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A reinvenção da Caixa Econômica Federal

A reinvenção da Caixa Econômica FederalPor Cláudio Puty, publicado no Jornal O Liberal *

A enorme crise econômica iniciada em 2008 e as respectivas medidas de estímulo ao crédito tomadas pelo governo naquele momento deram ampla visibilidade ao estratégico papel dos bancos públicos na gestão macroeconômica, ao contrário do que muitos sabichões neoliberais preconizam.

Foram os bancos públicos federais, o Banco do Brasil (BB), a Caixa Econômica Federal (Caixa) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  que garantiram preciosa injeção de liquidez em uma economia  que viu bancos privados retraírem, por excesso de precaução, seus financiamentos. Como resultado, a participação do crédito dos bancos públicos no total do crédito passou de 35% antes da crise para 41% em janeiro de 2010 e nós evitamos o pior, que seria uma escalada recessiva nos moldes do que vemos ainda hoje nas principais economias do mundo.

Na segunda onda da Crise Mundial que agora observamos, mais uma vez os bancos públicos tiveram um papel decisivo na operação dos novos rumos de política econômica. Junto com o BB, a Caixa assumiu um papel decisivo no aumento do crédito no mercado. No segundo trimestre deste ano os bancos públicos injetaram R$ 65,7 bilhões na economia, valor que representa mais de 70% do crescimento total do crédito no país – R$ 93 bilhões no período. A Caixa foi mais agressiva, registrando alta de 51,5% na carteira de crédito do primeiro semestre. Sua participação nas concessões, excluindo financiamentos imobiliários, subiu de 5,9% em dezembro de 2011 para 7,1% em junho. Tudo isso ainda sendo a operadora de diversos programa sociais importantes como o Bolsa Família.

Aproveitando o novo cenário, os bancos públicos se revigoram e crescem.  A Caixa está executando um arrojado plano de expansão de suas atividades, com o objetivo de se tornar um dos três maiores bancos do país até 2022 (hoje ela é o quarto). Para que essa expansão possa se viabilizar, a presidenta Dilma Rousseff assinou, em agosto último, um decreto que aumentou o capital social da Caixa para R$ 1,5 bilhão, por meio de transferência de ações da Petrobras.

Matérias publicadas pelo jornal Valor Econômico revelam claramente essa opção da Caixa: a instituição solicitou ao Banco Central autorização para abrir um banco de investimento para entrar no mercado de capitais – área em que ela tem todas as condições de crescer agora que os juros estão mais baixos –; começou a operar com crédito rural para a safra 2012/13 e vai passar a financiar exportações. Além disso, a Caixa criou, numa sociedade da CaixaPar, Funcef (fundo de pensão) e a IBM, uma empresa para desenvolver uma nova plataforma digital para o crédito imobiliário. E também anunciou que abrirá mais 500 agências e mil casas lotéricas, com a contratação de mais 12 mil funcionários até o ano que vem.

A política da presidenta Dilma Rousseff de baixar a taxa de juros levou a instituição a ser mais agressiva no corte do custo do dinheiro nas diversas linhas de crédito. Com isso, a Caixa mais do que duplicou a participação no crédito total do sistema bancário: 13,7% em 2012, contra 6% em 2007, antes da crise econômica.

Ainda de acordo com o Valor Econômico, a carteira de veículos que dá à Caixa 4% do mercado deverá aumentar – com a ajuda do PanAmericano, comprado pela Caixa – para 10% até o fim do ano. Já a área de seguros e previdência, que representa entre 20% a 25% da carteira dos grandes bancos, é apenas 10% para a Caixa, mas também deve crescer, bem como o crédito rural, que hoje corresponde a algo entre 8% e 10% do mercado.

Uma das mais significativas ações de natureza social da Caixa é o de ser o agente financeiro do programa Minha Casa, Minha Vida. A meta da segunda fase do programa (2011-2014) é construir 2,4 milhões de unidades habitacionais, das quais 60% voltadas para famílias de baixa renda.

A Crise Mundial apontou para todos nós o papel dos bancos públicos. A manutenção do crédito em meio à incerteza e a queda dos spreads, duas decisões de política econômica fundamentais por eles operadas demonstram a importância de fortalecê-los. Ainda bem que os neoliberais não conseguiram vendê-los.

* Cláudio Puty é Deputado Federal e membro da Coordenação Nacional da DS. 

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