Dilma Rousseff não cometeu crime de responsabilidade. E isso não era um detalhe técnico: era o centro da questão. Mas, quando a mentira circula mais rápido que a verdade, quando os algoritmos amplificam o ódio e silenciam a razão, os fatos passam a importar menos do que a narrativa. O espetáculo se impõe ao direito. A encenação prevalece sobre a prova.

Não conto essa história com amargura. Conto-a com a convicção de que é preciso contá-la. Porque um povo que não nomeia corretamente aquilo que viveu permanece vulnerável à repetição da tragédia. E ela voltou a rondar o país em 2022, quando homens armados e fanatizados atacaram as sedes dos três Poderes da República.
Os textos reunidos neste livro têm o mérito de examinar 2016 sem nostalgia e sem panfletarismo. São análises sérias, produzidas por pesquisadores, jornalistas e ativistas que mergulharam nas evidências, rastrearam o dinheiro, mapearam as redes digitais e reconstituíram a arquitetura de poder que derrubou uma presidenta legitimamente eleita. Trata-se de um trabalho coletivo em defesa da memória democrática.
A democracia brasileira sobreviveu. Lula voltou. Mas as forças que operaram o golpe de 2016 não desapareceram. Elas se reorganizaram, se refinaram e continuam à espreita. Por isso, este livro não é apenas um registro do passado.
É um alerta para o presente. E, acima de tudo, um chamado à consciência. Que cada leitora e cada leitor carregue estas páginas como se carrega uma ferramenta: não para deixá-la esquecida numa prateleira, mas para usá-la sempre que for necessário defender aquilo que nos custou tanto construir.
Boa leitura!
Paulo Okamotto (Prefácio)
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