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Megamanifestação em Bogotá exige retorno de prefeito destituído

1199032Do Opera Mundi

Milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira (13/12) nas ruas de Bogotá para protestar pelo quinto dia consecutivo contra a destituição do prefeito da capital colombiana, Gustavo Petro. Na última segunda-feira (09), o procurador-geral do país, Alejandro Ordoñez destituiu o dirigente de esquerda e o tornou inelegível pelos próximos 15 anos.

Os manifestantes se concentraram em 17 pontos diferentes da cidade para se reunirem no centro da cidade, na Praça Bolívar, e pedir, além da volta de Petro à chefia do Executivo municipal, a destituição de Ordoñez, que tem em seu passado um histórico de perseguição de líderes da esquerda colombiana. Com palavras de ordem como “Petro fique! Ordoñez vá embora!” os manifestantes se auto intitulam como “indignados”, em referência ao movimento popular que tomou as ruas da Espanha durante o ano de 2012.

De acordo com a revista Semana, a decisão de Ordoñez teve efeito contrário ao imaginado e parece voltar a unir as forças progressistas colombianas, rachadas desde a saída de Petro do PDA (Polo Democrático Alternativo), principal força partidária de esquerda na Colômbia e a reforçar a imagem de Petro.

O presidente do país, Juan Manuel Santos, afirmou hoje (13) que mediará a situação e se reunirá com Petro e Ordoñez. “A situação de Bogotá deve ser resolvida por meios institucionais”, disse e que, embora respeite toda decisão judicial, considera que Petro tem todo o direito de contestá-la “por todos os meios legais que tiver à disposição”.

Também nesta sexta-feira (13), o tribunal administrativo do departamento (subdivisão equivalente aos estados no Brasil) de Cundinamarca aceitou estudar a apelação apresentada pelo prefeito bogotano contra a decisão da procuradoria. No entanto, ela negou o pedido de liminar da defesa pedindo sua restituição.

A suspensão

O motivo da desttuição alegado por Ordoñez, ligado aos setores mais conservadores do país e ao ex-presidente Álvaro Uribe, foi o que ele considerou como má gestão da crise de coleta de lixo em Bogotá. Petro tentou reestratizar o setor na capital, entregando o contrato do serviço a uma empresa pública, impedido a livre competição entre as quatro empresas que administram o lixo na cidade.

Como uma particularidade da justiça colombiana, o procurador-geral tem o poder para julgar processos administrativos dos servidores público e destituí-los sem direito apelação. O caso de Petro pode ser revertido em outras instâncias.

Ordoñez é se posiciona contra o aborto, os direitos dos LGBT e se opõe fervorosamente ao do processo de paz que está tomando forma em Havana entre as FARC e o governo.

Entenda o caso

Petro, ex-membro do M-19 – guerrilha urbana surgida nos anos 1970 – venceu as eleições para o posto mais importante da capital, o segundo cargo eletivo mais importante do país, depois do presidente.

Em seu último discurso antes de deixar o cargo, na segunda-feira (09), em frente a 30 mil apoiadores – muitos deles coletores de lixo, o prefeito incitou uma mobilização permanente dos “indignados” colombianos: “eu fico e irei até onde vocês me disserem”.

Ele reconstruiu o histórico da violência à qual foi submetida a esquerda da Colômbia nas últimas décadas, desde o extermínio da União Patriótica, o partido nascido de um acordo de paz com a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) – quando mais de cinco mil pessoas foram assassinadas em sete anos –, até os homicídios e atentados contra os ex-integrantes do M-19, depois de assinarem pela paz e voltarem à vida civil.

Falou de líderes como Carlos Pizarro, ex-chefe da guerrilha, amigo de Petro, metralhado durante sua campanha presidencial de 1990: “E, no entanto, eu sou o prefeito de Bogotá. Porque nós somos a geração da paz”, disse. No entanto, ressaltou, hoje essa violência persiste de outra forma. “O procurador tem de dizer ao mundo que ele é quem continua a mesma guerra daqueles que atacaram com suas serras elétricas, daqueles que quiseram exterminar as diferenças na Colômbia, a diversidade e a democracia”.

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