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Tornar-se negra é uma conquista! | Geyse Anne da Silva

Foto: Reprodução Facebook
 “Quando a mulher negra se movimenta,
toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”
(Angela Davis)

 

Nossos passos vêm de longe!

Lema que dentro do movimento de mulheres negras tornou-se um mantra, que impulsiona a minha, a sua, a nossa história. História de mulheres negras que contribuíram para grandes transformações no mundo e em nosso país.

Portanto, diversas mulheres negras foram responsáveis pelos nossos caminhos percorridos até aqui e para exemplificar essa questão, temos a criação no governo de Dilma Rousseff, da lei nº 12.987 de 2 de junho de 2014 que instituiu o Dia Nacional da Mulher Negra e tem Tereza de Benguela, uma mulher negra quilombola, reconhecida por sua liderança à frente do Quilombo do Quariterê a ser comemorado dia 25 de julho.

No Ceará esse mesmo dia, temos a lei 335/2021 aprovada pelo governo Camilo Santana que homenageia Preta Simoa, liderança negra que usou todo seu poder de mobilização e esteve na linha de frente da Greve dos Jangadeiros contra o transporte de negros escravizados no porto de Fortaleza em 1881.

E mesmo assim, nossa potencialidade a todo momento é questionada pelo racismo, levando ao imaginário social, uma imagem estereotipada das mulheres negras, porém quando olhamos ao nosso redor, percebemos que a história é outra.

A manutenção da vida e organização social passa pelas mulheres negras, isso é um fato, pois fomos a maioria entre as donas de casa, cozinheiras, serviços gerais, assim como aumentamos ainda mais nossa presença como professoras, advogadas, médicas e lideranças políticas, portanto, as estratégias de sobrevivência passam por nós e mesmo assim quando uma mulher negra assume um lugar de destaque é visto como uma provocação, uma afronte.

Portanto, o processo de invisibilidade do papel das mulheres negras se perpetua até os dias de hoje. Nossa experiência de vida fala muito sobre esse processo de negação dos estudos, trabalho, lazer, alimentação e sobretudo, a viver plenamente livre.

A nossa existência até aqui é um confronto direto, um tapa na cara do racismo estrutural e um alvo fácil do genocídio e feminicídio, ações geradas e constantemente alimentadas pelas estruturas racistas e capitalistas na sociedade. São tantos os conflitos cotidianos que sempre nos colocamos nossos corpos e nossas corpas pretas à frente, pois quando foi fácil pra gente?

Por isso, tornar-se negra é um caminho sem volta e uma volta ao passado-presente-futuro da nossa ancestralidade, seja você negra de cabelo cacheado ou liso, dos diversos tons de negro, preto e origem social. É principalmente uma responsabilidade política a partir do entendimento do nosso papel no mundo.

Escrever uma outra história é fundamental, dessa vez com o olhar, a voz e a cara da mulher negra para avançarmos na conquista de direitos para todo mundo. É chegado o momento de refletirmos sobre nossas histórias, olhar para trás e reconhecer que nossas vitórias e conquistas são um presente ancestral para nossa comunidade

É necessário estratégias para gerir a vida individual e coletiva! Por isso, nada melhor do que nós mesmas para falar, reconhecer nossas heroínas e o Julho das Pretas é esse momento de visibilidade e fortalecimento de diversas questões latentes as mulheres negras.

Avantes! Mulheres pretas de todo mundo uni-vos.

Vamos à luta por uma sociedade sem racismo, sem genocídio e com mais vida e oportunidades para a população negra.

 

Geyse Anne da Silva, jovem mulher negra, comunicadora social, coordenadora de Mulheres do MNU Ceará, membra da Executiva Estadual do PT Ceará e diretora de Igualdade Racial do DCE Unilab Ceará. Bacharela em Humanidade (UNILAB), graduanda em Pedagogia (UNILAB), bolsista do Grupo Diálogos de Extensão e Pesquisa Interdisciplinar (UNILAB) e membra do NEAABI Unilab.

 

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