Democracia Socialista

O papel dos governos progressistas é tema de seminário em Montevidéu

Com a presença da vice-presidenta eleita do Uruguai, Carolina Cosse, dirigentes de esquerda do Brasil, Uruguai, Chile e Colômbia participaram do seminário “O papel dos governos progressistas: a experiência da Frente Ampla e o progressismo no Uruguai e a integração na América do Sul”. Promovido pelo Instituto Novo Paradigmas, o seminário aconteceu nesta quinta, 27, às vésperas da posse de Yamandu Orsi na presidência do Uruguai.

Foto: Carlos Lebrato

A mesa de abertura foi coordenada pelo presidente do INP e ex-ministro Tarso Genro, que destacou que é preciso avançar no conceito de uma  “tríplice aliança do bem”, formada pelos governos do Brasil, da Colômbia e agora do Uruguai. 

Alejandro Sanchez , Secretário-Geral da Presidência eleita do Uruguai, relatou o grande trabalho realizado na transição, para iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para o país. Afirmou que são enormes as expectativas da sociedade e que é preciso entender que não se assume o governo no sábado e no domingo se tem um novo Uruguai. 

Sobre os desafios da esquerda, disse que precisamos ter em mente nossos erros e acertos para avançar na construção de um outro mundo possível. Lembrou a formação da Frente Ampla, que buscou reunir as esquerdas, mas não só os que pensam igual, mas também os que possuem divergências, para de fato ampliar. “Não podemos esquecer nunca para que é o nosso mandato: governar para quem necessita”, ressaltou.

Ele citou que o mundo hoje vive limites e tensões em relação ao meio ambiente.  Um mundo que avança tecnologicamente com a inteligência artificial e nos coloca desafios éticos enormes. “Não só porque está mudando o mundo do trabalho, mas porque precisamos saber até onde estamos caminhando para uma ditadura de dados e de invasão da privacidade”, apontou. Sanchez incluiu, entre os desafios, o tema da saúde mental, principalmente entre adolescentes e jovens até 24 anos, pois há uma conduta de controle enorme sobre as novas gerações pelas redes sociais, que impacta na sua saúde mental. 

Para ele, três pontos precisam ser trabalhos coletivamente pela esquerda. O primeiro deles é a construção de uma ampla aliança em defesa da democracia no mundo, capaz de somar  todos contra a ultra direita. O segundo é  a relevância da esquerda no mundo. “Para isso precisamos  ampliar muito mais do que a tríplice aliança proposta aqui”, disse. “Como podemos construir na América Latina uma voz comum em um acordo mínimo para defender algo? Porque aqui na pandemia tivemos milhões de mortos porque os governos não conseguiram juntar se nem para comprar vacina”, destacou.

O terceiro ponto lembrado por Sanchez é que as esquerdas e os progressistas nasceram das lutas populares e não nos governos. “Então precisamos pensar e debater fora da institucionalidade, em aliança com movimentos sociais e com diferentes setores”, defendeu. “ Devemos nos unir mais para inovar melhor”, concluiu.

Carolina Cosse, vice-presidenta eleita do Uruguai, iniciou lembrando sobre os movimentos que formaram a alma progressista do Uruguai,  com a atuação dos movimentos sociais, sindical e estudantil. “Neste contexto, a Frente Ampla é muito mais que uma coalizão “, disse. Ela defendeu a necessidade da esquerda jogar em todas instâncias: significa saber que vamos fazer como governo, o que vamos fazer como Partido e o que vamos fazer enquanto movimentos sociais. “Nunca antes na história da humanidade o desenvolvimento científico se fez tão presente, as tecnologias foram tão desenvolvidas, a Ciência se multiplicou em tantas especialidades, que se aprofundam. Mas isso não muda a realidade das pessoas. Nas ruas, nas comunidades, encontramos outra realidade”, afirmou.

Para Caroline Cosse, a  tecnologia e a ciência avançaram muito, mas a desigualdade avançou muito mais. “Temos um imenso desafio cultural. Pensar que o primeiro emprego, por exemplo, não seja apenas para garantir renda, mas como um passo para impulsionar a trajetória desta pessoa. Agir não só para produzir alimentos, mas para que tipo de alimentos estamos produzindo. É um desafio maravilhoso, pois para isso somos de esquerda”, refletiu.

Ela concluiu lembrando que a esperança existe, que seguem surgindo movimentos progressistas na América Latina. “Precisamos potencializar o melhor do humanismo. Vamos fazer um grande governo aqui. Retomar o melhor da cultura humanista no mundo não é uma meta que se conclui em cinco anos, mas essa é nossa tarefa de esquerda”, finalizou. 

As mesas seguintes de debate terão  a participação do  Presidente da ALRS, deputado Pepe Vargas,  do líder da bancada do PT na ALRS, Miguel Rossetto, do Secretário-Geral do PT, Henrique Fontana e do ex-deputado federal José Dirceu.

Redação DS