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Fora Bolsonaro! Impeachment já! | Democracia Socialista

Um novo período de lutas pelo impedimento político de Bolsonaro

As manifestações do 7 de setembro confirmam a tendência de uma crise cada vez mais aguda do governo Bolsonaro. Confirmam, de outro lado, o acerto da mobilização pelo FORA BOLSONARO e das manifestações populares de rua no mesmo dia. Elas anunciam a possibilidade de um novo período de lutas pelo impedimento político de Bolsonaro, mais amplo e mais massivo, cujo desenlace depende da combinação entre a luta democrática popular combinada com a luta institucional. 

No primeiro semestre de 2021, ocorreram grandes fatos políticos que convergiram para deteriorar a legitimidade e o apoio ao governo Bolsonaro. A anulação do processo da Lava-Jato, a suspeição de Moro pelo STF e a possibilidade da candidatura de Lula à presidência (amplamente majoritária nas pesquisas), a ocupação das ruas por manifestações unitárias das esquerdas, a CPI no Senado que resultará certamente na acusação de crimes por Bolsonaro e o aprofundamento de sua impopularidade. Tudo isso em meio ao aprofundamento da crise econômica que tem sua raiz no governo Bolsonaro e no seu programa de austeridade. No início deste segundo semestre,  2/3 dos brasileiros já rejeitam o governo Bolsonaro e cerca de 60 % são favoráveis ao seu impedimento.

Esta dinâmica de enfraquecimento manifestou-se nos atos promovidos por Bolsonaro no 7 de setembro que visavam criar uma dinâmica golpista. Sem condições de realizar manifestações nacionais massivas, a opção foi concentrar em Brasília (buscando concentrar apoio da região centro-oeste) e em São Paulo (convergindo caravanas de toda a região sul do país): o comparecimento nestes atos, financiados fartamente, foi muito menor que o esperado pelos organizadores, certamente mobilizou apenas o núcleo de apoio duro à Bolsonaro sem maior capacidade de expansão. Não houve comparecimento ostensivo de PMs como se anunciou. A fala de Bolsonaro, confusa em Brasília (falando em convocação do conselho da República, que não se confirmou) e centrada em um ministro do STF em São Paulo, foi defensiva, não aponta para uma disputa por maiorias, de todo modo, não organiza uma estratégia de golpe. O seu isolamento institucional foi evidente: nenhum governador, nenhuma liderança política institucional de peso, a figura de Collor a seu lado no palanque assemelha-se a uma caricatura. 

Se não serviu para acumular no sentido de organizar politicamente um golpe, o 7 de setembro indica um ritmo novo de aceleração da crise do governo Bolsonaro. Aprofunda seu isolamento internacional. O seu  vínculo público e reiterado com Trump afasta o governo norte-americano de um apoio a tal empreitada; até mesmo porta-vozes do capital financeiro, internacional e nacional tomam distância de Bolsonaro; partidos da direita neoliberal começam a discutir publicamente a possibilidade de impeachment pela primeira vez. A deterioração da base política do governo Bolsonaro e o aumento de sua  impopularidade, no rastro da crise econômica agravada, podem tentar os partidos fisiológicos que o sustentam a procurar atualizar seus interesses em outra coalizão de governo, abandonando o barco bolsonarista em processo de naufrágio. Estas forças passam  a rearticular a ampla coalizão neoliberal e buscam alternativas políticas sem Bolsonaro. 

É fundamental neste quadro lutar pela saída mais democrática possível. Isso significa em primeiro lugar o esforço de mobilização crescente das forças populares, da classe trabalhadora em destaque, para liderar a luta democrática pelo fim imediato do governo da extrema-direita. Significa unificar todas as forças populares na defesa da soberania popular e das garantias constitucionais atacadas pela extrema-direita. E significa constituir uma frente ampla de todos os que querem o fim imediato, o impeachment já, do governo da extrema-direita. É fundamental a completa liberdade e respeito às identidades de cada força e a definição clara do objetivo comum: o impedimento imediato do governo golpista.

A frente ampla pelo impeachment já deve expressar a soberania popular elevada ao centro do programa. Dirige-se à sociedade, às organizações sindicais e populares e da sociedade civil em geral, aos partidos políticos, a todos e todas que se negam a compactuar com os arreganhos fascistas, às grandes maiorias que cobram a defesa da democracia. 

Sem abrir mão de sua identidade política anti-neoliberal, os partidos de esquerda e os movimentos sociais têm o desafio de atualizar a presença de seu programa nas manifestações pelo impedimento político de Bolsonaro, respondendo à crise econômica em agravamento, acumulando forças para construir uma saída democrática e popular à crise brasileira, projetando uma frente orgânica cada vez mais forte, enraizada e legitimada na maioria do povo brasileiro. 

  • Foto: Roberto Parizzotti/Rede Brasil Atual

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