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Manifesto Negros e Negras | 3ª Plenária da DS

MANIFESTO DE NEGRAS E NEGROS NA 3ª PLENÁRIA NACIONAL DA DEMOCRACIA SOCIALISTA
 
Desde o ano passado temos nos perguntado: “Como foi possível Bolsonaro, um candidato ultraliberal e conservador chegar ao poder?” A resposta não é simples, mas acreditamos que ela pode estar contida em uma outra pergunta: “Como o PT, com seu programa progressista, tendo governado por doze anos um país com histórico de opressão e violência como o do Brasil, não conseguiu apresentar um projeto efetivo para o povo negro?”
Sabemos que através de toda sua história, o estado brasileiro organizou o funcionamento de sua estrutura pela lógica escravocrata. Os mecanismos que balizavam a escravidão não se encerraram pela dita abolição, pelo contrário, o paradigma que rege a sociedade continua escravocrata. É este paradigma que subjetiva toda a sociedade em maior ou menor grau, em todas as classes sociais, em todas as instâncias sociais. Inclusive no PT e na DS.
 
Não rompemos com a lógica colonialista, não conseguimos entender o que negras e negros, que são mais da metade da população desse país querem para si e para todos. E ainda, vaiamos Mano Bronw quando a verdade foi dita!
 
Existe hoje no nosso partido, uma urgência em debater o neoliberalismo, o conservadorismo e o projeto da ultradireita, mas esse debate se torna raso e inócuo se não pensarmos quem serão os primeiros corpos a serem atingidos nesse combo de retrocessos. A Democracia Socialista, nossa tendência, tem uma grande carência de formulação, de programa e de ação que contemple a população negra. Infelizmente, a pauta racial, apesar de permanente, não é priorizada. É urgente aprofundar este debate.
 
É preciso pensar a estratégia política em todos os seus aspectos, dialogando com a vida real do nosso povo, respeitando a cultura, a história e a religião de uma fé negra historicamente invizibilizada pelo cristianismo, demonizada pelas novas igrejas, principalmente as evangélicas, estas inclusive, utilizadas nos últimos tempos para formar a opinião e dirigir a ação de amplos contingentes sociais, negando a política e confundindo a consciência popular, contribuindo decisivamente para a eleição do projeto fascista e ultraliberal. Bolsonaro foi eleito com os votos até mesmo de negras, negros, mulheres, LGBTs, mesmo apresentando uma proposta de morte e exclusão para essa população.
 
O PT e a DS tem que considerar que a história da exclusão de negras e negros não é apenas uma questão da luta de classe. Não há que se falar em luta de classes no Brasil ignorando a história da formação social brasileira. Mesmo alcançada a utopia da extinção das desigualdades sociais, no caso de negras e negros, o racismo ainda persistirá.
Esta realidade se traduz até mesmo na estrutura interna do partido e da nossa corrente.
 
Compreender a história e a vida do povo negro no Brasil, a luta nos quilombos, nas comunidades, periferias e irmandades, é base para uma elaboração teórica sobre o socialismo que queremos. A questão racial deve estar colocada no programa e na prática, inclusive interna do PT e à partir da DS, estabelecendo um novo diálogo com a sociedade brasileira. Em tempos de agravamento da crise social e econômica, quando chocam os números da fome e do êxodo em direção às periferias desassistidas das cidades, sabem quem já está lá? Quem sempre esteve? Falar sobre resistir em tempos da terrível ameaça capitalista fascista? O povo negro tem uma rica história de 500 anos de luta e resistência para contar. Queremos Democracia Socialista.
É preciso que o PT e a DS enegreçam. É urgente enegrecer a DS!

 

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