Home / Temas / Antirracismo / Ninguém “je suis” Somália | Maria Julia e Rosana Sousa

Ninguém “je suis” Somália | Maria Julia e Rosana Sousa

No sábado houve um atentado terrorista na Somália que deixou mais de 300 seres humanos mortos no maior ataque que o país já enfrentou, porém, apesar da gravidade, não houve destaque em nenhum noticiário. O que vimos foi um silêncio ensurdecedor por parte da mídia e das nações.

Esse silêncio trouxe a tona uma questão fundamental, vidas negras importam ou a comoção é seletiva? A verdade é que dentro da lógica racista vidas negras não importam.

Em 2015 algo muito semelhante aconteceu. O ataque ao Charlie Hebdo, em Paris, em 7 janeiro de 2015, deixou 17 mortos, foi capa dos principais jornais e a hashtag #jesuisCharlie circulou pelo mundo. No mesmo dia, houve um ataque na Nigéria que deixou 111 mortos, mas ganhou apenas uma pequena nota nos jornais.

Agora no ataque a Somália as únicas menções à hashtag #PrayForSomalia apareceram somente com a reclamação da falta de destaque do assunto na mídia.

O racismo é tão bem orquestrado que decide inclusive com quais eventos devemos nos comover. A lógica é tão perversa que enxerga a África como um país e não um continente e mostra os seus habitantes como pessoas acostumadas ao sofrimento, às guerras, disputas e mortes, como se a dor fosse algo natural e cotidiano.

Esse tipo de construção das notícias é inaceitável. Onde estão as capas dos principais jornais destacando a violação de direitos humanos quando são trezentas pessoas foram mortas em um único dia?

A CUT não compactua com esse silêncio, exercendo seu papel de questionar o status quo. É nosso papel denunciar todas as formas que o racismo opera, principalmente quando ele condiciona a pessoas a pensarem que os negros são menos humanos ou sentem menos dor. Precisamos falar, questionar e denunciar sempre o racismo, principalmente quando ele tenta escalonar o sofrimento.

Somos fortes somos CUT! Basta de Racismo no Trabalho e na Vida!

Somos todos Somália!

Vidas negras importam!

Maria Julia Nogueira & Rosana Sousa, Secretária e Secretária Adjunta da CUT de Combate ao Racismo

Veja também

A ideologia do não dito | Arlete Sampaio

Por trás do apontamento de ideologias falsificadas, da tentativa de revisar e negar a nossa história, está a ideologia do capital que é antipovo, que atenta contra a soberania do Brasil e os interesses populares. A ideologia do capital é a não dita, porque não pode ser dita e sustentada para os fins que os ocupantes do poder querem, que é a hegemonia das ideias, o apoio popular. A moda da invencionice de ideologias esconde a verdadeira ideologia que pauta o governo Bolsonaro: a do capital que é cruel e danosa com o povo brasileiro.

Comente com o Facebook