso  agregar, incluir, interseccionar os espaços, e não separar ou dividir os lugares de visibilidade que nossos corpos, políticos por natureza, conquistaram a ferro e fogo. E, ao mesmo tempo, garantir que as pessoas sintam-se representadas em suas demandas específicas, e construam coletivamente a consciência que grita e ecoa unissona, por um mundo igualitário, justo, solidário e socialista. Quando falamos de diversidade, falamos de todos e os abraçamos, independentemente de raça, etnia ou classe social.

E elas também sentem orgulho.

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