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Governo de Hugo Chávez é posto à prova

No próximo dia 15, a Venezuela irá escolher se permanece sendo governada por Hugo Chávez ou se serão convocadas novas eleições. Depois de uma batalha campal recheada de suspeições para conseguir as assinaturas que convocaram o plebiscito, a oposição tenta a todo custo derrubar o presidente. Os movimentos populares, no entanto, estão organizados para garantir a vitória do Não e a conseqüente permanência de Chávez.

© Georges BARTOLI/MAXPPP. La place Bolivar en plein centre de Caracas nomee Esquina Caliente (carrefour brulant) ou se reunissent prioritairement les partisans du processus bolivarien initie par le president Hugo Chavez dans le pays. Le president combattu par les milieux d affaires jouit d une tres grande popularite dans les couches populaires ou il assimile a Simon Bolivar ou a Che Guevara.

Venezuela decide o futuro de Chávez

Você está de acordo em deixar sem efeito o mandato popular outorgado mediante eleições democráticas legítimas ao cidadão Hugo Rafael Chávez Frias como presidente da República Bolivariana da Venezuela para o atual período presidencial? Essa é a pergunta a ser respondida pelos 12,5 milhões de eleitores que participam no próximo dia 15 do referendo que decidirá sobre a continuidade ou não do governo Chávez.

Entre o “Sí” e o “No” há a história de um governante que resolveu enfrentar as elites do país, alimentadas pela indústria petrolífera, responsável por mais de 80% das exportações venezuelanas. O processo de crise começou no final de 2001, quando foram aprovadas diversas medidas populares, por meio de 49 leis garantindo a reforma agrária, a lei petroleira e a lei da pesca. Em março de 2002, os opositores chegaram a tirar Chávez do poder, mas foram surpreendidos por um contra golpe. No início de 2003, um locaute por parte dos empresários tentou novamente enfraquecer o governo.

Divergências sindicais

Naquele momento um dos principais incentivadores do golpe foi a reacionária e burocrática CTV, central sindical que se beneficiava da pouca liberdade sindical no país. A situação agora é outra. Em 2003 surgiu a União Nacional dos Trabalhadores (UNT). Com pouco mais de um ano de existência, a UNT conseguiu reorganizar a esquerda trabalhadora, com a adesão de 500 sindicatos e 37 federações regionais, inclusive das duas maiores entidades representativas da categoria dos petroleiros (Fedepetrol e Sinutrapetrol).

Segundo S. P. Borges, Coordenador Nacional da UNT, o crescimento da central foi além da própria capacidade dos dirigentes. “Foram os trabalhadores que deram a força que tem hoje a Central”. Borges afirma que a UNT espera uma vitória contundente do “No” no dia 15 de agosto. Ele lembra que com Chávez o setor sindical conquistou liberdades pelas quais batalhava há 43 anos. O coordenador da central reforça ainda os avanços do chamado processo bolivariano, que representa mais do que as medidas populares de Chávez, mas um processo cultural de reavivar as referências populares e de resistência da Venezuela.

A mítica em torno de figuras símbolo, aliás, está presente em todo o debate. Os comandos de Chávez levam o nome de Maisanta, codinome de seu bisavô que guerreou contra ditadura de Juan Vicente Gómez (1908-1935). O presidente pediu a seus seguidores para organizar patrulhas de dez ativistas cada uma e realizar a “Misión Florentino”, figura mítica de um cantador que enfrentou o Diabo segundo um poema popular cantado em festas das planícies venezuelanas.

O próprio site da presidência da Venezuela descreve a Missão Florentino como sendo a “missão que guia a ação revolucionária,orientada a assegurar o triunfo eleitoral no referendo nacional de 15 de agosto de 2004,quando se reeditará (de acordo com o imaginário coletivo do povo venezuelano) a derrota da oligarquia nacional e estrangeira pelo povo soberano na Batalha de Santa Inês,magistralmente dirigida pelo General Ezequiel Zamora ”

© Georges BARTOLI/MAXPPP. Le president de la republique du Venezuela Hugo Chavez Frias  participe a un meeting avec plusieurs milliers de femmes dans un gymnase de Caracas pour celebrer la journee de la femme le 8 mars.

As condições do embate

A oposição ao presidente une setores da classe média e da burguesia, mas não tem um líder que a una. Ela aposta suas fichas no discurso contra desemprego – que atinge 17% da população economicamente ativa – e a insegurança, alegando que Chávez desuniu o país. Nos últimos meses, porém, as manifestações populares fizeram que a oposição perdesse apoio na classe média, que em parte voltou a se incorporar ao processo bolivariano.

A previsão para o resultado do referendo é incerta. Nas eleições de 2000, Chávez teve quase 60% dos votos. Agora, para que a oposição consiga tirar Chávez é preciso que o “Sí” tenha mais votos que os 3.757.773 obtidos por ele em 2000, e que obviamente haja mais votos pelo “Sí” do que pelo “No”. A presença nas urnas não é obrigatória, e analistas dizem que a abstenção pode alcançar 25%.

O que virá depois do referendo é difícil de prever. Chávez já anunciou que quer ver respeitado o resultado do referendo, seja ele qual for. Não se sabe se será bem assim. Os movimentos populares já afirmaram que não aceitarão fraudes, e que se passar o “Sí” haverá manifestações em todo o país. No caso de vitória, Chávez já afirmou que gostaria de constituir um governo de unidade nacional. Para Borges, certamente haverá enfrentamentos, já que “a burguesia não toleraria as medidas populares”.

Para a UNT, inclusive, nem tudo são flores na política chavista. Segundo Borges, há diretores de ministérios e prefeitos que vêm fazendo uma política contra o operariado, com desrespeito aos sindicatos e demissões coletivas. “Não queremos jogar peso nessas questões agora para não corrermos o risco de enfraquecer Chávez, mas é um debate que terá que ser feito”. Até o dia 15, a união dos setores populares é para garantir a vitória do “No”. As diferenças ficam para depois.

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