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Mais do que resistir é hora de revidar!

Manifesto rumo ao 5º Congresso Nacional da Juventude do PT

Preparativo para a Tese da Democracia Socialista rumo ao 5° Congresso da Juventude do Partido das e dos Trabalhadores

MAIS DO QUE RESISTIR É HORA DE REVIDAR!

“Resistir: manter-se firme; não sucumbir, não ceder. Revidar: dizer como resposta, replicar – é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar. Quando a resistência é a condição do viver, revidar é a ação urgente na busca de transformar. É hora. Te convidamos a compartilhar aqui não só a vida em resistência, condição de nosso povo, mas também a construção da ação coletiva e organizada de mudar a situação em que nos encontramos.”

Somos jovens mulheres, negros e negras, LGBTs, indígenas, quilombolas, trabalhadores, artistas, estudantes,  do campo e da cidade e queremos construir com vocês esse 5º Congresso da Juventude do PT. Acreditamos que esse partido é um instrumento político histórico da luta da classe trabalhadora brasileira, que conseguiu realizar importantes transformações e deve resgatar valores de esquerda, socialista e democratico para que possa fortalecer a construção de um outro mundo, mais justo e igualitário.

O grave cenário político que enfrentamos, marcado por um profundo rompimento democrático e pela ofensiva do neoliberalismo e de discursos fascistas, nos faz debater e posicionar politicamente as ferramentas de resistência que detém a esquerda e o socialismo democrático. Observamos que desde 2008 o sistema capitalista, gravemente abalado por mais uma de suas crises de acumulação, levou as classes dominantes a adotar uma estratégia de contrarrevolução neoliberal, buscando a todo custo transferir para a classe trabalhadora os ônus da recessão, impondo uma agenda de superexploração do trabalho, devastação da natureza e militarização de nossos corpos e territórios. Se para o capital nossas vidas não valem nada, nosso dever prioritário é nos organizar e revidar.

Até o início de agosto de 2021, o Brasil contabilizou 566  mil mortos na pandemia do

 COVID-19, ocupando o segundo lugar no infame ranking mundial de países em que mais se morreu por Sars-Cov-2. Nesse momento em que todos os brasileiros e todas as brasileiras conhecem, direta ou indiretamente, alguém que tenha morrido vítima do novo coronavírus, o país começa a desvendar o que encobria a maior crise sanitária da história do nosso país: por trás de cada decisão política equivocada, por trás de cada omissão por parte das autoridades competentes, por trás de cada política pública assassina se encontra a gestão genocida do governo Bolsonaro. Governo esse que hoje está marcado na história pelos esquemas de lavagem de dinheiro e propina nas compras de vacinas às custas da vida de nosso povo. Um governo genocida, corrupto e que radicaliza o programa neoliberal em seus aspectos mais antipopulares e autoritários. 

A juventude, e especialmente a juventude partidária, tem papel central e determinante na formação e organização de espaços de resistência e luta, porque para nós não há tempo a perder. A juventude petista é aquela que estuda e trabalha, que vive o dia-a-dia das cidades, que depende do transporte público para se locomover diariamente e concilia suas tarefas cotidianas com o compromisso da militância política. Somos a juventude submetida à intervenção militar, que sofre as consequências de uma política de segurança pública racista, machista, burguesa e conservadora. Em tempos como esses, compreendemos que cada vez mais se acirra nossa responsabilidade política de propor e promover a transformação que queremos.

Esse é o cenário que tem se aprofundado desde o Golpe de Estado político e midiático orquestrado pelas classes dominantes, organicamente vinculadas à direita brasileira, em 2016 – com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que tem feito retiradas sistemáticas de direitos sociais adquiridos ao longo do ciclo dos governos democráticos e populares do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, durante seus 13 anos ininterruptos no governo federal. Desde então, as medidas antipopulares colocadas tem afunilado ainda mais a marginalização e condição de vida de milhões de brasileiras e brasileiros, em todos os cantos do país, seja por redução do Estado na oferta das políticas sociais, seja perda de postos de trabalho formal e/ou a não continuidade da política de valorização da renda média do trabalhador brasileiro.

