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Uma história forjada na luta

1578913MAIRA NEIVA

Os 80 anos do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região

Em 16 de agosto de 1934 nascia o Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região. Nasceu dentro do sistema jurídico sindical corporativo, criado por Vargas, que tinha como objetivo exercer o controle político dos/as trabalhadores/as, ao mesmo tempo em que buscava construir apoio da nova categoria social que se consolidava com o aprofundamento da industrialização no Brasil naquele período: a classe trabalhadora urbana.

Embora o nascimento formal do Sindicato remeta a um modelo de sindicalismo corporativista, que se cristalizou no século XX, os/as trabalhadores/as nunca aceitaram essas limitações impostas pelo sistema. Contrariando as determinações legais, a história dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região é marcada pela luta universal pela emancipação dos/as trabalhadores/as.

O aceleramento da industrialização no cinturão em torno de Belo Horizonte, com a vinda das indústrias siderúrgicas europeias, ainda na década de 50, fez com que o sentimento de classe se aprofundasse entre os/as metalúrgicos/as.

Em 1968, de forma clandestina, universitários/as uniram-se aos/às trabalhadores/as na luta pelo direito de reivindicar e de conquistar melhores condições de trabalho. O AI-5 não foi obstáculo para que trabalhadores/as, liderados/as pelas importantes companheiras Conceição e Efigênia, iniciassem a primeira greve no período da ditadura que, rapidamente, se alastrou para Osasco e outras cidades.

Os/as trabalhadores/as provaram a força da organização e conquistaram um reajuste salarial de 10%, estendido a todos/as os/as trabalhadores/as do Brasil, em um momento que a inflação comprometia todos os salários e a ditadura militar impedia, violentamente, a reivindicação de quaisquer direitos.

Em 1978, os/as metalúrgicos/as de BH/Contagem e Região participam novamente da histórica greve que abalou as estruturas da ditadura brasileira.

Presentes na Conclat, na fundação da CUT e do PT. Em 1982, os/as metalúrgicos/as se lançam na construção do sindicalismo cidadão, que rompia as apertadas amarras impostas ao movimento sindical que determinavam a separação radical das reivindicações trabalhistas dos anseios de participação democrática dos/as trabalhadores/as nos processos políticos decisórios.

O companheiro Joaquinzão, em sua candidatura de 1982, representava o desejo de restaurar a democracia e de edificar um projeto popular de inclusão social e distribuição de renda e poder.

Em 1984, os/as trabalhadores/as enfim derrotam o sindicalismo pelego da ditadura militar, o Sindicato se filia a CUT e logo se torna instrumento de luta dos/as trabalhadores/as brasileiros/as.

Diretas Já! Impeachment de Collor; Plebiscito contra a Alca; Marcha dos Cem Mil; Greve Geral contra a Privatização da Petrobrás; Lutas contra a flexibilização trabalhista neoliberal. Nas décadas de 80 e 90, o Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região sempre esteve presente nas lutas emancipatórias do povo brasileiro, rejeitando, de forma enérgica, o sindicalismo de resultados, preocupado somente com os interesses corporativos dos/as trabalhadores/as e criado para enfrentar a aliança dos/as trabalhadores/as do campo e da cidade por uma sociedade inclusiva.

Na década de 90, as políticas neoliberais e a reorganização produtiva pós fordista, baseada na quebra da solidariedade coletiva no espaço produtivo, foram os novos desafios colocados aos/às trabalhadores/as metalúrgicos de todo Brasil.

Mas a terceirização, a alta rotatividade de mão-de-obra, as remunerações flexíveis estruturadas na competitividade entre trabalhadores/as não foram obstáculos intransponíveis para o Sindicato.

No início dos anos 2000, o Sindicato se lança na construção das redes internacionais dos/as trabalhadores/as, resgatando a solidariedade dos/as trabalhadores/as de multinacionais, que enfrentam, em escala mundial, o poderio do capital financeiro, inaugurando assim uma nova etapa da luta de classes.

A eleição de Lula não fez cessar a luta dos/as metalúrgicos. Desejando aprofundar os laços de solidariedade de classe, o Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região se soma a greve dos/as educadores/as mineiros/as, em 2011, ao Plebiscito da Energia Elétrica em Minas Gerais, ao Plebiscito Nacional pela Reforma Política.

E, em um momento de crise generalizada do modelo de democracia representativa liberal, o Sindicato, mais uma vez, se junta aos/às jovens, para questionar o modelo, enquanto resiste a uma das mais sérias tentativas de desmonte da legislação trabalhista, por meio da autorização irrestrita de terceirização.

Foram 80 anos de luta pela emancipação da classe trabalhadora e essa está longe de terminar. Mas a história do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem e Região demonstra que os/as trabalhadores/as continuam firmes, assim como estiveram desde os primórdios do sindicalismo moderno, na luta não só por direitos trabalhistas, mas também pela radicalização da democracia!

 

Maira Neiva é coordenadora do departamento jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem, doutoranda em Direito do Trabalho, Modernidade e Democracia pela PUC-MG.

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