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Esquerdismo sem rumo

Saída do PSTU da CUT reflete crise do próprio partido.

A direção do PSTU ensaia manobras arriscadas na sua frente sindical.Um manifesto lançado recentemente em Minas Gerais por sindicatos metalúrgicos de lá sob sua direção chama a abrir uma campanha para desfiliar as entidades da CUT e “construir uma alternativa de luta dos trabalhadores”.

Seu lançamento aconteceu ao mesmo tempo que dirigentes sindicais desse partido tentaram um golpe na Federação dos Metalúrgicos de MG,excluindo sumariamente os membros da direção pertencentes a outras correntes assim como a diversos sindicatos do congresso da entidade.Resultado:dois Congressos,sendo que o Congresso convocado pelos setores pró-CUT foi muito mais representativo da base metalúrgica do estado.Mais:a assembléia dos metalúrgicos de BH e Contagem – onde Zé Maria,principal figura pública do PSTU,é dirigente – rejeitou por ampla maioria a política desse partido.

Os argumentos do documento acima mencionado para defender a desfiliação da CUT são supostamente “de esquerda “,mas em nenhum momento conseguem justificar o central da proposta:rachar um órgão sindical de frente única da classe trabalhadora,a CUT,que tem mecanismos democráticos de disputa de posições no seu interior,que abriga um amplo leque político-ideológico representativo e que tem intensa vida sindical.Pior:pelo que se viu em Minas Gerais,parece que a mesma política de racha seria levada em outras entidades.

Inconsistência

A postura do PSTU,porém, não poderia derivar da tradição da qual se reivindica,do trotskismo,que como bom leninismo defende a construção das entidades sindicais como órgãos de frente única dos trabalhadores,como espaços onde as diversas correntes do movimento operário disputam suas posições políticas,como cenário onde as posições revolucionárias vão construindo sua hegemonia na classe para desenvolvê-la na sociedade.

A atuação sindical atual do PSTU está presa às necessidades conjunturais do partido. Contra todos seus prognósticos anteriores,foi o próprio PSTU que entrou em crise sob o governo Lula.Ao invés de se converter no pólo aglutinador, sofreu diversos rachas que deram na formação do PSOL, levando todo seu trabalho sindical no funcionalismo federal.

A bandeira de rachar a CUT faz parte do seu cardápio de radicalização da oposição ao governo Lula como um todo (mesclando argumentos e calúnias) e disputar assim espaços com o PSOL. E, ao mesmo tempo, dá cobertura para os acordos que o PSTU vem fazendo com as confederações mais pelegas para se opor à reforma sindical que propõe acabar com essas entidades de carimbo.

Os descaminhos sindicais do PSTU mostram de que maneira uma tática política errada em uma conjuntura como a atual pode levar facilmente à perda do rumo estratégico.

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