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Conune leva estudantes de volta às ruas

Ato da CMS, com 18 mil ativistas, foi o ponto alto do Congresso.

ALESSANDRA TERRIBILI e VINICIUS WU

 

Realizado no final de julho na cidade de Goiânia, o 49º Congresso da UNE teve seu momento mais expressivo no ato promovido pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Estiveram presentes 18 mil ativistas de diversos movimentos, nesta que foi a primeira grande mobilização após o lançamento da Carta ao Povo Brasileiro, o principal documento de resposta política dos movimentos sociais à atual crise que assola o país.

O atual momento político no Brasil centralizou os debates no congresso, deixando o tema da reforma universitária, que dominou todo o processo de eleição dos delegados, em segundo plano. Se comparado a outros fóruns da UNE, esse congresso pouco acumulou na questão da reforma. A despeito disso, não foi modificada a correta orientação de disputar na sociedade um projeto de reforma universitária, não caindo em posições de recusa indiscriminada do projeto, nem simplesmente construindo um adesismo às propostas do governo. Foi com essa postura que a UNE conseguiu conquistar, já na segunda versão do anteprojeto de reforma, uma verba própria para assistência estudantil.

No debate sobre conjuntura, a posição da CMS saiu vitoriosa, o que foi expresso nas resoluções aprovadas e no resultado político do Congresso. Em linhas gerais, ela define que só com a mudança da atual política econômica – responsável por distanciar o governo das esperanças do povo brasileiro – e com a construção de uma outra governabilidade – baseada na participação popular e na sustentação dos movimentos sociais – é possível uma saída para essa crise que sirva aos interesses populares.

Resultado positivo
Em relação à política interna da entidade, após sete anos foi aprovada a realização de um Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb), previsto para o início de 2006. A retomada deste fórum foi uma das principais bandeiras da oposição ao longo dos últimos anos. Na eleição da diretoria, a chapa “Kizomba em movimento”, composta por militantes identificados com a DS, Esquerda Democrática, Fórum Socialista, Esquerda Democrática e Popular, Movimento PT e independentes obteve 217 votos, o que possibilitou dobrar nossa presença na diretoria da entidade. Mais do que isso, foi a maior participação da Kizomba em Congressos da UNE; em suma, um resultado que consolida o campo como uma das referências mais importantes para o movimento estudantil brasileiro.

Desde já ficam apontados três desafios para a próxima gestão da UNE: a construção de um amplo processo de mobilizações contra a corrupção, a política econômica e por uma nova governabilidade; a continuidade da luta pela democratização da Universidade brasileira, construindo a Conferência Nacional de Ensino Superior para elaborar um projeto de Reforma Universitária dos movimentos sociais, e o avanço do processo de democratização da entidade no Coneb que vai ocorrer no primeiro semestre de 2006.


Alessandra Terribili, estudante da USP e Vinicius Wu, estudante da UFRJ, foram os diretores da UNE na gestão 2003-2005.

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