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Mulheres em movimento para mudar o mundo

8 de março abre calendário de mobilizações no Brasil.

O 8 de março – Dia Internacional da Mulher -, hoje, faz parte do calendário dos movimentos sociais no Brasil. Ou seja, é reconhecido como um dia de luta convocado pelo movimento de mulheres, em que todos e todas vão para as ruas se manifestarem. Assim, a adesão dos movimentos é cada vez maior.

É fundamental seguir reafirmando o caráter de luta desse dia, uma vez que vários meios de comunicação e empresas tentam banalizá-lo como um dia de homenagem, até mesmo procurando vinculá-lo ao mercado.

A história do 8 de março e sua relação com a luta das mulheres operárias e socialistas traz desde o início seu caráter combativo e de mobilização. A proposta de Clara Zetkin de dia internacional se inspirou na luta de sindicalistas estadunidenses, em sua maioria, socialistas. Os estudos sobre a história do 8 de março mostram que a data é vinculada ao papel das operárias russas na mobilização do Dia Internacional da Mulher, que desencadeou a revolução russa de 1917. Alexandra Kolontai escreveu que “o dia das operárias, em 8 de março (23 de fevereiro no calendário russo) de 1917, foi uma data memorável na história. A revolução de fevereiro acabara de começar”. Também Trotsky em A História da Revolução Russa escreveu “Dia 23 de fevereiro (8 de março) era o Dia Internacional das Mulheres, e estavam programados atos, encontros, etc. Mas não imaginávamos que esse dia das mulheres viria inaugurar a revolução”.

Em 2006, no 8 de março, haverá atividades e mobilizações nos estados. Em vários deles, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) é a principal impulsionadora da organização, ao lado das camponesas dos vários movimentos, as sindicalistas, as mulheres negras, lésbicas, donas de casa, indígenas, jovens etc. Em muitos estados, serão atos ou marchas organizados conjuntamente, como é o caso de Porto Alegre.

Para a MMM, o lançamento da Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, em 8 de março de 2005, a partir de uma grande mobilização em São Paulo, deixou um saldo organizativo que coloca para este ano uma grande expectativa de mobilização em todo o país. Isso foi confirmado ao longo do ano nos principais processos de mobilização, e no 17 de outubro, quando houve manifestações em 12 estados no dia da chegada da Carta a Burkina Faso, fazendo parte de 24 horas de Solidariedade Feminista pelo mundo. Por isso, nos estados em que está organizada, a MMM imprime esse sentido de continuidade e processo, que é também de construção de alianças com um amplo conjunto de movimentos.

Neste 8 de março, a MMM atuará a partir do eixo contra a mercantilização, a violência e a exploração das mulheres. É um chamado a combater de forma permanente a violência machista, racista e homofóbica em todas suas manifestações, assumindo a luta feminista pela igualdade como objetivo comum na construção de nossas resistências e alternativas à política de mercantilização e guerra. Por isso, se somará à campanha “Mulheres dizem não à guerra”, convocada por uma organização estadunidense chamada “Code Pink” (Código Rosa), que exige a retirada das tropas militares do Iraque.
No Brasil, esse eixo se traduzirá na crítica à política de livre mercado e na exigência de tirar dos trilhos a OMC. Também dará continuidade a crítica e denúncia de imposição de controle sobre o corpo das mulheres e à reivindicação de direito à autodeterminação, na qual se insere a luta pela descriminalização e legalização do aborto. Outro tema que terá ênfase será a luta contra a violência doméstica e sexual que se aprofundou sob o neoliberalismo e sua política conservadora, tanto no âmbito familiar quanto no mercado de trabalho e na sociedade em geral.

No âmbito de propostas de alteração da atual desigualdade e hierarquização da sociedade brasileira, terá continuidade a campanha pela valorização do salário mínimo. No 8 de março, a MMM quer promover uma nova ofensiva nessa campanha para, em conjunto com os movimentos que organizaram a Assembléia Popular Mutirão por um Novo Brasil, culminar com uma jornada que vai de 17 de abril a 1° de maio. Segue a reivindicação de dobrar o valor real do salário mínimo, e que se aprovem, ainda este ano, regras que garantam a recuperação desse valor. Também é parte da agenda da MMM o apoio à mobilização das donas de casa em sua luta pela garantia da aposentadoria.

A mobilização e a ocupação dos espaços públicos são, para a Marcha Mundial das Mulheres, suas principais ferramentas de ação. Por isso, as manifestações são sempre animadas, com muitas palavras de ordem, alegorias, faixas, colagens e ao ritmo de uma batucada feminista em vários estados brasileiros.

O 8 de março se insere na continuidade do Fórum Social Mundial de Caracas, e terá como marca uma posição anti-imperialista e anti-capitalista, afirmando seu compromisso com a construção de uma sociedade sem exploração de classes, sem machismo, sem racismo e sem homofobia.

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