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Fundação Nativo da Natividade e formação política

Jornal DS – 19. Livro expõe a atualidade de uma formação socialista.

EDUARDO TADEU PEREIRA

A crise política pela qual passa o país e, particularmente, o PT, aumenta a necessidade da discussão sobre a formação política dos militantes. No livro Formar à esquerda, da editora Xamã, procuramos recuperar as propostas de formação política dos trabalhadores no Brasil ao longo do século XX.

Na CUT, no período de 1983 a 1999, detectamos um processo de “despolitização” da formação, partindo de uma formação política estrito senso para uma formação paulatinamente mais sindical e tecnicista, restrita a técnicas voltadas à vida sindical, e abandonando temas mais gerais da política. No PT, vemos a construção, durante essas décadas, de uma formação cada vez mais pluralista, combinando, nem sempre de forma harmoniosa ou articulada, projetos e propostas de diferentes matizes e matrizes formativas.

Nesse contexto de desenvolvimento da formação, respondendo às conjunturas e projetos políticos das organizações dos trabalhadores no Brasil ao longo do século, a atuação da Fundação Nativo da Natividade traz, ao nosso ver, algumas contribuições centrais no sentido de recuperar a possibilidade e a necessidade de uma formação política e ideológica que reacenda luta pela construção do socialismo.

É preciso ressaltar que o instituto de formação, objeto nesse estudo, foi fundado em 1988, levando o nome do presidente assassinado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Carmo do Rio Verde, em Goiás, com o objetivo de juntar alguns dos grupos minoritários do PT e se contrapor ao projeto do então grupo majoritário, consolidado em torno do Instituto Cajamar. Participaram do processo de criação da Fundação a DS (Democracia Socialista), o PRC (Partido Revolucionário Comunista), o agrupamento que viria a se unificar na Vertente Socialista, o Fórum Socialista e Setores da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo.

O projeto da Fundação Nativo da Natividade consegue construir uma posição que revaloriza o conteúdo da teoria, na forma de conhecimento acumulado, ao mesmo tempo em que acentua a necessidade de uma formação democrática, portanto não dogmática, e ainda ideológica, no sentido gramsciano de forma de ver o mundo, de cultura, portanto de vivência de valores, costumes, comportamentos e sentimentos que encaminhem no sentido da construção de uma nova hegemonia na sociedade de caráter solidário e socialista.

Essa concepção de formação política, que incorpora uma vertente teórica e outra ideológica, é fundamental para a retomada da formação de militantes políticos nesse período de dura batalha contra o neoliberalismo, contra o fim da história apregoado em nível mundial e que chega a nós na forma de “todos são iguais”, o que, no fundo, representa a mesma pregação da falta ou impossibilidade de alternativas.

Nessa conjuntura paradoxal, em que a esquerda avança na América Latina ao mesmo tempo em que buscam nos encurralar com o manto da corrupção, a formação política e ideológica precisa ser retomada, com a formação de novos quadros, de militantes com clareza teórica e firme convicção ideológica. É preciso, assim, retomar a formação política pluralista, conteudista e revolucionária que existia, como projeto e perspectiva, na Fundação Nativo da Natividade.

Eduardo Tadeu Pereira é prefeito de Várzea Paulista (SP) e autor do livro Formar à esquerda.

 

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