Nós, da Juventude do PT, possuímos orgulho da luta encampada pelos nossos militantes que asseguraram a democratização do acesso da juventude periférica aos corredores das melhores universidades do país, bem como a sua contribuição para o desenvolvimento de pesquisas e demais atividades que auxiliaram a melhora das instituições de ensino superior do Brasil. Somos parte de uma geração que luta e constrói alternativas de enfrentamento real aos problemas vivenciados pela juventude brasileira. E fazemos um balanço positivo da experiência das últimas eleições municipais onde emplacamos a vitória de centenas de candidatas e candidatos da JPT para as câmaras municipais de diversas cidades brasileiras, por meio da Plataforma Representa, para que a JPT possa incidir de forma significativa nas vidas do povo trabalhador, em especial da juventude.

Dito isto, o papel da Juventude do PT e do 5° Congresso da JPT não é outro senão a afirmação de uma agenda propositiva e de esquerda, que possa organizar a juventude e propor novas alternativas aos velhos problemas pela população brasileira no seu cotidiano, sobretudo a imensa maioria da classe trabalhadora do Brasil, que é a parcela da população mais afetada pela crise política, econômica e sanitária. Retomar o caminho da Revolução Democrática a exemplo dos nossos vizinhos Argentina, Chile, Bolívia e Peru, que atravessaram dura disputa com a direita e aos poucos remontam uma conjuntura de ampliação de acesso aos direitos, de maior participação política das massas nos processos decisórios e de garantia e universalização dos serviços públicos,

É urgente que a juventude petista formule para dentro e para fora do partido acerca do atual momento político; a aprovação da EC 95 – a PEC do Fim do Mundo, as reformas da previdência, trabalhista, do ensino médio e medidas impopulares compõem o eixo central do pacote de ações de um processo que visa, pouco a pouco, destruir o legado que os governos PT deixaram ao Brasil. Um legado de ascensão e oportunidades em especial para a classe trabalhadora. É papel da Juventude do PT se mostrar como uma referência política na organização da juventude brasileira e latinoamericana, alcançando cada vez mais jovens em diferentes setores da sociedade, pautando o nosso programa máximo que estará em disputa nas eleições de 2022, nas ruas e praças das cidades brasileiras, sendo encabeçado pelo companheiro Lula, obtendo forte presença e protagonismo da juventude organizando atividades, manifestações de apoio e pautando a política  de desenvolvimento socioeconômico que nós queremos para o país; com ampliação do Estado, ruptura com o programa neoliberal, valorização salarial, garantia do direito à vida da juventude negra, maior participação de mulheres, negros e da população LGBTQIA+ nos poderes legislativos e executivos dos estados e do governo federal.

Além disso, devemos experimentar na JPT e na atuação partidária a elaboração programática e metodológica, revisitar as tradições fundadoras do partido será fundamental, mas também conectar com as novas formas de atuação política. Reivindicar para o PT um caráter revolucionário é uma necessidade histórica da nossa geração. Exigir do partido uma postura anticapitalista, profundamente enraizada nos valores do socialismo, é um imperativo para a garantia do futuro da humanidade. E por isso precisamos estar organizados. Uma juventude atuante, estruturada política e financeiramente, que ouse disputar o PT, a sociedade brasileira e também o poder. A JPT deve também disputar e debater os projetos políticos apresentados por nossos candidatos e candidatas, para que a mensagem e propostas políticas publicamente transmitidas sejam o reflexo dos acúmulos emancipatórios  e democraticamente construídos que visam atender às demandas da juventude brasileira. Acreditamos na potência política e de massas que é a JPT e que pode ser ainda muito maior, disputando o conjunto da juventude brasileira, conquistando mentes e corações. Queremos uma  Juventude do PT com a cara da nossa cultura política, enegrecida, feminista, popular e socialista democrática. Portanto, MAIS DO QUE RESISTIR É HORA DE REVIDAR! Derrotar Bolsonaro e construir um programa  com a cara dos nossos sonhos e lutas!

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